{"id":4980,"date":"2011-11-15T09:00:19","date_gmt":"2011-11-15T09:00:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=4980"},"modified":"2011-11-15T08:39:29","modified_gmt":"2011-11-15T08:39:29","slug":"governo-segura-rtp-informacao-e-publicidade-esta-em-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=4980","title":{"rendered":"Governo segura RTP-Informa\u00e7\u00e3o e publicidade est\u00e1 em estudo"},"content":{"rendered":"<p>O grupo de trabalho para a defini\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico defende uma RTP sem publicidade, com pouca informa\u00e7\u00e3o e sem um canal de not\u00edcias no cabo (a RTP Informa\u00e7\u00e3o) e sem uma das tr\u00eas esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio actuais. O relat\u00f3rio ontem entregue ao Governo por aquele grupo contradiz o Plano de Sustentabilidade Econ\u00f3mica e Financeira da RTP, apresentado em Outubro, mas o P\u00daBLICO sabe que o Governo n\u00e3o est\u00e1 disposto a abrir m\u00e3o da RTP Informa\u00e7\u00e3o, embora refira, em comunicado, que as recomenda\u00e7\u00f5es do grupo &#8220;servir\u00e3o de base \u00e0 defini\u00e7\u00e3o, pelo Governo, de um conceito de servi\u00e7o p\u00fablico&#8221;.<\/p>\n<p>O ministro Miguel Relvas tem agora entre m\u00e3os uma aut\u00eantica faca de dois gumes, cujo principal ponto de interroga\u00e7\u00e3o \u00e9 a publicidade na RTP. H\u00e1 apenas tr\u00eas semanas o governante aprovou o plano para a RTP que implica a manuten\u00e7\u00e3o da publicidade (seis minutos por hora) no canal generalista que restar e que dar\u00e1 muito espa\u00e7o \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. E que n\u00e3o prev\u00ea o corte de nenhuma r\u00e1dio.<\/p>\n<p>Qual dos dois documentos ter\u00e1 mais for\u00e7a nas decis\u00f5es do Governo? S\u00f3 o tempo o dir\u00e1 &#8211; mais precisamente o ano de 2012. O coordenador do grupo de trabalho, Jo\u00e3o Duque, vincou que ali est\u00e3o propostas &#8220;muito secas e muito directas, mas justificadas&#8221; &#8211; elogiou mesmo a &#8220;coragem&#8221; do executivo por &#8220;pedir a opini\u00e3o de livres pensadores que at\u00e9 podem confrontar declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de membros do Governo&#8221; -, e, a &#8220;serem implementadas todas, alteram profundamente a empresa&#8221;.<\/p>\n<p>O P\u00daBLICO sabe que o Governo olha para o plano de sustentabilidade da empresa como um projecto de gest\u00e3o que abrir\u00e1 caminho para as propostas estrat\u00e9gicas apresentadas ontem. O executivo admite pensar sobre a proposta de extinguir a RTP Madeira e a RTP A\u00e7ores. Em reflex\u00e3o continua tamb\u00e9m a indica\u00e7\u00e3o, sugerida pelo grupo de trabalho, de eliminar a publicidade do canal generalista que restar ap\u00f3s a privatiza\u00e7\u00e3o de outro canal, agendada para 2012.<\/p>\n<p>&#8220;O Governo pretende transformar as nossas recomenda\u00e7\u00f5es num documento oficial&#8221;, disse ao P\u00daBLICO um membro do grupo de trabalho.<\/p>\n<p>De acordo com as propostas do grupo de trabalho, todo o servi\u00e7o p\u00fablico de comunica\u00e7\u00e3o social deve deixar de ter publicidade comercial, &#8220;em qualquer formato, incluindo a coloca\u00e7\u00e3o de produto&#8221;. O financiamento da RTP deve ser garantido atrav\u00e9s de uma taxa e verbas do Or\u00e7amento do Estado.<\/p>\n<p>\u00c0 sa\u00edda da reuni\u00e3o com o ministro, o coordenador, o economista Jo\u00e3o Duque, disse que o grupo partiu do pressuposto de que com a privatiza\u00e7\u00e3o de um canal a empresa ser\u00e1 reestruturada &#8211; com o Estado a assumir boa parte da d\u00edvida acumulada &#8211; e que o novo modelo assentar\u00e1 nos utilizadores e nos contribuintes. \u00c9 que actualmente os cerca de 50 milh\u00f5es euros arrecadados pela RTP anualmente em publicidade s\u00e3o obrigatoriamente canalizados para o abate da d\u00edvida.<\/p>\n<p>Dos actuais oito canais da RTP, dever\u00e1 restar apenas metade. Um \u00e9 para privatizar. O canal generalista que ficar deve ter poucos conte\u00fados noticiosos, em &#8220;notici\u00e1rios curtos, limitados ao essencial e [que] recuperem o car\u00e1cter verdadeiramente informativo, libertos da crescente dimens\u00e3o subjectiva e opinativa no jornalismo&#8221;. Esta filosofia pretende corrigir a tend\u00eancia para a &#8220;interven\u00e7\u00e3o ileg\u00edtima&#8221; dos diferentes poderes nos media p\u00fablicos e a &#8220;incapacidade do modelo de controlo pelo Parlamento&#8221; da independ\u00eancia da RTP.