{"id":7438,"date":"2013-01-06T07:54:08","date_gmt":"2013-01-06T07:54:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=7438"},"modified":"2013-01-06T02:03:17","modified_gmt":"2013-01-06T02:03:17","slug":"bruxos-e-aprendizes-de-feiticeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=7438","title":{"rendered":"Bruxos e aprendizes de feiticeiro"},"content":{"rendered":"<p>Recebi um surpreendente mail que anda a circular pela Net. Diz assim, sem tirar nem p\u00f4r:<br \/>\n\u201cCredo!!!!! \u00a0 O homem \u00e9 bruxo !!!!!!!\u201d<br \/>\n&#8220;Dizia ele 15 anos antes&#8230;<\/p>\n<p><em>\u00abA moeda \u00fanica \u00e9 um projecto ao servi\u00e7o de um direct\u00f3rio de grandes pot\u00eancias e de consolida\u00e7\u00e3o do poder das grandes transnacionais, na guerra com as economias americanas e asi\u00e1ticas, por uma nova divis\u00e3o internacional do trabalho e pela partilha dos mercados mundiais.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>A moeda \u00fanica \u00e9 um projecto pol\u00edtico que conduzir\u00e1 a choques e a press\u00f5es a favor da constru\u00e7\u00e3o de uma Europa federal, ao congelamento de sal\u00e1rios, \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o de direitos, ao desmantelamento da seguran\u00e7a social e \u00e0 desresponsabiliza\u00e7\u00e3o crescente das fun\u00e7\u00f5es sociais do Estado.\u00bb<\/em><\/p>\n<p><em>Carlos Carvalhas, Secret\u00e1rio-geral do PCP<\/em><br \/>\n<em>\u00abInterpela\u00e7\u00e3o do PCP sobre a Moeda \u00danica\u00bb, 1997<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pois bem: j\u00e1 sabemos, desde h\u00e1 muito \u2013 depois de os media tanto nos azucrinarem os ouvidos \u2013 que os comunas s\u00e3o uns exagerados, uns extremistas que s\u00f3 protestam e est\u00e3o sempre a mentir-nos com a famosa cassete que trazem no bolso (para al\u00e9m de \u00a0j\u00e1 terem comido criancinhas ao pequeno almo\u00e7o e dado injec\u00e7\u00f5es atr\u00e1s da orelha aos velhos). Assim, \u00a0n\u00e3o acreditei que o sr. Carvalhas, na altura Secret\u00e1rio-Geral do PCP, tivesse dito aquilo. S\u00f3 se fosse bruxo, o que eu nunca tinha ouvido dizer.<\/p>\n<p>Vai da\u00ed, pus-me em campo e fui consultar os di\u00e1rios das sess\u00f5es da Assembleia da Rep\u00fablica. E, espanto dos espantos, n\u00e3o \u00e9 que esse tal de Carvalhas, que na verdade at\u00e9 parece bruxo, disse aquilo e muito mais?<\/p>\n<p>Cito alguns excertos, poucos, dessa Interpela\u00e7\u00e3o do PCP ao Governo de Guterres sobre Moeda \u00danica, feita na Assembleia da Rep\u00fablica em 19 de Mar\u00e7o de 1997 \u2013 lamentando que os media de hoje n\u00e3o se preocupem com a mem\u00f3ria e a hist\u00f3ria, nem que seja para lembrar que, mesmo na pol\u00edtica, h\u00e1 perigosos bruxos que adivinham e anjos que s\u00e3o uns pobres aprendizes de feiticeiro.<\/p>\n<p><em>Ribeiro Cardoso<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vejamos ent\u00e3o o que disse Carvalhas h\u00e1 15 anos:<\/p>\n<p><em>\u00a0(\u2026) Acusamos o Primeiro-Ministro e o Governo de com a sua f\u00e9 cega nos dogmas de Maastricht e da participa\u00e7\u00e3o na moeda \u00fanica espoliarem o Pa\u00eds do poder soberano de utilizar os instrumentos monet\u00e1rio e or\u00e7amental para enfrentar situa\u00e7\u00f5es de crise, impondo assim que todos os custos recaiam inevitavelmente sobre os trabalhadores, atrav\u00e9s do aumento do desemprego e do congelamento ou redu\u00e7\u00f5es salariais; sobre os reformados e sobre muitos e muitos pequenos e m\u00e9dios empres\u00e1rios. <\/em><\/p>\n<p><em>Acusamos o Primeiro-Ministro e o Governo de, atrav\u00e9s