{"id":5481,"date":"2012-02-27T09:41:35","date_gmt":"2012-02-27T09:41:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=5481"},"modified":"2012-02-27T09:41:35","modified_gmt":"2012-02-27T09:41:35","slug":"ongoing-ou-offgoing","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=5481","title":{"rendered":"Ongoing ou offgoing?"},"content":{"rendered":"<p>Menos de cinco meses depois de ter publicado uma dura <a href=\"http:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=4729\">entrevista com Nuno Vasconcellos<\/a>, o jornal &#8220;P\u00fablico&#8221; faz uma s\u00edntese do percurso da Ongoing e sugere que a empresa \u00abentrou em agonia\u00bb.<br \/>\n\u00c9 uma longa e pormenorizada hist\u00f3ria, que ajuda a perceber as rela\u00e7\u00f5es nem sempre claras entre a pol\u00edtica, a economia e os grupos de media. Ou as guerras entres eles e de como uns se servem dos outros.<br \/>\n\u00c9 de esperar que o &#8220;P\u00fablico&#8221; fa\u00e7a o mesmo interessante trabalho em rela\u00e7\u00e3o a outros grupos. Assim o deixa entender esta investiga\u00e7\u00e3o a um grupo que n\u00e3o tem televis\u00f5es, nem r\u00e1dios, nem jornais de expans\u00e3o nacional e, como diz, \u00abentrou em agonia\u00bb. <strong>(JAG)<\/strong><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h2>Seis anos depois,<\/h2>\n<h2>o grupo de Vasconcellos e Mora entrou em decl\u00ednio?<\/h2>\n<p><em>Por Cristina Ferreira<\/em><\/p>\n<p>O projecto de Rafael Mora e Nuno Vasconcellos para criar um grande grupo de telecomunica\u00e7\u00f5es, media e tecnologias pode ter entrado em agonia. A crise mundial p\u00f4s em evid\u00eancia as fragilidades da Ongoing. A PT, que tem sido a sua bomba de oxig\u00e9nio, j\u00e1 anunciou que ser\u00e1 menos generosa com os accionistas. Mora, considerado o estratego, afastou-se dos holofotes. Vasconcellos continua a dar a cara pelo projecto, Ant\u00f3nio Mexia, o homem forte da EDP, tem sido um dos grandes apoiantes de Vasconcellos e Mora, cujos servi\u00e7os de consultoria procura desde que esteve na Galp nos anos 90. &#8220;Percebi que Mora \u00e9 muito inteligente e competente.(&#8230;) J\u00e1 pelo Nuno tenho apre\u00e7o&#8221; pela tentativa de recuperar o grupo familiar, diz Eduardo Catroga. Joe Berardo \u00e9 amigo dos dois s\u00f3cios e diz sobre a Ongoing: &#8220;Tudo aquilo \u00e9 um bocado estranho. O que eu sei \u00e9 que o segredo dos neg\u00f3cios \u00e9 sempre a informa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>Nuno Vasconcellos e Rafael Mora t\u00eam sido aves migrat\u00f3rias: ora est\u00e3o em Lisboa, ora est\u00e3o em S\u00e3o Paulo ou no Rio de Janeiro. A seguir rumam a Madrid. E j\u00e1 foram a Pequim. S\u00e3o o s\u00edmbolo de uma \u00e9poca, marcada pelo culto da imagem e do dinheiro f\u00e1cil, pela busca de influ\u00eancia. Os bastidores da actividade da Ongoing (que det\u00e9m o Di\u00e1rio Econ\u00f3mico) sempre despertaram curiosidade. Come\u00e7ou por ser um ve\u00edculo do BES na Portugal Telecom mas, com o tempo, foi escapando \u00e0 sua \u00f3rbita. Nos \u00faltimos meses, surgiu envolvida em pol\u00e9micas que juntam partidos, ma\u00e7onaria e ex-espi\u00f5es. Bem ao estilo de M\u00e1rio Conde, que, nos anos 1980, &#8220;fascinou toda uma sociedade durante sete anos&#8221;, como se l\u00ea em O Banqueiro de Rapina, cr\u00f3nica secreta de M\u00e1rio Conde, de Ernesto Ekaiser.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que as influ\u00eancias criam solidariedades, mas n\u00e3o resolvem os problemas. A ambi\u00e7\u00e3o pode ser trai\u00e7oeira? Os amigos desvalorizam as cr\u00edticas. Outros sorriem quando o tema \u00e9 a Ongoing. Um financeiro considera: &#8220;A montanha pariu um rato.