Caso das horas extra na RTP chega ao Ministério Público
A Comissão de trabalhadores da RTP vai entregar, ainda esta semana, uma participação no Ministério Público relativa ao caso das horas extraordinárias na empresa.
O organismo que representa os trabalhadores da empresa pública de rádio e televisão considera haver “marcações inexplicadas” de trabalho suplementar ao longo dos últimos anos e lamenta que o Conselho de administração (CA), cujo mandato termina na próxima semana, ainda não tenha “produzido conclusão alguma”.
Recorde-se que o caso foi denunciado no ano passado e levou o CA a abrir uma auditoria interna. Mas esta continua, “passados todos os prazos razoáveis”, sem produzir resultados, afirma a CT em nota interna, a que o “Correio da Manhã” teve acesso. Em causa estão casos de possível ilegalidade na distribuição de horas extraordinárias e abuso na sua utilização.
Segundo o “Correio da Manhã”, em 2019, foram registados casos de trabalhadores que ultrapassaram o limite máximo anual legal de 200 horas. E não foi o primeiro ano em que tal aconteceu.
O “Correio da Manhã” já tinha noticiado em 2018 a existência de milhares de horas extraordinárias para pagar, no caso de alguns trabalhadores com valores muito elevados.
O serviço público não revela, no entanto, o peso desta rubrica nos custos com pessoal. “Certamente a autoridade judicial terá meios para obter as respostas e os esclarecimentos que a nós sempre nos foram recusados”, afirma a Comissão de trabalhadores na nota interna.
(“Correio da Manhã” 26 março 2021)

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