da moeda \u00fanica, pretenderem amarrar Portugal a uma evolu\u00e7\u00e3o federalista da Uni\u00e3o Europeia, sem que para tal tenham mandato dos portugueses. <\/em><\/p>\n<p><em>E acusamos o Primeiro-Ministro e o Governo de, pela recusa de um referendo sobre a moeda \u00fanica e sobre o Tratado da Uni\u00e3o Europeia, se concertarem com a direc\u00e7\u00e3o do PSD para deliberadamente manterem os cidad\u00e3os \u00e0 margem de uma decis\u00e3o que, indisfar\u00e7avelmente, afectar\u00e1 profundamente o futuro dos portugueses e do Pa\u00eds. Ali\u00e1s n\u00e3o constando sequer do Tratado da Uni\u00e3o Europeia o Governo aceitou h\u00e1 poucos meses o chamado &#8220;Pacto de estabilidade&#8221; que prev\u00ea san\u00e7\u00f5es que poder\u00e3o ser muito lesivas para o nosso pa\u00eds que tem uma economia fr\u00e1gil, sem qualquer debate pr\u00e9vio e sem qualquer mandato do povo portugu\u00eas. Um &#8220;Pacto&#8221; imposto pela Alemanha que subserviente e levianamente o Governo assinou em nome dos portugueses e de Portugal. <\/em><\/p>\n<p><em>E quando se questiona o Governo sobre as consequ\u00eancias para o nosso aparelho produtivo, para as pequenas e m\u00e9dias empresas n\u00e3o exportadoras, ou sobre quem vai pagar os custos operativos da introdu\u00e7\u00e3o do &#8220;Euro&#8221;, cada Banco, ou mesmo no pequeno com\u00e9rcio a resposta \u00e9 inevitavelmente a mesma: <span style=\"text-decoration: underline;\">n\u00e3o h\u00e1 outro caminho, n\u00e3o h\u00e1 outra solu\u00e7\u00e3o. <\/span><\/em><\/p>\n<p><em>Depois quando o desemprego explodir, e ele j\u00e1 \u00e9 bem superior ao que as manobras estat\u00edsticas revelam, ent\u00e3o l\u00e1 teremos as desculpas dos constrangimentos externos&#8230; <\/em><\/p>\n<p><em>A verdade \u00e9 que o Governo do eng. Guterres e o PS, irmanados com o PSD, decidiram desde o princ\u00edpio que o Pa\u00eds tem de querer a moeda \u00fanica e o Tratado de Maastricht. E \u00e9 a esse querer unilateral e autorit\u00e1rio que o eng. Guterres e o Governo apelidam de &#8220;des\u00edgnio nacional&#8221;. <\/em><\/p>\n<p><em>(\u2026) As grandes decis\u00f5es que, como esta, afectam profundamente o curso hist\u00f3rico do nosso Pa\u00eds, carecem indubitavelmente de uma legitima\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica qualificada. <\/em><\/p>\n<p><em>Mas para mat\u00e9ria t\u00e3o decisiva o t\u00e3o celebrado \u00abdi\u00e1logo\u00bb j\u00e1 n\u00e3o faz parte dos atributos do Governo. Temos sim o diktat do &#8220;Pensamento \u00danico&#8221; e dos compromissos do governo PS. \u00c9 caso para perguntar: de que tem medo o PS? Que raz\u00f5es existem para t\u00e3o grande falta de autoconfian\u00e7a nas virtudes desse para\u00edso anunciado que vos leva a proibir, nos termos constitucionais, que o povo portugu\u00eas seja chamado, por<br \/>\nreferendo &#8211; como o PCP prop\u00f5e &#8211; a pronunciar-se sobre a moeda \u00fanica? Se s\u00f3 temos vantagens com o &#8220;euro&#8221;, se tudo \u00e9 &#8220;cor de rosa&#8221;, e &#8220;o\u00e1sis&#8221; porqu\u00ea ter medo que seja o povo a decidir? <\/em><\/p>\n<p><em>Argumenta o Sr. Primeiro-Ministro com os mercados que fustigariam o escudo! Bela desculpa. Os mercados, Sr. Primeiro-Ministro, n\u00e3o s\u00e3o entidades abstractas, t\u00eam rosto,<br \/>\ns\u00e3o os Bancos, \u00e9 o capital financeiro. T\u00eam rosto mas n\u00e3o t\u00eam certid\u00e3o de eleitor. Ou ser\u00e1 que o governo PS entende que os mercados devem decidir pelo povo portugu\u00eas? Pela nossa parte rejeitamos a teologia economicista que confia aos &#8220;mercados&#8221; o Governo de