{"id":21921,"date":"2021-07-30T03:32:24","date_gmt":"2021-07-30T02:32:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=21921"},"modified":"2021-07-30T03:32:24","modified_gmt":"2021-07-30T02:32:24","slug":"jornalistas-contestam-competencia-do-provedor-do-publico-e-pedem-parecer-ao-conselho-deontologico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=21921","title":{"rendered":"Jornalistas contestam compet\u00eancia do provedor do &#8220;P\u00fablico&#8221; e pedem parecer ao Conselho Deontol\u00f3gico"},"content":{"rendered":"\n<p>Os jornalistas Cl\u00e1udia Marques Santos e Paulo Pena pediram o parecer do Conselho Deontol\u00f3gico sobre eventuais viola\u00e7\u00f5es de regras deontol\u00f3gicas contidas num trabalho seu que foi analisado pelo provedor dos leitores do jornal &#8220;P\u00fablico&#8221;. O provedor acusou os jornalistas de &#8220;viola\u00e7\u00e3o&#8221; do ponto 1 do C\u00f3digo Deontol\u00f3gico dos Jornalistas, mas n\u00e3o os ouviu antes de publicar a sua opini\u00e3o. Siga o &#8216;link&#8217; e leia, na \u00edntegra, o bem fundamentado pedido de parecer.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Caras e caros membros do Conselho Deontol\u00f3gico do Sindicato dos Jornalistas,<\/p>\n\n\n\n<p>Vimos solicitar ao Conselho Deontol\u00f3gico um parecer sobre eventuais viola\u00e7\u00f5es de regras deontol\u00f3gicas contidas no trabalho jornal\u00edstico por n\u00f3s elaborado e publicado a 4 de Julho (<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/emea01.safelinks.protection.outlook.com\/?url=https%3A%2F%2Fwww.publico.pt%2F2021%2F07%2F04%2Fsociedade%2Finvestigacao%2Fhomicidio-albufeira-sentenca-condenou-menos-1968908&amp;data=04%7C01%7C%7C29d3367209894f69d65508d951d79961%7C84df9e7fe9f640afb435aaaaaaaaaaaa%7C1%7C0%7C637630808698392834%7CUnknown%7CTWFpbGZsb3d8eyJWIjoiMC4wLjAwMDAiLCJQIjoiV2luMzIiLCJBTiI6Ik1haWwiLCJXVCI6Mn0%3D%7C1000&amp;sdata=Y%2Bv3qF9mAsT5BpBeYeAF1tx%2Fwa6wZvLXecKpmbkg1bM%3D&amp;reserved=0\" target=\"_blank\">https:\/\/www.publico.pt\/2021\/07\/04\/sociedade\/investigacao\/homicidio-albufeira-sentenca-condenou-menos-1968908<\/a>)\u00a0 no Jornal P\u00fablico, o qual foi analisado pelo provedor dos leitores do referido jornal, nas suas cr\u00f3nicas de 17 (<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/emea01.safelinks.protection.outlook.com\/?url=https%3A%2F%2Fwww.publico.pt%2F2021%2F07%2F17%2Fopiniao%2Fopiniao%2Fdireito-bom-nome-19706399&amp;data=04%7C01%7C%7C29d3367209894f69d65508d951d79961%7C84df9e7fe9f640afb435aaaaaaaaaaaa%7C1%7C0%7C637630808698402790%7CUnknown%7CTWFpbGZsb3d8eyJWIjoiMC4wLjAwMDAiLCJQIjoiV2luMzIiLCJBTiI6Ik1haWwiLCJXVCI6Mn0%3D%7C1000&amp;sdata=HBtyOk0FGmgEzOoPezSfaI4nPTLyOXU4aWwWc8M3A58%3D&amp;reserved=0\" target=\"_blank\">https:\/\/www.publico.pt\/2021\/07\/17\/opiniao\/opiniao\/direito-bom-nome-19706399<\/a>) e 24 de Julho\u00a0(<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/emea01.safelinks.protection.outlook.com\/?url=https%3A%2F%2Fwww.publico.pt%2F2021%2F07%2F24%2Fopiniao%2Fopiniao%2Flado-escola-1971562&amp;data=04%7C01%7C%7C29d3367209894f69d65508d951d79961%7C84df9e7fe9f640afb435aaaaaaaaaaaa%7C1%7C0%7C637630808698412748%7CUnknown%7CTWFpbGZsb3d8eyJWIjoiMC4wLjAwMDAiLCJQIjoiV2luMzIiLCJBTiI6Ik1haWwiLCJXVCI6Mn0%3D%7C1000&amp;sdata=MCC8Yps9bgnE%2FgSOkQIkYQbFdenrJ4Ks2tW8eVDBHn0%3D&amp;reserved=0\" target=\"_blank\">https:\/\/www.publico.pt\/2021\/07\/24\/opiniao\/opiniao\/lado-escola-1971562<\/a>). Nessa