&#8221;<\/p>\n<p>O estilo de actua\u00e7\u00e3o de Mora e Vasconcellos ou afasta ou aproxima. Quando est\u00e3o em causa os seus interesses, fazem sair a artilharia pesada. Implac\u00e1veis.<\/p>\n<p>Para este retrato da empresa, o P\u00daBLICO tentou v\u00e1rias vezes obter esclarecimentos de Nuno Vasconcellos e Rafael Mora, presidente e vice-presidente da Ongoing, que n\u00e3o se mostraram dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Ao longo de v\u00e1rios meses, para compreender a sua ascend\u00eancia mete\u00f3rica, o P\u00daBLICO interrogou amigos, colaboradores, personalidades que, por diferentes raz\u00f5es, com eles se cruzaram. Ant\u00f3nio Ramalho, Jos\u00e9 Galamba de Oliveira, Eduardo Catroga, Al\u00edpio Dias, Cunha Vaz, Carlos Barbosa, Filipe Pinhal, Joe Berardo, Alfredo Casimiro, Raul Mascarenhas, Miguel Relvas foram alguns dos que aceitaram prestar declara\u00e7\u00f5es. Houve quem declinasse. O padrinho de casamento de Mora, Lu\u00eds S\u00e1 Couto, \u00e0 frente da Andersen Consulting nos anos 1990, foi contactado, mas n\u00e3o atendeu o telefone. Outros n\u00e3o compareceram a encontros.<\/p>\n<p>Antes de come\u00e7ar a desfiar as contas deste ros\u00e1rio, h\u00e1 que recuar at\u00e9 ao final da d\u00e9cada de 1980. S\u00f3 assim se pode tra\u00e7ar o perfil dos dois gestores. Com a ades\u00e3o de Portugal \u00e0 CEE, a economia liberalizou-se e o neg\u00f3cio das consultoras prosperou. A atmosfera era de forte press\u00e3o competitiva. Em 1989, Cavaco Silva, ent\u00e3o primeiro-ministro, p\u00f4s em marcha o programa de privatiza\u00e7\u00f5es, vendendo parte do Totta &amp; A\u00e7ores.<\/p>\n<p>Em Espanha, o banqueiro M\u00e1rio Conde era o homem do momento. Aos 39 anos j\u00e1 liderava o Banesto, em confronto com as fam\u00edlias tradicionais. Os jovens idolatravam-no.<\/p>\n<p>Foi nessa \u00e9poca que Vasconcellos, que hoje tem 47 anos, e Rafael Mora, alguns meses mais novo, se conheceram em Lisboa, na Andersen Consulting (AC), actual Accenture. Vasconcellos viveu na B\u00e9lgica e nos EUA, dos 11 aos 18 anos. Mora \u00e9 licenciado em Economia e Gest\u00e3o pela Universidade de M\u00e1laga, filho de um m\u00e9dico. Antes de aterrar em Lisboa, h\u00e1 men\u00e7\u00e3o a uma breve passagem pelos A\u00e7ores, a prestar servi\u00e7os na empresa de electricidade, a EDA, onde, apurou o P\u00daBLICO, n\u00e3o deixou marca. &#8220;N\u00e3o era vulgar um espanhol pedir para vir trabalhar para Lisboa quando os neg\u00f3cios estavam em Madrid. Por isso nunca percebemos como chegou a Lisboa ou se a decis\u00e3o partiu dele&#8221;, contou um ex-colega da AC, que vive no estrangeiro: &#8220;Mora destacava-se por ser arguto e mostrar uma intelig\u00eancia fora do habitual. Como era espanhol, falava muito e muito alto. Era imposs\u00edvel n\u00e3o se dar por ele.&#8221; J\u00e1 Vasconcellos &#8220;passava despercebido&#8221;.<\/p>\n<p>A chegada de Mora a Lisboa coincidiu com a vontade de Madrid de incentivar os empres\u00e1rios locais a avan\u00e7ar para Portugal. Entre 1990 e 1993, M\u00e1rio Conde comprou ac\u00e7\u00f5es do Totta &amp; A\u00e7ores e, nos bastidores, disputou o controlo \u00e0 revelia do Governo portugu\u00eas. A meta era criar um grande banco ib\u00e9rico.<\/p>\n<p>Em 1992, Mora e Vasconcellos foram destacados para prestar servi\u00e7os no Totta. Al\u00edpio Dias era o presidente: &#8220;Eram trabalhadores, tinham vis\u00e3o e davam sugest\u00f5es. Eram baratinhos. Mas Mora era malandreco e picava o Nuno, que era at\u00e9 quem levantava muitas quest\u00f5es, mas n\u00e3o sobressa\u00eda.