Portugal. <\/em><\/p>\n<p><em>Nenhum governo tem legitimidade ou est\u00e1 mandatado para suprimir a moeda nacional e substitu\u00ed-la por uma moeda \u00fanica da Uni\u00e3o Europeia imposta pelos interesses do eixo franco-alem\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p><em>O Governo e o PS (tal como o PSD) n\u00e3o querem o referendo porque n\u00e3o querem o debate, e n\u00e3o querem o debate porque t\u00eam receio de que a sua propaganda seja contestada, porque sabem que aquilo que apregoam a favor do euro \u00e9 uma mistifica\u00e7\u00e3o, porque o seu di\u00e1logo, \u00e9 um di\u00e1logo de sentido \u00fanico, s\u00f3 para falarem mas n\u00e3o para ouvirem, e muito menos para considerarem o que ouvem. <\/em><\/p>\n<p><em>Porque o PS (e o PSD) sabe que a moeda \u00fanica e o caminho seguido p\u00f5e em causa e subalterniza o princ\u00edpio da &#8220;coes\u00e3o econ\u00f3mica e social&#8221;, tem p\u00e9s de barro e os ditos crit\u00e9rios n\u00e3o t\u00eam qualquer fundamento econ\u00f3mico ou cient\u00edfico. <\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 um caminho para mais desemprego e subemprego, que fragiliza e p\u00f5e em causa o aparelho produtivo nacional e o futuro soberano e democr\u00e1tico de Portugal. <\/em><\/p>\n<p><em>A moeda \u00fanica fragiliza e p\u00f5e em causa o aparelho produtivo nacional. <\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 ou n\u00e3o verdade que a moeda \u00fanica, um euro feito, como \u00e9 inevit\u00e1vel, \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a do marco, supervalorizado em rela\u00e7\u00e3o ao curso normal do escudo, vai tornar ainda mais dif\u00edcil a competitividade dos produtos portugueses nos mercados<br \/>\neuropeu e mundial quando confrontados com os nossos principais concorrentes, os pa\u00edses fora da zona do euro, os pa\u00edses asi\u00e1ticos, os pa\u00edses do continente americano, com as suas moedas e taxas de c\u00e2mbio pr\u00f3prias? <\/em><\/p>\n<p><em>No mercado comunit\u00e1rio, incluindo no mercado nacional, face \u00e0 menor efici\u00eancia da nossa economia, os produtos portugueses ou aparecer\u00e3o mais caros e as empresas ter\u00e3o dificuldades acrescidas na venda, ou ter\u00e3o pre\u00e7os semelhantes aos de outros pa\u00edses comunit\u00e1rios e as empresas portuguesas vender\u00e3o com margens cada vez menores ou mais certamente pela redu\u00e7\u00e3o relativa dos sal\u00e1rios. <\/em><\/p>\n<p><em>A moeda \u00fanica \u00e9 um instrumento de aprofundamento do mercado \u00fanico e de desregulamenta\u00e7\u00e3o das fronteiras. Muitas e muitas empresas, bem como os agricultores portugueses, que vendem para o mercado nacional, v\u00e3o confrontar-se tamb\u00e9m com a acelera\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es feitas com mais baixos custos cambiais e portanto com uma ainda maior substitui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o nacional por produ\u00e7\u00e3o estrangeira. O encerramento de empresas e a crise em muitos sectores ser\u00e3o a consequ\u00eancia l\u00f3gica de tal processo. Seria por isso de grande interesse que o governo nos dissesse aqui como \u00e9 que a economia portuguesa vai aguentar o duplo choque a que vai estar submetida: o choque da moeda \u00fanica e o choque da crescente abertura ditada pela O.M.C. <\/em><\/p>\n<p><em>A moeda \u00fanica e os crit\u00e9rios de Maastricht s\u00e3o um factor de aumento do desemprego. <\/em><\/p>\n<p><em>A livre circula\u00e7\u00e3o de capitais &#8211; facilitada e dinamizada pela moeda \u00fanica &#8211; em condi\u00e7\u00f5es de relativa aproxima\u00e7\u00e3o m\u00e9dia das taxas de