aprecia\u00e7\u00e3o, o provedor acusa-nos de &#8220;viola\u00e7\u00e3o&#8221; do ponto 1 do C\u00f3digo Deontol\u00f3gico dos Jornalistas, o que \u00e9 uma acusa\u00e7\u00e3o grave e in\u00e9dita nas nossas carreiras, que n\u00e3o aceitamos sem proporcionarmos o trabalho \u00e0 vossa an\u00e1lise t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo:<\/p>\n\n\n\n<p>O provedor escreve, na sua cr\u00f3nica, que a &#8220;viola\u00e7\u00e3o&#8221; deontol\u00f3gica acontece porque: \u201cOuviram um lado. N\u00e3o ouviram o outro. Deviam ter ouvido.\u201d. Presume-se que o provedor, ao referir-se ao \u201coutro lado\u201d, pretende que o coletivo de ju\u00edzes que proferiu senten\u00e7a de primeira inst\u00e2ncia, desconstru\u00edda e analisada no nosso texto, deveria ter sido ouvido, presume-se ainda que assim entende o provedor porque considera que o Coletivo de Ju\u00edzes \u00e9 a parte visada ou o objeto de an\u00e1lise do trabalho jornal\u00edstico em quest\u00e3o. O provedor chegou a esta conclus\u00e3o sem ter, uma \u00fanica vez, questionado os jornalistas.<\/p>\n\n\n\n<p>A nossa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 a seguinte:\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>(1) O coletivo de ju\u00edzes esgota o seu pronunciamento na senten\u00e7a proferida e sustentada, a qual analis\u00e1mos criticamente, n\u00e3o s\u00f3 em si pr\u00f3pria, como na revis\u00e3o de toda a prova contida no processo, inclusive, tendo n\u00f3s ouvido as grava\u00e7\u00f5es de prova testemunhal e tendo confrontado t\u00e9cnicos com as viola\u00e7\u00f5es de regras de produ\u00e7\u00e3o de prova que detet\u00e1mos e apont\u00e1mos suportando a an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p>(2) A senten\u00e7a \u00e9 p\u00fablica e, portanto, pode e deve ser objeto de an\u00e1lise, \u00e0 luz do princ\u00edpio do in dubio pro reo, que defendemos no nosso projeto, como dele resulta claro. Os ju\u00edzes de um caso que ainda n\u00e3o transitou em julgado est\u00e3o obrigados ao dever de reserva, n\u00e3o podendo legalmente pronunciar-se sobre as suas decis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>(3) Portanto, num trabalho desta natureza, que segue as linhas de outros, publicados pela imprensa internacional, e que est\u00e1 descrito no site do American Press Institute (<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/emea01.safelinks.protection.outlook.com\/?url=https%3A%2F%2Fwww.americanpressinstitute.org%2Fjournalism-essentials%2Fverification-accuracy%2Fprotess-method-verification%2F&amp;data=04%7C01%7C%7C29d3367209894f69d65508d951d79961%7C84df9e7fe9f640afb435aaaaaaaaaaaa%7C1%7C0%7C637630808698412748%7CUnknown%7CTWFpbGZsb3d8eyJWIjoiMC4wLjAwMDAiLCJQIjoiV2luMzIiLCJBTiI6Ik1haWwiLCJXVCI6Mn0%3D%7C1000&amp;sdata=RiY7MbJjlP5wpXGj%2BHOuZvtxA1xxmdzx9PVWOtlp8VA%3D&amp;reserved=0\" target=\"_blank\">https:\/\/www.americanpressinstitute.org\/journalism-essentials\/verification-accuracy\/protess-method-verification\/<\/a>), a l\u00f3gica dos \u201cdois lados\u201d que o provedor pretende impor \u00e9 redutora, uma vez que, se um cidad\u00e3o \u00e9 condenado sem provas suficientes, entendemos ser dever do jornalista que se prop\u00f5e ponderar a decis\u00e3o apontar as falhas detetadas e as dificuldades ou erros de um sistema que permitiu uma condena\u00e7\u00e3o sem provas ou com provas fracas, em cumprimento da fun\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica de controlo dos poderes.