Dia 23 de abril, uma segunda-feira, às 23h30, mais um jornalista foi assassinado no Brasil. Décio Sá morreu com seis tiros num bar na cidade de São Luís. Tinha 42 anos e era repórter de O Estado do Maranhão. Foi o quarto profissional de imprensa assassinado no país em 2012, o que eleva o Brasil ao topo de um ranking macabro na América Latina. Dois suspeitos de serem cúmplices do assassinato de Décio Sá estão presos, mas a impunidade não está afastada. Ao contrário. O histórico das investigações policiais não é positivo, em geral. Quando o assunto é homicídio de jornalistas, é francamente negativo. Segundo um levantamento recente – que não leva em conta os casos de 2012 –, nos últimos 20 anos 70% desses assassinatos não foram esclarecidos. Contra a imprensa, o crime compensa. Traficantes de drogas, chefes de milícias e autoridades corruptas se revezam na lista de mandantes, mas a polícia não consegue encarcerá-los e a Justiça raramente chega a julgá-los. (Eugênio Bucci)
JJ #49A “JJ” número 49 já está em distribuição e tem muito que ler, como é habitual. Um dos artigos a não perder é o estudo de Álvaro Costa de Matos sobre «política e banda desenhada na I República», amplamente ilustrado e com base no jornal humorístico “Os Ridículos”. Um resumo das comunicações do VII Sopcom, a situação da «imprensa de inspiração cristã», uma perspectiva dos vinte anos de televisão comercial e o jornalismo de proximidade são outros motivos de interesse. Também se recomenda a leitura de uma entrevista com Daniel Ricardo, que explica tudo o que é necessário saber sobre o funcionamento da Comissão da Carteira Profissional. E, se quiser saber porque é que «a noite é dos jornalistas», leia a crónica de Clara Silva, prémio Gazeta Revelação 2010. GolfeA secção de golfe do Clube de Jornalistas activou um blogue para divulgação das suas actividades que pode ser acedido aqui.
TénisPedro Keul conquistou a sétima edição da Taça Carlos Figueiredo/Troféu Nacional de Media/Eurosport, em ténis, realizado no Clube de Campo da Quinta da Moura, em Caxias, com o apoio institucional da Federação Portuguesa de Ténis e do Clube de Jornalistas. |
Notícias »Um sistema de saúde anestesiado pela austeridadeQue sistema? O português, claro. E quem escreve assim sobre o SNS português é uma enviada especial do jornal “Le Monde”. Terá uma perspectiva idêntica à dos jornalistas portugueses? Não há nada como ler a reportagem… Opinião »RTP: A inenarrável contratação abortada de FutreA RTP foi disputar à TVI um futebolista retirado que se distinguiu recentemente por uma anedótica conferência de imprensa e ofereceu-lhe um acordo milionário. Acordo pago com o dinheiro dos contribuintes. Pressionado pelas notícias públicas, o ministro da tutela disse que a contratação não aconteceria, o que mostra quem é que tem a última palavra nas contratações da RTP. O presidente do conselho de administração disse que foi o último a saber, porque os seus directores não lhe disseram nada e foi informado pelo ministro Relvas da existência do acordo. Resumindo: Se não fosse a notícia nos jornais, teríamos um visionário de “charters” chineses pago principescamente pelo erário público para mandar uma bocas durante os jogos do euro e num programa que viria nos meses seguintes. E não aconteceria nada. (JAG) » Presidente da RTP diz só ter sabido do negócio pelo ministro Notícias »RTP dispensa trabalhadores e faz acordo milionário com futebolista retiradoA RTP fez um acordo milionário com Paulo Futre, noticia o “Correio da Manhã”. O jornal adianta que «o ex-futebolista vai ter um programa seu, mas para já, só para dar o rosto ao Euro 2012, vai receber 30 mil euros da estação pública» Opinião »Inconvenientes da democraciaAs velhas democracias assumem por vezes gestos de coragem que as jovens são geralmente incapazes de ter. E tais gestos são tanto mais fáceis de assumir quando a extensão territorial e a demografia do país permitem que os meios político e mediático não se entrelacem e transformem num microcosmos incestuoso ou muito próximo de sê-lo. (Nobre-Correia) Notícias »Horst Faas, um fotógrafo que mudou a forma de olhar as guerrasO fotógrafo alemão Horst Faas, vencedor de dois prémios Pulitzer, mítico repórter no Vietnam para a agência Associated Press entre 1962 e 1974, faleceu aos 79 anos, deixando como legado não só um punhado de fotos de uma crueza devastadora, mas também uma forma de olhar a guerra que mudou para sempre o fotojornalismo. Opinião »EUA: Jornal auto-censura notícia de ataque criminoso a jornalistasDois repórteres do “Virginia Pilot” foram feridos e ficaram incapacitados de trabalhar depois de serem atacados na rua por um bando violento, mas o jornal não publicou nem uma linha sobre o caso. Notícias »França: Tribunal condena jornal a pagar 1 euro de indemnização por difamaçãoO semanário “Les Inrockuptibles” foi condenado a pagar 1 euro de perdas e danos por ter difamado uma federação do partido socialista. A federação reclamava 50 mil euros. Notícias »Espanha: Grande jornalismo, em papel ou TwitterJornalismo comprometido, rigoroso e valente em todos os suportes. Desde o velho papel ao inovador Twitter. O bom jornalismo, que os prémios Ortega y Gasset distinguem, não é o que está pendente das elites políticas e económicas, mas o que reflecte o dia a dia das pessoas comuns, dos que carecem de título. Opinião »O futuro do jornalismo (uma vez mais…)En un mundo globalizado y sujeto a los cambios que las nuevas tecnologías propician, ¿qué papel desempeñan los medios tradicionales? ¿Cómo se va a organizar y financiar su trabajo? ¿Cuál será su peso en la opinión pública? (Juan Luis Cebrián) Opinião »Fontes corruptas são corruptorasFontes corruptas são inevitavelmente corruptoras. A submissão a partidos, governos e religiões é uma forma disfarçada de embolsar propinas e aceitar suborno. |