&#8221; O &#8220;Mora [chefe de Vasconcellos] era sagaz e tinha jogo de cintura, o que \u00e9 importante neste mundo, enquanto o Nuno era mais puro&#8221;. O ex-CEO lembra que &#8220;tinham \u00e2nsia de progredir e iam sempre ao encontro do que o cliente lhes pedia. Se querem b\u00f3nus, d\u00e3o b\u00f3nus&#8221;. Quinze anos ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o, os dois distinguiam-se &#8220;por se apresentarem muito penteadinhos&#8221;, com o look molhado dos yuppies nova-iorquinos, estrelas em Wall Street. A Mora, nos corredores do Totta havia quem lhe chamasse &#8220;El Gominas&#8221; (&#8220;O Brilhantina&#8221;), inspirado em M\u00e1rio Conde, que usava gel no cabelo.<\/p>\n<p>O c\u00e9lebre banqueiro espanhol, hoje todos sabemos, navegava em \u00e1guas turvas. Foi actor de uma novela que envolveu mulheres e conspira\u00e7\u00f5es, ma\u00e7ons, pol\u00edticos e secretas, que usava para espiar os rivais e recolher informa\u00e7\u00f5es sobre os neg\u00f3cios em que se envolvia. Na sua \u00e2nsia pelo poder, Conde (autor das &#8220;supercontas&#8221; que tanto furor fizeram) n\u00e3o dispensou a tomada de posi\u00e7\u00f5es na comunica\u00e7\u00e3o social. Detido em 1994, por gest\u00e3o danosa, saiu em liberdade em 1999.<\/p>\n<p>Al\u00edpio Dias, aliado de Conde na luta pelo dom\u00ednio do Totta, considera o banqueiro espanhol &#8220;um estratego brilhante&#8221; e d\u00e1 como prov\u00e1vel que tenha sido uma &#8220;inspira\u00e7\u00e3o&#8221; para os dois jovens quadros da AC. Hoje, v\u00ea &#8220;ingredientes comuns&#8221; na estrat\u00e9gia seguida pela Ongoing.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 um ano, cruzei-me com o Nuno na Quinta Pati\u00f1o e disse-lhe: &#8220;Tiro-vos o chap\u00e9u. Voc\u00eas t\u00eam tido um percurso fant\u00e1stico&#8221;&#8221;, conta. E lamenta &#8220;n\u00e3o ter tido a arg\u00facia de prever a influ\u00eancia que iam ter. Foi falha minha&#8221;.<\/p>\n<p>Nos meses que antecederam a sa\u00edda de Mora e de Vasconcellos da AC, &#8220;fomo-nos apercebendo de que eles estavam a preparar qualquer coisa, mas n\u00e3o sab\u00edamos o qu\u00ea. Apenas contaram que havia um nicho de mercado mal explorado e que iam apostar nele&#8221;. O actual presidente da Accenture em Portugal, Jos\u00e9 Galamba de Oliveira, acrescenta: &#8220;Tivemos pena, pois eram excelentes profissionais. Pessoalmente, gostei imenso de trabalhar com o Nuno, que se dedicava de corpo e alma ao trabalho. Com o Mora, trabalhei menos.&#8221;<\/p>\n<p>A Andersen Consulting era, na \u00e9poca, a principal consultora, atrav\u00e9s da qual a dupla conhece muita gente. \u00c9 a\u00ed que os futuros s\u00f3cios come\u00e7am a relacionar-se com os jovens quadros da Universidade Cat\u00f3lica, que na d\u00e9cada seguinte tomam o poder.<\/p>\n<p>Em 1995, Mora faz as malas e vai para a Ray Bernelston, onde se mant\u00e9m o tempo necess\u00e1rio para lan\u00e7ar a Heidrick &amp; Struggles (H&amp;S), filial da ca\u00e7adora de c\u00e9rebros norte-americana. Pouco depois, Vasconcellos junta-se ao ex-chefe.<\/p>\n<p>O presidente da empresa Servi\u00e7os Partilhados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Raul Mascarenhas, ex-Andersen Consulting, evoca: &#8220;Fui chefe do Nuno e ele tinha todas as capacidades. Estava numa grande consultora a fazer curr\u00edculo, para depois ir gerir os neg\u00f3cios da fam\u00edlia. J\u00e1 o Rafael tornou-se amigo do Nuno e acabou por ser o seu conselheiro.&#8221; N\u00e3o \u00e9 por acaso que o Jornal de Neg\u00f3cios considerou, em 2011, Mora o 17.\u00ba mais poderoso da economia portuguesa, deixando de fora da lista Vasconcellos.<\/p>\n<p>Os dois s\u00f3cios t\u00eam um pacto de sangue. Quem os conhece bem conta que se tratam por &#8220;irm\u00e3os&#8221; e cumprimentam-se com um beijo. Mora \u00e9 o &#8220;Rafa&#8221; e o &#8220;Rafa&#8221; dirige-se, por vezes, ao s\u00f3cio por &#8220;Nuninho&#8221;.