<\/p>\n<p><strong>Que conte\u00fados?<\/strong><\/p>\n<p>Na defini\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o p\u00fablico encaixam conte\u00fados como a programa\u00e7\u00e3o infanto-juvenil, fic\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, document\u00e1rios, cinema portugu\u00eas, divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e art\u00edstica, e o &#8220;entretenimento criterioso, enriquecedor ou alternativo, como a difus\u00e3o de desportos sem cobertura habitual noutros canais de sinal aberto&#8221;. Estas regras devem ser seguidas pelos canais dos A\u00e7ores e Madeira.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es para o fecho da RTP Informa\u00e7\u00e3o decorrem do facto de os privados j\u00e1 garantirem &#8220;servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o suficientes, pelo que n\u00e3o se justifica a sua manuten\u00e7\u00e3o&#8221;, diz o relat\u00f3rio. Jos\u00e9 Manuel Fernandes lembra que no relat\u00f3rio sobre o servi\u00e7o p\u00fablico de h\u00e1 dez anos &#8220;n\u00e3o se defendia a necessidade de um canal de informa\u00e7\u00e3o e nessa altura s\u00f3 existia a SIC Not\u00edcias. Por que \u00e9 que agora \u00e9 imprescind\u00edvel, quando j\u00e1 existem tr\u00eas privados?&#8221;<\/p>\n<p>A RTP Mem\u00f3ria deve ter o mesmo destino: n\u00e3o tem &#8220;qualquer interesse p\u00fablico&#8221; e &#8220;seria mais \u00fatil a disponibiliza\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados hist\u00f3ricos atrav\u00e9s do site&#8221;, diz o grupo.<\/p>\n<p>E a RTP \u00c1frica deve ser fundida com a Internacional num canal que promova a presen\u00e7a externa do pa\u00eds, da l\u00edngua e da cultura portuguesas. Mais: este canal deve mesmo ser &#8220;um instrumento da pol\u00edtica externa&#8221;, definido por um &#8220;contrato-programa&#8221; e financiado pelo Minist\u00e9rio dos Neg\u00f3cios Estrangeiros. Ser\u00e1 uma esp\u00e9cie de &#8220;bra\u00e7o armado da pol\u00edtica diplom\u00e1tica&#8221;, especificou Jo\u00e3o Duque. O modelo \u00e9 o existente na BBC, acrescentou Manuela Franco.<\/p>\n<p><strong>Menos uma r\u00e1dio<\/strong><\/p>\n<p>Contra o plano proposto pela RTP em que a r\u00e1dio mant\u00e9m os actuais tr\u00eas canais, o grupo defende que o Estado deve reduzir a sua rede para duas frequ\u00eancias nacionais: uma de m\u00fasica portuguesa, outra de erudita. A quest\u00e3o motivou a \u00fanica declara\u00e7\u00e3o de voto: Ant\u00f3nio Ribeiro Crist\u00f3v\u00e3o considera que as esta\u00e7\u00f5es deveriam ser reformuladas de forma a servirem melhor os p\u00fablicos a que se destinam.<\/p>\n<p>Sobre a Lusa sugere-se que o controlo da ag\u00eancia deveria ser assumido pelos seus accionistas privados, embora com um contrato de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o p\u00fablico mediante uma comparticipa\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<p>Ainda no \u00e2mbito da RTP, o grupo prop\u00f5e &#8211; tal como o Governo defende &#8211; que a empresa diminua substancialmente a produ\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados que transmite, tornando-se antes compradora, estimulando o desenvolvimento da ind\u00fastria audiovisual. O Estado pode mesmo vir a financiar produ\u00e7\u00e3o dos operadores privados, se esta for de interesse p\u00fablico.<\/p>\n<p>No campo da gest\u00e3o, a RTP deve deixar de ser uma empresa de capitais p\u00fablicos, passando antes para um &#8220;modelo de uma institui\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos nem concorrenciais&#8221;, com contas auditadas anualmente pelo Tribunal de Contas, recrutamento dos cargos feito por concurso p\u00fablico e remunera\u00e7\u00f5es divulgadas publicamente.<\/p>\n<p><em>Maria Lopes (&#8220;P\u00fablico&#8221; 15 Novembro 2011)<br \/>\ncom Maria Jos\u00e9 Oliveira e Miguel Gaspar<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grupo de trabalho para a defini\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico defende uma RTP sem publicidade, com pouca informa\u00e7\u00e3o e sem um canal de not\u00edcias no cabo (a RTP Informa\u00e7\u00e3o) e sem uma das tr\u00eas esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio actuais. 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