<\/p>\n\n\n\n<p>(4) Entendemos ainda que \u201cos lados\u201d no caso em aprecia\u00e7\u00e3o s\u00e3o v\u00e1rios, porque na investiga\u00e7\u00e3o pr\u00e9via ao julgamento tamb\u00e9m foram cometidos erros essenciais de deprecia\u00e7\u00e3o de prova que condicionaram os erros cometidos no julgamento e depois na senten\u00e7a, como, de resto, o Supremo Tribunal de Justi\u00e7a o apontou e vem citado no trabalho; mas tamb\u00e9m foram cometidos erros graves, que relatamos com detalhe, pelos condenados, pelos arguidos absolvidos e pelos que nem chegaram a ser acusados, todos eles apontados no nosso trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>(5) Para os objetivos deste nosso trabalho, o de rean\u00e1lise de senten\u00e7as condenat\u00f3rias em processos criminais, que apuramos merecerem cr\u00edtica, as contrapartes s\u00e3o todos os que sofreram com os erros cometidos pela justi\u00e7a, neste caso, a fam\u00edlia da v\u00edtima e as testemunhas oculares, tamb\u00e9m elas, na sua maioria, v\u00edtimas de agress\u00f5es na noite do homic\u00eddio. E n\u00f3s ouvimos todos esses intervenientes, com interesses atend\u00edveis no trabalho que apresent\u00e1mos para publica\u00e7\u00e3o e que para tal foi aceite pela editoria do jornal P\u00fablico, ali\u00e1s, tamb\u00e9m visada, entendemos que de forma humilhante nas aprecia\u00e7\u00f5es do provedor, como poder\u00e1 ser por esse Conselho constatado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ficamos ao vosso dispor para qualquer esclarecimento que julguem necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O Projecto Inoc\u00eancia foi criado em 2020, depois de uma candidatura que a jornalista Cl\u00e1udia Marques Santos apresentou a uma bolsa de jornalismo de investiga\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian. Fazem parte do projecto, trabalhando sempre em regime pro-bono o jornalista Paulo Pena e a advogada Isabel Duarte. Encontram-se neste momento em forma\u00e7\u00e3o as estudantes de jornalismo Ana Patr\u00edcia Silva, In\u00eas Fajardo Silva, Let\u00edcia Carvalho e Lisleine Uch\u00f4a do Lago. A bolsa que financiou o trabalho das estudantes de jornalismo terminou em 2020 e, desde ent\u00e3o, as \u00fanicas receitas do projecto s\u00e3o as que prov\u00eam da publica\u00e7\u00e3o, pelo P\u00daBLICO, dos dois trabalhos realizados (ao longo de mais de um ano).<\/p>\n\n\n\n<p>Cl\u00e1udia Marques Santos <\/p>\n\n\n\n<p>Paulo Pena\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os jornalistas Cl\u00e1udia Marques Santos e Paulo Pena pediram o parecer do Conselho Deontol\u00f3gico sobre eventuais viola\u00e7\u00f5es de regras deontol\u00f3gicas contidas num trabalho seu que foi analisado pelo provedor dos leitores do jornal &#8220;P\u00fablico&#8221;. 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