<\/p>\n<p>Raras vezes a conjuga\u00e7\u00e3o de interesses ter\u00e1 unido duas pessoas com prop\u00f3sitos t\u00e3o claros: ganhar for\u00e7a e notoriedade. O portugu\u00eas \u00e9 determinado e tem a ambi\u00e7\u00e3o de replicar a hist\u00f3ria empreendedora do av\u00f4 paterno, accionista da Sociedade Nacional de Sab\u00f5es (SNS), Jo\u00e3o Rocha dos Santos. O espanhol \u00e9 um corredor de fundo, dois passos \u00e0 frente do interlocutor. Nuno tem umarede familiar e de amizades essencial nos neg\u00f3cios. Um auditor que em 1993 se cruzou com eles n\u00e3o tem d\u00favidas: &#8220;Mora \u00e9 uma for\u00e7a da natureza com duas palavras-chave: tudo \u00e9 uma quest\u00e3o de acesso e de influ\u00eancia.&#8221; Numa primeira fase, a meta era entrar no meio dos que fazem neg\u00f3cios usando um instrumento poderoso: a H&amp;S. A partir da\u00ed, estariam criadas as condi\u00e7\u00f5es para aceder \u00e0s altas direc\u00e7\u00f5es das empresas.<\/p>\n<p><strong>Abril, 2002<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ca\u00e7a-l\u00edderes<\/strong><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Guterres passa a pasta a Dur\u00e3o Barroso. Na viragem do s\u00e9culo, o pequeno mundo da consultora come\u00e7a a estender-se \u00e0 esfera partid\u00e1ria, onde h\u00e1 margem de recrutamento de pol\u00edticos com pouca ocupa\u00e7\u00e3o. Jorge Coelho, ex-ministro das Obras P\u00fablicas de Guterres, est\u00e1 dispon\u00edvel, e aceita o convite para trabalhar na H&amp;S &#8220;at\u00e9 2006, 2007, n\u00e3o sei bem&#8221;. Coelho, que desempenhava um papel central no PS, salienta que &#8220;era muito amigo do pai do Nuno [Lu\u00eds Vasconcellos, n\u00famero dois da Impresa] e foi ele que criou as condi\u00e7\u00f5es para eu ir trabalhar com eles&#8221;. &#8220;Pelo Nuno tenho estima, pois conhe\u00e7o bem. O Mora pior, mas tenho boa opini\u00e3o&#8221;. &#8220;Nos \u00faltimos tempos n\u00e3o os tenho visto&#8221;, salienta, evitando pronunciar-se sobre as recentes pol\u00e9micas. Em 2008, Coelho entrar\u00e1 na Mota Engil.<\/p>\n<p>Em 2003, o ex-ministro de Guterres Pina Moura era deputado em regime de n\u00e3o-exclusividade. Sem posto de trabalho fora de S\u00e3o Bento, foi convidado para ser consultor da H&amp;S e transitou para a Ongoing quando foi criada. Da\u00ed a um ano assumia a presid\u00eancia da Iberdrola Portugal e um lugar na Media Capital, propriedade do grupo espanhol Prisa.<\/p>\n<p>O ex-ministro Eduardo Catroga e Mora foram apresentados h\u00e1 seis anos. &#8220;Eu pertencia ao Conselho Geral e de Supervis\u00e3o (CGS) da EDP e ele estava na H&amp;S e percebi que \u00e9 muito inteligente e competente.&#8221; O novo chairman da EDP, que participou em reuni\u00f5es de quadro da Ongoing, avan\u00e7ou que conheceu o &#8220;Nuno no Expresso e, mais tarde, atrav\u00e9s da Isabel Rocha dos Santos, minha vizinha na Comporta. Por ele, tenho apre\u00e7o, nomeadamente pela tentativa de recuperar a veia empreendedora dos antepassados&#8221;. Sobre as \u00faltimas controv\u00e9rsias, diz: &#8220;\u00c9 cedo para tirar conclus\u00f5es, mas desejo todo o sucesso, a bem da economia portuguesa.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Fevereiro, 2004<\/strong><\/p>\n<p><strong>Compromisso Portugal<\/strong><\/p>\n<p>A 10 de Fevereiro de 2004, no Convento do Beato, em Lisboa, cerca de mil quadros, entre gestores, empres\u00e1rios, advogados, pol\u00edticos, juntaram-se para assistir \u00e0 primeira conven\u00e7\u00e3o do Compromisso Portugal. Entre os que, naquela manh\u00e3, pisaram a passadeira vermelha, estiveram Mora e Vasconcellos. Um dos oradores reconhece que &#8220;havia o desejo de cortar com as gera\u00e7\u00f5es no poder e facilitar a subida dos que estavam na casa dos 40&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 claro em que contexto a H&amp;S passou a liderar os contactos com os promotores do Compromisso Portugal, mas o movimento permitia refor\u00e7ar a liga\u00e7\u00e3o aos futuros dirigentes.