{"id":5327,"date":"2012-01-27T13:14:04","date_gmt":"2012-01-27T13:14:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=5327"},"modified":"2012-01-27T13:14:04","modified_gmt":"2012-01-27T13:14:04","slug":"madeira-explicar-o-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=5327","title":{"rendered":"Madeira: explicar o qu\u00ea?"},"content":{"rendered":"<p>Muitos jornalistas e pol\u00edticos falam e escrevem sobre a Madeira sem conhecer minimamente a realidade local, repetindo frases feitas (mas sem sentido) e insistindo na obra feita por Jardim. Obviamente, nem os jornalistas perguntam qual obra, nem os pol\u00edticos se d\u00e3o ao trabalho de explicitar a obra, todos dando de barato que, na Madeira, a obra se mede por bet\u00e3o e \u00e9 contabilizada por estradas, piscinas, marinas, etc, etc.<\/p>\n<p>\u00c9 certo, tamb\u00e9m, que agora j\u00e1 se fala da monstruosa d\u00edvida financeira, mas por enquanto a esmagadora maioria dos jornalistas e dos pol\u00edticos \u2018esquece-se\u2019 da outra d\u00edvida, ou d\u00e9ficite, bem mais importante e gravosa: o d\u00e9fice democr\u00e1tico que, para nossa vergonha, tem a mesma idade da \u2018autonomia\u2019 implantada naquela parcela de Portugal.<\/p>\n<p>E como raramente no Continente damos aten\u00e7\u00e3o ao que em jornais da Madeira alguns jornalistas e comentadores v\u00e3o publicando, aqui reproduzimos um esclarecedor texto hoje sa\u00eddo no Di\u00e1rio de Not\u00edcias do Funchal, exactamente no dia em que Jardim, espera-se, vai finalmente dar pormenores sobre o acordo de resgate, ou de capitula\u00e7\u00e3o, assinado com o Governo portugu\u00eas. <strong><em>(RC)<\/em><\/strong><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Explicar o qu\u00ea?<\/h2>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><strong>Esmolas, meta-as onde muito bem entender, crie uma comiss\u00e3o de patos bravos para lutarem contra os ambientalistas, comunistas, ma\u00e7ons e ingleses<\/strong><\/p>\n<p><em>DN-M, 27.01.2012, Paulo Gomes<\/em><\/p>\n<p>De que servir\u00e1 prestar aten\u00e7\u00e3o ao que Jardim vai dizer sobre o reajuste financeiro da Madeira, se ele n\u00e3o teve o m\u00ednimo de considera\u00e7\u00e3o para com o povo que o reelegeu h\u00e1 bem pouco tempo, mantendo-se bem caladinho desde as elei\u00e7\u00f5es e n\u00e3o justificando nada, nem o buraco, nem o porqu\u00ea do esconder da d\u00edvida, nem mesmo os termos em que estava a ser negociado o reajuste financeiro. O presidente do governo regional pode dizer o que quiser, explicar o que entender, mas nunca vai conseguir justificar como \u00e9 que deixou que pusessem em risco a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o de uma boa parte da popula\u00e7\u00e3o madeirense, atingindo os jovens e idosos. Nem vai conseguir explicar, mesmo com ajuda de Cunha e Silva, como \u00e9 que permitiu o desnorte da marina do Lugar de Baixo e os milh\u00f5es que ainda hoje l\u00e1 se metem, quando n\u00e3o h\u00e1 dinheiro para as farm\u00e1cias e outros fornecedores. Nem para escolas que n\u00e3o t\u00eam coisas b\u00e1sicas como papel ou que at\u00e9 viram cortados os telefones por falta de pagamento. Para n\u00e3o falar das que fecharam a cantina porque n\u00e3o tinham g\u00e1s para almo\u00e7os. Este governo, o mesmo de h\u00e1 mais de 30 anos, deixou que uma pol\u00edtica de incentivo ao desporto se transformasse em corrida desenfreada \u00e0s competi\u00e7\u00f5es nacionais de dezenas de equipas e centenas de jogadores estranhos \u00e0 terra, que agora d\u00e3o faltas de compar\u00eancia e s\u00e3o exclu\u00eddas de provas por falta de dinheiro para pagar viagens. E vai ser dif\u00edcil explicar o que \u00e9 aquela diferen\u00e7a de 1% no IVA. Esmolas, meta-as onde muito bem entender, crie uma comiss\u00e3o de patos bravos para lutarem contra os ambientalistas, comunistas, ma\u00e7ons e ingleses. Ou agarre nesse 1% e ajude o edil de C. Lobos a vigiar os carros dos fiscais com GPS, enquanto ele ou outro vereador qualquer tira a chapa oficial do jipe e leva-o para f\u00e9rias.<br \/>\nTemos uma regi\u00e3o extravagante, tal como o pa\u00eds em que vivemos. Apesar de nos situarmos na cauda de um pelot\u00e3o de ordenados m\u00ednimos e m\u00e9dios, conseguimos ter o combust\u00edvel mais caro do mundo, os portos mais caros da Europa, o custo de vida mais caro do que nos Estados Unidos. Dizem-nos que \u00e9 um problema de produtividade. Parece-me que \u00e9 um problema de lideran\u00e7a. Gente como Cavaco Silva, que \u00e9 o presidente de todos os portugueses e insulta todos os portugueses ao ter a lata de se lamuriar das suas reformas. Gente como Catroga que disse \u00e0 troika que os portugueses ganhavam muito e agora est\u00e1 numa EDP a receber num m\u00eas o que um professor ganha em dois anos de trabalho. Tem raz\u00e3o, alguns portugueses ganham muito. Nomeadamente os administradores de empresas p\u00fablicas que geralmente s\u00e3o os boys do partido que governa. Daquelas empresas que fogem para para\u00edsos fiscais, enquanto na AR se bate na &#8220;zona franca&#8221; da Madeira. Ou daquelas que se tornam excep\u00e7\u00f5es nos cortes dos subs\u00eddios, como o vergonhoso Banco de Portugal. Mas que podemos esperar de um pa\u00eds que tem um tribunal constitucional a passear 13 ju\u00edzes em 665 mil euros de BMW alem\u00e3o?<br \/>\nN\u00e3o podem ser s\u00f3 os funcion\u00e1rios p\u00fablicos a pagar a d\u00edvida. Os cortes, abrangendo a totalidade dos trabalhadores, nem chegariam aos 10%. Para qu\u00ea ter milhares de situa\u00e7\u00f5es complicadas ao cortar 25% dos rendimentos de funcion\u00e1rios p\u00fablicos, quando estaria tudo muito mais justo se o esfor\u00e7o fosse distribu\u00eddo por todos os contribuintes? O Estado viveu acima das possibilidades, mas o funcion\u00e1rio p\u00fablico n\u00e3o foi o culpado. Quem o faz, assume as consequ\u00eancias. Ou n\u00e3o \u00e9 assim tamb\u00e9m com o privado?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitos jornalistas e pol\u00edticos falam e escrevem sobre a Madeira sem conhecer minimamente a realidade local, repetindo frases feitas (mas sem sentido) e insistindo na obra feita por Jardim. 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