Brasil: Como “O Globo” serviu a ditadura
O mea-culpa é envergonhado porque pisa em ovos e busca estabelecer para o jornal uma trajetória coerente com os princípios democráticos, mesmo quando esses princípios foram agredidos violentamente desde que os tanques impuseram o regime de exceção. E é vergonhoso porque omite os interesses das Organizações Globo nessa festejada nova ordem, expressos nos acordos que garantiram a formação do atual império de comunicações.
De passagem, o texto menciona o empenho de Roberto Marinho contra a perseguição a jornalistas de esquerda, vários dos quais trabalhavam em suas empresas durante a ditadura. É verdade, mas faltou dizer como alguns desses jornalistas atuavam: em cargos de chefia, sabiam as regras do jogo e estavam, melhor que ninguém, alertas para as táticas que seus parceiros de ideologia pudessem utilizar para driblar a censura. Perfeitos cães de guarda, não dos interesses da sociedade – como querem os liberais da teoria do jornalismo –, mas do patrão. (Sylvia Debossan Moretzsohn)

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