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que, dias depois da confer\u00eancia do Beato, a H&amp;S entrou em campo. De l\u00e1 v\u00e3o partir, nos meses seguintes, dezenas de emails a dar conta de novas iniciativas.<\/p>\n<p><strong>Junho, 2004<\/strong><\/p>\n<p><strong>Acesso \u00e0s grandes empresas<\/strong><\/p>\n<p>Dur\u00e3o Barroso estava de partida para Bruxelas, Santana Lopes assumia o poder e convida Ant\u00f3nio Mexia para ministro das Obras P\u00fablicas. Mora e Vasconcellos sabem cultivar as rela\u00e7\u00f5es que interessam. Mexia, que \u00e0 frente da Galp, entre 2001 e 2004, usou os servi\u00e7os da H&amp;S, manter-se-\u00e1 fiel e abrir-lhes-\u00e1 as portas de grandes empresas tuteladas pelo Estado. Em 2009, uma iniciativa do Di\u00e1rio Econ\u00f3mico com a H&amp;S, elegeu-o como o &#8220;CEO em destaque&#8221; e, recentemente, na qualidade de consultor da EDP, Mora veio defender o actual modelo de remunera\u00e7\u00e3o, que atribui a Mexia um sal\u00e1rio anual que pode ir at\u00e9 4,2 milh\u00f5es de euros\/ano.<\/p>\n<p>Antes do final do ano, Jorge Sampaio convoca os eleitores. Era urgente lan\u00e7ar o novo primeiro-ministro. \u00c9 nesse momento que Mora se torna mais interventivo a promover as ac\u00e7\u00f5es do Compromisso Portugal e, a 27 de Outubro de 2004, atrav\u00e9s do seu email pessoal, aborda mesmo, com os promotores, detalhes log\u00edsticos relacionados com um almo\u00e7o-debate programado para o Restaurante Girassol, no Hotel Altis, em Lisboa.<\/p>\n<p>Em 2005, Mora enfrenta um acontecimento tr\u00e1gico: de viagem para o Algarve, ao volante, tem um acidente com uma v\u00edtima mortal e, desde a\u00ed, quase n\u00e3o conduz. Sentado ao lado ia o empres\u00e1rio Alfredo Casimiro, propriet\u00e1rio do Grupo Urbanos, considerado pela H&amp;S, em 2010, a melhor empresa para trabalhar em Portugal: &#8220;\u00c9 verdade que anda de motorista, mas para quem tem uma vida agitada, significa ganhar 20% do tempo.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Mar\u00e7o, 2005<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pol\u00e9mica com CTT<\/strong><\/p>\n<p>Jos\u00e9 S\u00f3crates ganhou as elei\u00e7\u00f5es. A onda era, agora, favor\u00e1vel aos socialistas. Os dois s\u00f3cios lan\u00e7am os bra\u00e7os ao PS, onde, ali\u00e1s, j\u00e1 t\u00eam pontes: Pina Moura e Jorge Coelho. Nos anos seguintes, privam com o c\u00edrculo de S\u00f3crates e t\u00eam liga\u00e7\u00f5es especiais a M\u00e1rio Lino, ministro das Obras P\u00fablicas, que confirmar\u00e1 e ampliar\u00e1 contratos assinados por Mexia. Em meados da d\u00e9cada, a H&amp;S estava presente na TAP, ANA, PT, EDP, \u00c1guas de Portugal, CTT, Carris, Estradas de Portugal.<\/p>\n<p>Quanto mais neg\u00f3cios ganham, maior \u00e9 o escrut\u00ednio. Vasconcellos e Mora v\u00e3o ser acusados de actuarem, por vezes, em conflito de interesses: escolhem os quadros para as empresas, que depois os contratam para trabalhar como consultores, entregando-lhes a defini\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de vencimentos.<\/p>\n<p>Mas a vit\u00f3ria do PS abriu tamb\u00e9m as portas \u00e0 mudan\u00e7a de cadeiras. Nos CTT, Carlos Horta e Costa \u00e9 substitu\u00eddo por Lu\u00eds Nazar\u00e9. Pouco depois, Raul Mascarenhas, da equipa de Nazar\u00e9, trope\u00e7a num contrato &#8220;fara\u00f3nico&#8221; assinado com a H&amp;S, e que previa uma aven\u00e7a mensal superior a 150 mil euros. Isto, al\u00e9m das remunera\u00e7\u00f5es extras. A factura total ascendia a 3,2 milh\u00f5es de euros. &#8220;Consider\u00e1mos que os servi\u00e7os n\u00e3o eram necess\u00e1rios e rescindimos&#8221;, contou Mascarenhas, que conhecia os dois s\u00f3cios da H&amp;S. Uma auditoria da Inspec\u00e7\u00e3o-Geral da Obras P\u00fablicas (IGOP) aos CTT n\u00e3o deixou d\u00favidas: &#8220;Existem fortes ind\u00edcios&#8221; de factura\u00e7\u00e3o paga \u00e0 H&amp;S, entre 2002 e 2005, por trabalhos nunca prestados.