juro, vai impulsionar a deslocaliza\u00e7\u00e3o do<br \/>\ndinheiro, dos investimentos, das empresas, para as regi\u00f5es da Comunidade Europeia com maiores produtividades e dinamismo econ\u00f3mico. <\/em><\/p>\n<p><em>A vantagem \u00abcomparativa\u00bb que o Governo do PS se prepara para oferecer \u00e9 uma for\u00e7a de trabalho mais barata, com menos garantias sociais. <\/em><\/p>\n<p><em>A\u00ed vir\u00e3o os apelos e as chantagens sobre os trabalhadores para pol\u00edticas ditas de modera\u00e7\u00e3o salarial, de aumento da desregulamenta\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho, de mais precariedade, de maior facilidade de despedimento, de mobilidade dos trabalhadores, de menor protec\u00e7\u00e3o social. E isto num pa\u00eds onde os lucros das grandes empresas est\u00e3o em alta e o investimento em baixa, onde cerca de 50% da m\u00e3o de obra tem v\u00ednculos prec\u00e1rios e onde se mant\u00eam as artimanhas governamentais para que as 40 horas n\u00e3o sejam cumpridas! <\/em><\/p>\n<p><em>(\u2026 ) A moeda \u00fanica n\u00e3o vai dar mais voz a Portugal. Bem pelo contr\u00e1rio. A moeda \u00fanica vai entregar a condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria e cambial, da pol\u00edtica fiscal e da<br \/>\npol\u00edtica econ\u00f3mica ao Banco Central Europeu, omnipotente e intoc\u00e1vel, em cujas decis\u00f5es executivas dominadas pelo eixo franco-alem\u00e3o, Portugal n\u00e3o participa. <\/em><\/p>\n<p><em>(\u2026) Como afirma recentemente um relat\u00f3rio do Conselho da Europa, o \u00abd\u00e9fice democr\u00e1tico que existe no seio da Uni\u00e3o Europeia agravar-se-\u00e1 de maneira intoler\u00e1vel\u00bb. <\/em><\/p>\n<p><em>Portugal perde um elemento constitutivo da sua soberania nacional. Como parente pobre e subalterno a voz do pa\u00eds n\u00e3o ter\u00e1 qualquer peso ou relevo significativo e andar\u00e1 a reboque dos interesses das grandes pot\u00eancias. <\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 sabido tamb\u00e9m que os n\u00edveis econ\u00f3micos e monet\u00e1rios tendem a aumentar o fosso entre as zonas mais desenvolvidas e as de menor desenvolvimento. A hist\u00f3ria mostra-nos que para compensar tal tend\u00eancia os governos foram obrigados a refor\u00e7ar atrav\u00e9s dos respectivos or\u00e7amentos as compensa\u00e7\u00f5es a essas regi\u00f5es. Mas no caso da Uni\u00e3o Europeia como \u00e9 sabido, os pa\u00edses ricos recusam-se a refor\u00e7ar o Or\u00e7amento comunit\u00e1rio e com o alargamento as press\u00f5es negativas ainda v\u00e3o ser maiores. Chegou a falar-se de um Fundo para o efeito, mas tal foi abandonado. <\/em><\/p>\n<p><em>(\u2026) Para o PS do Eng. Guterres &#8211; ao contr\u00e1rio de outros partidos socialistas &#8211; n\u00e3o h\u00e1 reservas, nem em rela\u00e7\u00e3o ao \u00abn\u00f3 duro\u00bb do Euro, nem a uma \u00abzona alargada\u00bb do marco, nem h\u00e1 preocupa\u00e7\u00f5es com o &#8220;Pacto de estabilidade&#8221;, nem com a submiss\u00e3o a um Banco Central feito \u00e0 medida do Bundesbank! <\/em><\/p>\n<p><em>Ao contr\u00e1rio do que se quer fazer crer h\u00e1 outros caminhos. \u00c9 poss\u00edvel uma outra constru\u00e7\u00e3o europeia de paz e coopera\u00e7\u00e3o, de co-desenvolvimento, que fa\u00e7a do princ\u00edpio da coes\u00e3o econ\u00f3mica e social o seu primeiro objectivo, que ponha em primeiro lugar o emprego e a converg\u00eancia real das economias e n\u00e3o a converg\u00eancia nominal. Uma Europa plural que ataque um dos seus mais graves problemas; o desemprego, o que passa por uma verdadeira coopera\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, pelo