{"id":22098,"date":"2021-08-19T10:11:00","date_gmt":"2021-08-19T09:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=22098"},"modified":"2021-08-19T10:07:31","modified_gmt":"2021-08-19T09:07:31","slug":"o-afeganistao-pois-entao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=22098","title":{"rendered":"O Afeganist\u00e3o, pois ent\u00e3o!"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c9 o tema do momento e vai durar mais que o coelho das pilhas, mas quanto mais se v\u00ea e se ouve maior \u00e9 a certeza de que n\u00e3o h\u00e1 muita gente a saber sobre o que escreve ou fala.<br>Os media portugueses t\u00eam subordinado a an\u00e1lise \u00e0 perspectiva ideol\u00f3gica superficial, como \u00e9 seu timbre em tudo o que se relaciona com os EUA. Desde a realidade das sociedades da Am\u00e9rica Latina \u00e0 disputa econ\u00f3mica e tecnol\u00f3gica com a China.<br>Em situa\u00e7\u00f5es de crise, espera-se dos comentadores convidados ou permanentes dos media, apresentados como especialistas, uma an\u00e1lise fundamentada e previs\u00f5es de evolu\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o. A generalidade dos comentadores que ouvi n\u00e3o s\u00f3 se mostraram incapazes de analisar o que se passou no Afeganist\u00e3o, designadamente o fulminante colapso da administra\u00e7\u00e3o e das for\u00e7as armadas, como afinaram pelo diapas\u00e3o de se refugiarem na resposta f\u00e1cil: vamos esperar o que v\u00e3o fazer a R\u00fassia e a China. Como se isso fosse uma equa\u00e7\u00e3o a 20 inc\u00f3gnitas.<br>\u00c9 claro que v\u00e3o fazer o que sempre fizeram e que \u00e9 defender os seus objectivos estrat\u00e9gicos. O Grande Jogo pode n\u00e3o ter existido como na vers\u00e3o romanceada de Kipling, mas \u00e9 uma realidade estrat\u00e9gica numa regi\u00e3o onde se chocam, como placas tect\u00f3nicas, os interesses de praticamente metade da popula\u00e7\u00e3o mundial. E a estrat\u00e9gia est\u00e1, naturalmente, acima da ideologia. <strong><em>(Jo\u00e3o Alferes Gon\u00e7alves)<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Dois textos cuja leitura sugiro para se perceber o que se passou no Afeganist\u00e3o nos \u00faltimos 20 anos mostram, de facto, que h\u00e1 obst\u00e1culos inultrapass\u00e1veis, objectivos inating\u00edveis e contradi\u00e7\u00f5es insan\u00e1veis. Refiro-me a um artigo de Carlos Matos Gomes sobre a aventura americana e a um conjunto de notas do coronel Nuno Pereira da Silva sobre a realidade das for\u00e7as armadas do Afeganist\u00e3o. Basta seguir os respectivos &#8216;links&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>Como exemplo da perspectiva enviesada dos media, deixo um editorial do director do &#8220;P\u00fablico&#8221; orientado para o combate ideol\u00f3gico ao Bloco de Esquerda em defesa do bom nome dos EUA. A resposta de Catarina Martins n\u00e3o poupa Manuel Carvalho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 margem desse confronto, n\u00e3o posso deixar de notar que a exalta\u00e7\u00e3o por Manuel Carvalho dos direitos das mulheres no Afeganist\u00e3o ocupado contradiz a ac\u00e7\u00e3o dos EUA h\u00e1 50 anos, quando arregimentaram a fina flor do radicalismo isl\u00e2mico para derrubar o governo laico de esquerda que iniciara reformas sociais no pa\u00eds, designadamente, o reconhecimento dos direitos das mulheres. Nesse plano estrat\u00e9gico que se prolongou durante a interven\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica, os EUA n\u00e3o s\u00f3 financiaram e armaram os mujahedin como balizaram a doutrina\u00e7\u00e3o radical que estabeleceu as bases da AlCaida e dos Talib\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>E a prop\u00f3sito de Talib\u00e3, aproveito o ensejo para sugerir ao director do &#8220;P\u00fablico&#8221; que acabe con essa originalidade de chamar &#8216;Taliban&#8217; aos Talib\u00e3. A palavra est\u00e1 dicionarizada em portugu\u00eas como Talib\u00e3 e a termina\u00e7\u00e3o em &#8216;n&#8217; n\u00e3o \u00e9 natural na l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Jo\u00e3o Alferes Gon\u00e7alves<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 o tema do momento e vai durar mais que o coelho das pilhas, mas quanto mais se v\u00ea e se ouve maior \u00e9 a certeza de que n\u00e3o h\u00e1 muita gente a saber sobre o que escreve ou fala.Os media portugueses t\u00eam subordinado a an\u00e1lise \u00e0 perspectiva ideol\u00f3gica superficial, como \u00e9 seu timbre em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[18],"tags":[],"class_list":["post-22098","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22098","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22098"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22098\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22098"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22098"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22098"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}