<\/p>\n<p>A meio da d\u00e9cada, Ricardo Salgado, presidente do BES, est\u00e1 por todo o lado. O banqueiro constru\u00edra \u00e0 sua volta uma aura de gravidade que ajudava a completar a imagem de poderoso, herdeiro de uma fam\u00edlia de banqueiros na quarta gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>6 de Fevereiro de 2006<\/strong><\/p>\n<p><strong>OPA da PT, a grande oportunidade<\/strong><\/p>\n<p>O ano vai come\u00e7ar com um mau press\u00e1gio para o BES. A Sonae avan\u00e7a sobre a PT e p\u00f5e em causa interesses instalados. Na operadora, a conviv\u00eancia com os Governos revelava-se estruturante. O que se passou nas horas seguintes \u00e9 premonit\u00f3rio: na administra\u00e7\u00e3o da PT partem-se cadeiras &#8211; literalmente. O empres\u00e1rio Patrick Monteiro de Barros exige ao BES a execu\u00e7\u00e3o do contrato de put option de 2% da PT (venda das ac\u00e7\u00f5es ao pre\u00e7o pr\u00e9-fixado). Para substituir Monteiro de Barros, Salgado chama Vasconcellos que, pouco depois, aparece com 2% da ESFH (20 milh\u00f5es) e 2% da PT (200 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>A escolha da fam\u00edlia Esp\u00edrito Santo era natural. Vasconcellos \u00e9 cunhado do secret\u00e1rio-geral do BES, Bernardo Esp\u00edrito Santo, e o padrasto, militar de carreira, James Risso-Gill, trabalhou na \u00e1rea imobili\u00e1ria do GES. Foi ele quem sugeriu a Vasconcellos que frequentasse, nos EUA, um col\u00e9gio militar, de dois marines.<\/p>\n<p>Data, portanto, do in\u00edcio de 2006 o discurso: &#8220;Sou o herdeiro de uma fam\u00edlia muito rica ligada \u00e0 Sociedade Nacional de Sab\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Um gestor que trabalhou com o av\u00f4 Rocha dos Santos confessa como ficou surpreendido: &#8220;Come\u00e7\u00e1mos a estranhar, pois a fam\u00edlia n\u00e3o era maiorit\u00e1ria na SNS e quem mandava eram os Beir\u00e3o da Veiga, o que n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o tivessem dinheiro, mas n\u00e3o chegava para investir na PT.&#8221; Mais tarde, soube-se que a Societ\u00e9 des Banques Suisse (SBS), no in\u00edcio, o BES e o BCP financiaram as v\u00e1rias tomadas de posi\u00e7\u00e3o na PT.<\/p>\n<p>Na baixa lisboeta, a poucos quil\u00f3metros da sede da PT, havia outra guerra por travar. Desde o Outono de 2005 que Mora colaborava com o presidente do BCP, Teixeira Pinto, na refunda\u00e7\u00e3o do grupo. Um m\u00eas depois do &#8220;ataque&#8221; da Sonae \u00e0 PT, era, agora, a vez do BCP se atirar ao BPI.<\/p>\n<p><strong>BPI na mira do BCP<\/strong><\/p>\n<p>No banco de Fernando Ulrich, Mora e Vasconcellos n\u00e3o eram desconhecidos, pois, em 2000, a H&amp;S reorganizara servi\u00e7os do BPI. Mora \u00e9 casado com Alexandra Barbosa, actual directora do banco, a quem os colegas n\u00e3o poupam elogios: &#8220;Ela esteve a lutar contra a OPA do BCP com o mesmo empenho que n\u00f3s&#8221;, diz um alto quadro. Por seu turno, Vasconcellos \u00e9 marido da &#8220;Xandinha&#8221;, Alexandra Mascarenhas Vasconcellos, que passou tamb\u00e9m pelo BPI.