refor\u00e7o do Or\u00e7amento Comunit\u00e1rio, pelo financiamento de projectos comuns, pelo aproveitamento dos recursos de cada pa\u00eds e pela solidariedade rec\u00edproca. Uma Europa social, harmonizando por cima em vez de nivelar por baixo ou pelo n\u00edvel dos pa\u00edses do Terceiro Mundo as conquistas sociais. <\/em><\/p>\n<p><em>A moeda \u00fanica n\u00e3o \u00e9 um projecto de coopera\u00e7\u00e3o Europeia, n\u00e3o \u00e9 um projecto para<br \/>\no desenvolvimento das economias mais perif\u00e9ricas, e da economia portuguesa em<br \/>\nparticular. <\/em><\/p>\n<p><em>A moeda \u00fanica n\u00e3o \u00e9 um projecto para mais e melhor emprego.<\/em><\/p>\n<p><em>A moeda \u00fanica \u00e9 um projecto ao servi\u00e7o de um direct\u00f3rio de grande pot\u00eancias e de consolida\u00e7\u00e3o do poder de grandes transnacionais na guerra com as transnacionais e as economias americanas e asi\u00e1ticas, por uma nova divis\u00e3o internacional do trabalho e pela partilha dos mercados mundiais. <\/em><\/p>\n<p><em>A moeda \u00fanica \u00e9 um projecto pol\u00edtico que conduzir\u00e1 a choques e a press\u00f5es a favor da constru\u00e7\u00e3o de uma Europa federal, ao congelamento de sal\u00e1rios, \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o de direitos, ao desmantelamento da seguran\u00e7a social e \u00e0 desresponsabiliza\u00e7\u00e3o crescente das fun\u00e7\u00f5es sociais do Estado&#8230; <\/em><\/p>\n<p><em>O Primeiro-Ministro vai procurando enfeitar o seu febril fundamentalismo pela Moeda \u00danica, pela Europa pol\u00edtica, econ\u00f3mica e monet\u00e1ria, com a refer\u00eancia vaga a uma dita Europa social. <\/em><\/p>\n<p><em>Mas a Europa social que os trabalhadores e o povo portugu\u00eas reclamam n\u00e3o pode resumir-se a meras frases vazias de conte\u00fado, nem \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de uma Europa social &#8220;complementar&#8221; e de disfarce da Europa comandada pelo capital financeiro em que o &#8220;social&#8221; apenas visa favorecer uma certa resigna\u00e7\u00e3o dos trabalhadores \u00e0 pretensa inevitabilidade da baixa dos custos do trabalho. <\/em><\/p>\n<p><em>Essa concep\u00e7\u00e3o instrumental, subordinada e propagand\u00edstica do &#8220;social&#8221; na Europa da moeda \u00fanica \u00e9, ali\u00e1s, perfeitamente comprovada com o facto de a men\u00e7\u00e3o do emprego<br \/>\ncomo princ\u00edpio de valor equivalente \u00e0 estabilidade monet\u00e1ria ter sido rejeitada pelos governos dos quinze na Confer\u00eancia Inter- Governamental. Ou como, mais cruamente, a p\u00f4s a nu o presidente do Bundesbank ao afirmar que &#8220;com a moeda \u00fanica, o airbag social ser\u00e1 suprimido&#8221;. <\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;A coes\u00e3o econ\u00f3mica e social&#8221; deve ser o objectivo central de qualquer integra\u00e7\u00e3o europeia e n\u00e3o uma vulgar op\u00e7\u00e3o que se junta em \u00faltimo lugar para tornar o todo<br \/>\npublicamente apresent\u00e1vel. De nada representaria amanh\u00e3 uma gota de &#8220;social&#8221; no oceano do desemprego, da pobreza, da desregulamenta\u00e7\u00e3o, da flexibilidade, da liquida\u00e7\u00e3o de direitos e do tudo \u00e0 economia de casino que \u00e9 o que representa a Europa da moeda \u00fanica. <\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 a pr\u00f3pria l\u00f3gica da actual constru\u00e7\u00e3o europeia que est\u00e1 em quest\u00e3o\u201d. (\u2026)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebi um surpreendente mail que anda a circular pela Net. 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