{"id":2124,"date":"2010-03-04T07:56:13","date_gmt":"2010-03-04T07:56:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=2124"},"modified":"2010-03-04T07:56:13","modified_gmt":"2010-03-04T07:56:13","slug":"a-informacao-e-uma-coisa-que-se-partilha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=2124","title":{"rendered":"A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma coisa que se partilha"},"content":{"rendered":"<p>Num mundo onde a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 cada vez mais um bem social, partilh\u00e1vel, quem recusa esse estatuto e se quer transformar num clube privado e selecto, morre. A informa\u00e7\u00e3o deixou de ser uma mercadoria para ser um movimento, um di\u00e1logo. E quem n\u00e3o percebe isso devia ir vender batatas.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h2>A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma coisa que se partilha<\/h2>\n<p>O principal tema abordado nos artigos publicados sobre o \u00faltimo inqu\u00e9rito feito nos EUA pelo Pew Internet &amp; American Life Project foi o facto de a Web se ter tornado uma fonte de not\u00edcias mais importante para os leitores americanos do que os jornais em papel ou a r\u00e1dio. O facto vinha-se fazendo anunciar h\u00e1 tantos anos que s\u00f3 os muito distra\u00eddos ter\u00e3o ficado surpreendidos, mas o marco \u00e9 sem d\u00favida importante e \u00e9 inevit\u00e1vel que a vaga se v\u00e1 estendendo a todos os outros pa\u00edses. A percentagem que diz usar a Web para se informar \u00e9 de 61 por cento e a percentagem para r\u00e1dio, jornais locais e jornais nacionais \u00e9, respectivamente, de 54%, 50% e 17%. A televis\u00e3o, por\u00e9m, ainda aparece \u00e0 frente de todos os meios neste ranking.<\/p>\n<p>O que mais ressalta deste estudo &#8211; <em>Understanding the participatory news consumer<\/em> &#8211; \u00e9, por\u00e9m, o car\u00e1cter social desta actividade de consumo de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que quer dizer &#8220;car\u00e1cter social&#8221;? V\u00e1rias coisas.<\/p>\n<p>Por um lado, refor\u00e7ando aquilo que outros estudos t\u00eam apontado, as pessoas interrogadas indicam como primeira raz\u00e3o para o seu consumo de informa\u00e7\u00e3o &#8220;poder falar com outras pessoas sobre o que se passa no mundo&#8221; e como segunda raz\u00e3o o facto de estar informado ser &#8220;um dever c\u00edvico&#8221;. S\u00f3 depois aparece a motiva\u00e7\u00e3o devido ao valor utilit\u00e1rio ou de entretenimento da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Decorre daqui &#8211; e isto est\u00e1 longe de ser uma novidade mas \u00e9 um factor quase sempre esquecido pelos <em>media<\/em> &#8211; que a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 tanto mais apreciada quanto mais partilhada for.<\/p>\n<p>O que \u00e9 mais importante (e da\u00ed o t\u00edtulo) \u00e9 que o estudo diz que 75% dos consumidores de informa\u00e7\u00e3o <em>online<\/em> dizem aceder a not\u00edcias atrav\u00e9s de <em>links<\/em> que recebem por <em>mail<\/em> ou atrav\u00e9s de redes sociais, enquanto 52% afirmam difundirem as not\u00edcias que acham interessantes atrav\u00e9s desses mesmos meios. Outros dados colhidos no estudo refor\u00e7am esta ideia de que o consumo de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 eminentemente uma experi\u00eancia social &#8211; com a partilha, reenvio, coment\u00e1rio e discuss\u00e3o de not\u00edcias a ocupar um papel cada vez mais importante.<\/p>\n<p>Finalmente, o estudo do Pew Research Center refor\u00e7a mais uma vez a morte da figura do &#8220;leitor fiel&#8221; de um t\u00edtulo, com a esmagadora maioria dos interrogados (92%) a usar v\u00e1rias plataformas para aceder a not\u00edcias e a consultar v\u00e1rios t\u00edtulos e <em>sites<\/em> por dia.<\/p>\n<p>O que significa isto? Entre outras coisas significa que os <em>sites<\/em> que apostam (ou v\u00e3o passar a apostar) na restri\u00e7\u00e3o do acesso aos seus <em>sites<\/em> mediante assinaturas fazem isso por sua conta e risco e v\u00e3o provavelmente passar um mau bocado. N\u00e3o me parece que um modelo de neg\u00f3cio baseado em assinaturas seja sempre insustent\u00e1vel, mas do que tenho a certeza \u00e9 de que ele n\u00e3o ser\u00e1 a regra e muito menos uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fechar um conte\u00fado significa reduzir a sua participa\u00e7\u00e3o nesta troca social que \u00e9, cada vez mais, a forma como consumimos informa\u00e7\u00e3o e fazer isso \u00e9 conden\u00e1-lo \u00e0 irrelev\u00e2ncia. Se n\u00e3o for f\u00e1cil localizar a informa\u00e7\u00e3o, pesquis\u00e1-la, cit\u00e1-la, referenci\u00e1-la, envi\u00e1-la, linc\u00e1-la, coment\u00e1-la, inseri-la em outros meios (blogues, redes sociais) o seu valor de uso reduz-se drasticamente. As pr\u00f3prias redes sociais est\u00e3o ali\u00e1s a perceber isso, havendo uma tend\u00eancia para a adop\u00e7\u00e3o de tecnologias que facilitem a troca de informa\u00e7\u00e3o e o tr\u00e1fego de utilizadores entre todas elas.<\/p>\n<p>Num mundo onde a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 cada vez mais um bem social, partilh\u00e1vel, quem recusa esse estatuto e se quer transformar num clube privado e selecto, morre. A informa\u00e7\u00e3o deixou de ser uma mercadoria para ser um movimento, um di\u00e1logo. E quem n\u00e3o percebe isso devia ir vender batatas.<\/p>\n<p>O que os <em>media<\/em> deveriam estar a fazer era pensar de que forma poder\u00e3o viver neste mundo refor\u00e7ando essa experi\u00eancia social de partilha (e tamb\u00e9m de produ\u00e7\u00e3o) de informa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o na forma como podem adiar a sua morte, trancando as portas face ao <em>tsunami<\/em>.<\/p>\n<p><em>Jos\u00e9 V\u00edtor Malheiros &#8211; &#8220;P\u00fablico&#8221; 4 Mar 2010<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num mundo onde a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 cada vez mais um bem social, partilh\u00e1vel, quem recusa esse estatuto e se quer transformar num clube privado e selecto, morre. A informa\u00e7\u00e3o deixou de ser uma mercadoria para ser um movimento, um di\u00e1logo. 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