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A importância dos Provedores de Leitores

24 de Maio de 2015


O indispensável papel do Provedor dos Leitores: dois exemplos

A figura dos Provedores dos Leitores (em Espanha têm o bonito nome de Defensores do Leitor) devia ser obrigatória em todos os Órgãos de Comunicação Social, tal a importância da sua função. Desde que, obviamente, Provedores ou Defensores sejam homens e mulheres respeitados, independentes, cultos e conhecedores do mundo da informação. Com eles, todos ganhamos: os jornais, os jornalistas e os leitores. Dois exemplos: um português e um espanhol. Um cheirinho para se perceber melhor o que pode/deve ser o trabalho de um Provedor/Defensor (RC)

E o futebol paga a factura

O PÚBLICO deveria dedicar um completo dossier a este fenómeno de como é que formas de vandalismo se acobertam nas manifestações desportivas e nas claques.

O último fim-de-semana que, desportivamente, deveria tão-só ter sido para sinalizar o desfecho do campeonato nacional de futebol, com o Benfica a celebrar a merecida vitória, foi marcado por actos que trouxeram mais uma vez a primeiro plano o fenómeno da violência. E, mais uma vez, com aquela facilidade simplista que muita gente o vê, ou o liga, ao futebol.

E sinceramente, é preciso andarmos muito distraídos com os actos de enorme violência que têm sido registados nestes últimos tempos no “nosso” doméstico contexto social para invectivarmos sobre o futebol tamanha culpabilidade. Recordo só estes dois actos: o bárbaro assassinato do adolescente Filipe, de 14 anos, em Salvaterra de Magos, e o menor de 16 anos, regado com álcool etílico, ao que parece por familiares próximos e depois incendiado com um isqueiro, numa residência na Póvoa de Santa Iria, em Vila Franca de Xira. A atrocidade destes crimes basta para relevar sintomas de alarmante situação de um “escondido” clima de degradação e consequente tensão social que também mora neste país. Como escreve, Vicente Jorge Silva, no semanário SOL de 22.05.2015, “os riscos de explosão social tenderão a agravar-se enquanto recusamos abrir os olhos para a realidade”

Devo declarar que não possuirei as condições de isento analista social dos acontecimentos de violência perpetrados e envoltos na raia do futebol por duas razões: gosto muito do futebol e defendo, em seu benefício, a existência de claques. Mas vamos aos actos em questão. E a partir de queixas de alguns leitores.

Recebi queixas de dois teores: primeiro, relativamente ao exagerado volume de informação a propósito do futebol; segundo, pela pouca relevância e consequente tratamento, reduzido ou omisso, que o PÚBLICO deu aos actos violentos acontecidos em Guimarães e em Lisboa.

  1. O excessivo espaço dedicado ao campeonato

Em relação ao excessivo espaço (oito páginas da edição do PÚBLICO de 18.05.2015) pergunta o leitor Augusto Küttner: O futebol terá de “encher” tantas páginas? E, de algum modo, responde: o PÚBLICO, reconhecido jornal de referência, deveria “fazer-se notar pela diferença qualitativa”. Por sua vez, o leitor José Mesquita Alves, que já em Março de 2014, discordava dos critérios editoriais do PÚBLICO, que esquecem outras modalidades, tais como a ausência de notícias sobre o voleibol, sem destacar, por exemplo, os jogos entre os “dois melhores clubes de Voleibol, a Associação de Jovens da Fonte Bastardo, da Terceira, Açores, a par do S. L. Benfica”. E refere ainda: “No passado fim de semana, a Selecção Nacional de Voleibol disputou no Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos 2 jogos oficiais contra a Holanda, a contar para o Campeonato do Mundo da modalidade (FIVB Volleyball World League 2015). Sobre estes eventos o Público noticiou ZERO (no dia 18 de Maio, e para além das 10 páginas dedicadas ao título de campeão nacional de futebol conquistado pelo Benfica, a secção de Desporto noticiou Motociclismo, Ténis, Ciclismo – Volta a Itália (?!), Râguebi, Basquetebol, Andebol, e mais futebol, caseiro e internacional). (…) Durante esta mesma semana, na secção de Desporto, o Público noticiou mais do mesmo, a que acresce, se não estou em erro, uma ou duas notícia sobre a NBA, e, naturalmente, notícias sobre o Rally de Portugal.” (…)

