Outra viragem inadiável
«Nos média dominantes, o jornalismo praticado (e haverá quem prefira mesmo designá-lo por “jornaleirismo”, para marcar a diferença) é largamente descerebrado, inculto, obsequiador, acrítico. Preocupado angustiadamente com a salvaguarda do seu estatuto hierárquico no seio da redação ou mais simplesmente (e compreensivelmente) a defesa do seu posto de trabalho. Prática que, inevitavelmente, só pode ser a de um jornalismo às ordens, às ordens sobretudo dos senhores no poder (económico, político, social, cultural) e da ideologia dominante, fundamentalmente de direita e cada vez mais conservadora.»
Estas palavras do professor Nobre-Correia são parte de uma excelente, indispensável e incontornável análise à realidade do universo mediático português, que deveria ser leitura obrigatória em todas as redacções, gabinetes de editores, administradores de empresas e decisores políticos. Uma realidade que exige um debate imediato e rigoroso. Sem um jornalismo sério, responsável e competente, o direito à informação corre o risco de vilipêndios sucessivos. A decisão judicial que impende sobre o “Correio da Manhã” e outras publicações do grupo Cofina é um pálido prenúncio do que pode acontecer. (João Alferes Gonçalves)

Comente esta notícia.