<\/p>\n<p>No Tagus Park, Teixeira Pinto e Mora apostavam num novo modelo de governa\u00e7\u00e3o dualista (que agora vai ser anulado), que se revelou o gatilho que mostrou divis\u00f5es entre accionistas e dentro da administra\u00e7\u00e3o. Estavam criadas as condi\u00e7\u00f5es para a OPA ao BPI falhar (Maio de 2007). Entretanto, a OPA \u00e0 PT ainda rolava e os epis\u00f3dios multiplicavam-se. Um deles com v\u00e1rios protagonistas. Ant\u00f3nio Cunha Vaz, na altura assessor da Sonae, conta: &#8220;Estava a almo\u00e7ar e ouvi, noutra mesa, o Lu\u00eds Ribeiro Vaz contar que uma parte do dia estava no gabinete de M\u00e1rio Lino, de quem era chefe de gabinete, e a outra com a Ongoing a montar a estrat\u00e9gia contra a OPA. Como sou fiel ao meu cliente, contei-lhe que o adjunto do ministro, com quem Paulo Azevedo discutia os detalhes da OPA, era o mesmo que tinha encontros di\u00e1rios com a Ongoing para se opor \u00e0 Sonae.&#8221;<\/p>\n<p>Cunha Vaz garante que s\u00f3 conheceu M\u00e1rio Lino a meio da OPA da PT. A cena podia ser tirada de um filme: &#8220;Um dia, ao sair do duche, no gin\u00e1sio, cruzei-me com o ministro que estava vestido apenas de boxers a despachar com o assessor. Dirigi-me a ele e disse-lhe que era melhor n\u00e3o tratar daqueles assuntos ali, pois eu tinha liga\u00e7\u00f5es \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social e estava a ouvir.&#8221;<\/p>\n<p>Hoje, Cunha Vaz, que passou a trabalhar com a Ongoing em 2008, j\u00e1 n\u00e3o poupa elogios aos actuais clientes: &#8220;Est\u00e3o a ser alvo de ignor\u00e2ncia e m\u00e1-f\u00e9, quando deviam ser de orgulho. \u00c0 boa maneira portuguesa s\u00e3o motivo de cr\u00edtica e inveja.&#8221;<\/p>\n<p>Na Maia, sede da Sonae, a equipa de Paulo Azevedo faz saberque a Ongoing \u00e9 o cavalo de Tr\u00f3ia do BES para n\u00e3o deixar fugir o controlo da PT. Jorge Neto, deputado do PSD, surge a liderar uma associa\u00e7\u00e3o de pequenos investidores e pede a Ant\u00f3nio Lobo Xavier, da Sonae, que clarifique a proposta. Lobo Xavier responde: &#8220;Sim, mas antes a Sonae ter\u00e1 de entrar para a associa\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 um pequeno investidor da PT.&#8221; O deputado declina. O segredo era de polichinelo. J\u00e1 depois de a OPA falhar, o l\u00edder da CMVM, Carlos Tavares, acusa Jorge Neto de &#8220;representar vergonhosamente apenas um grande accionista da PT &#8211; a Ongoing&#8221;. O deputado considerou Tavares &#8220;imparcial&#8221; e, anos depois, no quadro do inqu\u00e9rito parlamentar ao caso PT\/TVI, entusiasmou-se: &#8220;O Nuno vai ser a grande refer\u00eancia empresarial do s\u00e9culo XXI, um dos maiores empres\u00e1rios dos pr\u00f3ximos 30 anos.&#8221;<\/p>\n<p><strong>2 de Mar\u00e7o de 2007<\/strong><\/p>\n<p><strong>O estrelato<\/strong><\/p>\n<p>Era expect\u00e1vel. Com a ajuda do Estado, a OPA sobre a PT n\u00e3o chegou ao mercado. H\u00e1 fotografias dos dois s\u00f3cios a sa\u00edrem da assembleia-geral da PT triunfantes. Como recompensa, o BES apoia a ida de Vasconcellos para a administra\u00e7\u00e3o da PT, para onde viria tamb\u00e9m a entrar Mora.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil definir com exactid\u00e3o em que momento das suas vidas Vasconcellos e Mora come\u00e7aram a delinear um projecto com a inten\u00e7\u00e3o de ganhar for\u00e7a e notoriedade. Mas pode dizer-se que at\u00e9 \u00e0 OPA da PT &#8211; que os catapultou para o estrelato -, o percurso profissional foi feito \u00e0 margem dos holofotes. A partir deste momento, Vasconcellos passou a falar em nome da empresa: punha o dinheiro, conduzia a locomotiva. Mora definia a t\u00e1ctica. \u00c9 uma \u00e9poca em que o espanhol frequentava regularmente a Embaixada de Espanha.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da Ongoing \u00e9, assim, a de dois amigos unidos pela vontade de singrar. Nos tr\u00eas anos seguintes ganhou vida pr\u00f3pria e escapou, em parte, \u00e0 \u00f3rbita do BES. Um amigo fez esta avalia\u00e7\u00e3o: &#8220;O Nuno faz o papel do Salgado que \u00e9 defender os interesses do cl\u00e3, do qual ele se considera o chefe.