  1. O futebol e a violência

Quanto aos actos de violência importa recordar que tiveram três episódios diferentes: o incompreensível e repugnante espancamento do cidadão José Magalhães, um empresário de Matosinhos que envergava uma camisola do Benfica e se fazia acompanhar do filho, menor, e do seu pai; a invasão, com marcas de vandalismo a armazém e instalações pertencentes ao Vitória de Guimarães, por alegados adeptos do Benfica; e os graves desacatos cometidos em plena praça do Marquês, onde o Benfica celebrava a conquista do 34 º título de campeão nacional de futebol.

Sobre o tratamento dado a estes lamentáveis actos de violência, e referente não directamente ao PÚBLICO, mas aos meios de comunicação em geral, José Valle de Figueiredo remete para o meu correio uma crítica bastante contundente: “Sinceramente, gostava que se tivesse falado mais dos actos de quase guerrilha urbana no Marquês em Lisboa, e no assalto ao armazém de equipamento desportivo em Guimarães, do que na acção do graduado policial à saída do estádio do Vitória.

Mas com o ?”?jornalixo?”?que temos, não seria de esperar outra coisa. Poderia aqui discutir a insensatez da hierarquia policial em mobilizar o escalão do Corpo de Intervenção para a segurança do jogo, pois é dos livros que tal medida cria, logo à partida, situações incontroláveis. No Estado Arbitrário em que vivemos, já se sabe o que poderá vir daí. Mas o problema mais grave é a desproporção absoluta no tratamento dado aos “actores” dos desacatos, em que os muitos meliantes envolvidos quase passaram e passam incólumes pelos pingos da “chuva”… Entretanto, o problema é que vamos olhando para tudo isto com a capacidade de indignação cada vez mais reduzida. É a informação teleguiada a que temos “direito”…”

  1. O meu comentário

Compreendo as justificáveis posições dos leitores em relação ao reclamado “excessivo espaço” e ao esquecimento de outras modalidades. Ainda por cima, os lamentáveis acontecimentos do final da noite marcaram uma desproporção com o dossier preparado antecipadamente e referente ao campeão Benfica. É habitual o PÚBLICO dedicar dossiers especiais a acontecimentos relevantes no campo cultural e social. E conquistar um título de campeão em futebol, um facto efectivamente social e cultural, justifica um tratamento especial.

Quanto ao esquecimento de outras modalidades, a justificação já dada a este leitor, no PÚBLICO de 23.03.2014, repete-se. Como então reconhecia o editor de Desporto, Jorge Miguel Matias, o número de jornalistas nesta secção é reduzido e não obstante a solícita cooperação de colaboradores externos, é indesmentível a insuficiente cobertura de outras modalidades.

Relativamente aos lamentáveis actos de violência. Efectivamente, o espancamento sobre o cidadão José Magalhães centrou uma maior atenção jornalística, como foi o caso do próprio PÚBLICO. Possivelmente, pela agressão desproporcionada de um polícia que parecia de cabeça perdida e pelo envolvimento de uma criança que, com certeza, jamais esquecerá este reprovável acto, de consequências, porventura, de difícil recuperação. Este caso ainda ontem foi objecto de um lúcido artigo da jornalista São José de Almeida, no seu comentário A Semana Política. Aliás, já na edição de 19.05.2015, merecera um texto assinado pelos jornalistas Pedro Sales Dias e Ana Henriques.

No que diz respeito aos actos de vandalismo praticados em Guimarães e no Marquês nota-se, de facto, uma relativa e muito criticável desvalorização dos acontecimentos. Admito que, no PÚBLICO de segunda-feira, 18 de Março, fosse difícil comentar o sucedido, pois a edição fechou antes do pandemónio que se desencadeou no Marquês. E, sinceramente, a pequena referência aos casos no Editorial de 20.05.2015, sob o título Algo correu muito mal no Marquês, é insuficiente. Em minha opinião, o PÚBLICO deveria dedicar também um completo dossier a este fenómeno de como é que formas de vandalismo se acobertam nas manifestações desportivas e nas claques sem as quais (aí está a minha defesa) o espectáculo desportivo seria sempre menos alegre. E já agora aos disfarçados instigadores dessa violência que pululam por a

José Manuel Paquete de Oliveira, Provedor do Leitor do jornal “Público” 24 maio 2015

Sobre información local, isobaras y el Ibex 35

El nuevo diseño de EL PAÍS ha provocado una reacción sin precedentes en los lectores y suscriptores de la edición impresa. No tanto por los cambios formales, como por los cambios de contenido que introduce. A la queja por la reducción del espacio para cartas de los lectores, y a la protesta masiva por la práctica ausencia de la programación de televisión, que el director atendió de inmediato, -el miércoles se recuperó buena parte de la misma, y muchos lectores me han escrito para agradecer esta decisión- le han seguido, en días posteriores, otras críticas que quiero recoger aquí.

El día 17 de mayo dediqué mi artículo de la edición impresa a recoger las protestas arriba mencionadas. Esta semana he seguido recibiendo mensajes sobre el nuevo formato, centrados en otros aspectos del mismo. La queja más frecuente ha sido la relacionada con la desaparición de las páginas de información local. Muchos lectores de Andalucía, País Vasco, Comunidad Valenciana y Galicia se han dirigido a mí para preguntar qué ha ocurrido con estas páginas ya que ahora sólo pueden acceder a la edición nacional. Se queja de ello, Luciano Rona, que echó en falta de inmediato la información de su comunidad: Galicia. “Información que es del mismo interés que el resto”, me escribe. “Como considero que la opinión de los lectores puede y debe ser de interés para la dirección del periódico, aporto este granito de arena, esperando puedan si así lo creen conveniente, reconducir en algunos puntos las modificaciones realizadas”.

Abunda en lo mismo María Luz Uranga: “Soy suscriptora vasca desde hace varios años y he recibido el nuevo diseño de EL PAÍS con una gran sorpresa: han sido eliminadas las páginas de información del País Vasco. Hace unos años este periódico ofrecía un suplemento central para esta comunidad; fue suprimido. Y ahora nos dejan sin información local. Creo que es un gran error que, incluso podría inducir al descenso de ventas o, incluso, perder suscriptores, como podría ser mi caso, pues me lo estoy planteando”. Desde esa misma comunidad autónoma, Beatriz Gomedio señala: “No entiendo la desaparición de esta información pues cada comunidad tiene noticias propias que creo es imprescindible incluir”.

Alberto Menéndez, en el otro extremo de la geografía española, se lamenta de lo mismo: “Este lunes 11 de mayo quedé sorprendido por el cambio profundo realizado en el diseño del periódico y, aunque en parte empiezo a readaptarme, echo de menos bastantes cosas. La principal: han desaparecido las varias hojas que se venían dedicando a noticias y política de Andalucía. Como no estoy dispuesto a comprar dos periódicos al día, con gran pena empiezo a considerar la idea de dejar de comprar EL PAÍS. ¿Tendrá esto solución?”

Otro lector que firma su mensaje pero me pide anonimato, se queja también de la reducción gradual de las páginas dedicadas a Andalucía, hasta su actual desaparición. “Sin embargo”, escribe, “ustedes mantuvieron y mantienen una magnifica guía del ocio para Madrid, no sé si también para otras capitales, y negaron y lo siguen haciendo una mínima información cultural para los que somos de provincias, sí, así se decía antes: de provincias. Como si hubiera lectores de primera y de tercera. Pensé entonces en dejar de comprar su periódico del que hoy soy suscriptor y siempre lector desde hace treinta y nueve años, cuando estando en Madrid estuve toda una mañana esperando un periódico que no terminaba de salir y del que apenas en tanto tiempo habré dejado de adquirir más de cien días en total. Si no lo he hecho ha sido, como comprenderá, por sentimentalismo”.