&#8221; E, salienta, &#8220;come\u00e7aram a copiar o estilo do Salgado numa vers\u00e3o modernizada.&#8221; Menos discreta, com mais carros e espi\u00f5es. E sem o Banco de Portugal a vigiar as suas ac\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>2006<\/strong><\/p>\n<p><strong>Loja Mozart<\/strong><\/p>\n<p>Em Portugal h\u00e1 cerca de 5000 ma\u00e7ons, entre eles Vasconcellos e Mora, este \u00faltimo ligado \u00e0 ma\u00e7onaria espanhola. Em 2006 os dois amigos decidiram ajudar a dinamizar a loja Mozart n.\u00ba49, da Grande Loja Regular de Portugal (GLRP). Jorge Silva Carvalho assumiu as fun\u00e7\u00f5es de &#8220;vener\u00e1vel mestre&#8221; at\u00e9 2008, quando foi substitu\u00eddo por Nuno Vasconcellos. Nessa \u00e9poca, Lu\u00eds Montenegro, hoje presidente da bancada do PSD, filiou-se na Mozart.<\/p>\n<p>Vasconcellos \u00e9 sincero. \u00c0 revista S\u00e1bado disse: &#8220;N\u00e3o vale a pena dizer&#8221; que a ma\u00e7onaria &#8220;n\u00e3o tem poder&#8221;, mas &#8220;h\u00e1 clubes de futebol com mais influ\u00eancia&#8221;. Fora de quest\u00e3o \u00e9 confirmar a perten\u00e7a \u00e0 Mozart. &#8220;S\u00f3 quem tem fun\u00e7\u00f5es oficiais o deve fazer.&#8221;<\/p>\n<p>Os acontecimentos recentes, com a publica\u00e7\u00e3o j\u00e1 este ano, pelo P\u00daBLICO, de um email a convocar os irm\u00e3os para um debate com o mundo profano, expuseram a simbiose de interesses articulados atrav\u00e9s da Mozart, onde est\u00e3o empres\u00e1rios, espi\u00f5es, pol\u00edcias, pol\u00edticos, jornalistas. Numa linguagem ma\u00e7\u00f3nica, os &#8220;irm\u00e3os&#8221;, onde se inclu\u00edam sete quadros da Ongoing, s\u00e3o convocados para um debate com o &#8220;mundo profano&#8221;. A Ongoing reagiu logo: &#8220;A Ongoing n\u00e3o \u00e9 a ma\u00e7onaria.&#8221;<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es entre filiados v\u00e3o mais longe. As estrat\u00e9gias de poder n\u00e3o dispensam liga\u00e7\u00f5es a f\u00f3runs informais. Vasconcellos, por exemplo, est\u00e1 no Instituto Luso-\u00c0rabe e na Associa\u00e7\u00e3o Portugal Marrocos. E, a 9 e 10 de Junho de 2008, Neto da Silva, Vasconcellos, Nuno Manalvo, Vasco Rato, \u00c1lvaro Cov\u00f5es, todos da Mozart, viajaram at\u00e9 Washington para participarem nas celebra\u00e7\u00f5es do Dia de Portugal, em nome da Associa\u00e7\u00e3o de Amizade Portugal\/EUA. No site da organiza\u00e7\u00e3o, a EDP aparece como exclusive sponsor.<\/p>\n<p><em>(O &#8220;P\u00fablico&#8221; reservou aos assinantes o acesso a este texto na edi\u00e7\u00e3o online.<br \/>\nDado que se trata de um trabalho de investiga\u00e7\u00e3o exclusivo do jornal, reproduzimos apenas cerca de metade.<br \/>\nVeja o resto da hist\u00f3ria no &#8220;P\u00fablico&#8221; de 26 de Fevereiro de 2012)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Menos de cinco meses depois de ter publicado uma dura entrevista com Nuno Vasconcellos, o jornal &#8220;P\u00fablico&#8221; faz uma s\u00edntese do percurso da Ongoing e sugere que a empresa \u00abentrou em agonia\u00bb. \u00c9 uma longa e pormenorizada hist\u00f3ria, que ajuda a perceber as rela\u00e7\u00f5es nem sempre claras entre a pol\u00edtica, a economia e os grupos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[],"class_list":["post-5481","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-headline"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5481","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5481"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5481\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5481"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5481"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5481"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}