Carlos Miranda, se expresa así en su correo: “Como lector habitual desde hace muchos años, y como suscriptor desde hace menos, no puedo por menos que lamentar la desaparición de la página o páginas que recogían la información de mi comunidad (Galicia). A través de EL PAÍS podíamos enterarnos de las corruptelas que en esta autonomía -como en tantas otras- practicaban y siguen haciéndolo los políticos y sus partidos. Es comúnmente conocido el clientelismo que funciona por estas tierras (antes, y en denominación que no ha perdido vigencia, caciquismo) y que hallaba en las denuncias de EL PAÍS el correspondiente eco, mucho más que en otras cabeceras, habitualmente subvencionadas con generosidad por los gobiernos de turno, y que solo reflejaban estos casos una vez que EL PAÍS los sacaba a luz pública. Ahora, la carencia de esta edición nos deja huérfanos de esta información y, hay que decirlo, el periódico pierde capacidad de compromiso con el lector”.

Y Salvador Contell: “Mi queja como lector, ya que sigo comprando y leyendo EL PAÍS, es que llevo comprobando que los periódicos que se venden en Valencia son la edición nacional y no la de la Comunidad Valenciana como hasta ahora. Pude entender que hace un año con motivo de la crisis pasaran de tener un cuadernillo sobre la Comunitat Valenciana a, simplemente, dos páginas, pero que no tener absolutamente nada y no saber lo que pasa en mi ciudad y en mi comunidad autónoma no es de recibo”.

EL PAÍS seguirá informando de los hechos relevantes que ocurran en estas comunidades, pero comprendo que para muchos lectores acostumbrados a un par de páginas de noticias locales la pérdida es sensible.

He recibido también mensajes de lectores descontentos con los cambios en la sección de Economía: “¿Por qué en la página de economía, antes se informaba del Ibex 35, así como del resto de valores, divisas, tipos oficiales etc. y la información actual es mucho más reducida? Si para conocer la cotización de Aena o Elecnor por ejemplo, tengo que acudir a otras fuentes de información, no necesito EL PAIS”, escribe Vicente Álvarez.

Y  Carlos Hoyos abunda en los mismo: “La información bursátil ha continuado su empequeñecimiento, en este caso de manera notable ya que además de ser muy pobre la información, solo el Ibex, el tamaño de la letra del índice parece que se ha hecho a mala idea”.

Respecto a los nuevos mapas del tiempo, una lectora, Pilar Sanz Bahón, señala: “Los mapas del pronóstico meteorológico carecen de las isobaras y su presión atmosférica correspondiente. Esto último me parece lo más importante ya que nos permite hacernos una idea (ligera) de lo que puede ocurrir en los próximos días”. No es la única que echa en falta las isobaras. Álvaro Sáenz de Valicourt, escribe: “La información meteorológica ha quedado banalizada al máximo con la supresión de la foto del satélite y el mapa de isobaras. Ahora todo se fía a esos simplones iconos de solecitos, nubecillas y “huevos fritos” que no explican de por sí los motivos de lo que se prevé que sucederá”.

Varios lectores opinan que la sección de Deportes prima demasiado el fútbol. Y sólo determinados equipos. “Más de una página sobre si va a seguir un entrenador o se va de un club, olvidándose por completo, o apenas informando, de tenis, o Giro de Italia, por poner algún ejemplo”, escribe Carlos Martín. Y añade: “Anteriormente, los lunes, en una sola página, venía absolutamente toda la información de la 1ª división, en la que podías ver todos los resultados habidos hasta el momento, cuándo y con quién quedaba por jugar cada equipo, goleadores, tarjetas, faltas, etc.  Es decir, una información completísima en una sola hoja que llevada en el bolsillo, dilucidaba muchas discusiones en muchas tertulias.  Han eliminado los grupos de 2ª. B, y para colmo ayer día 19, se jugaron partidos de 2ª  y no publican hoy sus resultados”.

.Otro lector, Teodoro Gonzalo apunta: “No me gusta la nueva información deportiva, donde han quitado los cuadros estadísticos de los lunes de la liga de fútbol, así como la reducción a mínimos en otros deportes como automovilismo, motorismo etcétera”.

Tengo que precisar que también me han llegado algunas cartas de lectores que aplauden el nuevo diseño. Aún así, son elogios teñidos de críticas, como los que hace León Caballero, suscriptor y lector de este periódico desde el primer número. “El nuevo formato, me parece mejor que el anterior”, escribe, pero no deja de lamentar que el cambio haya tenido costes, como ver reducida la sección de Cartas al Director, que le interesa enormemente.

Lola Galán, Defensora del Lector “El País” 22 maio 2015

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