{"id":20557,"date":"2021-02-26T16:14:17","date_gmt":"2021-02-26T16:14:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=20557"},"modified":"2021-02-26T16:14:19","modified_gmt":"2021-02-26T16:14:19","slug":"desinformacao-um-perigo-que-todos-devemos-combater","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=20557","title":{"rendered":"Desinforma\u00e7\u00e3o: \u201cUm perigo que todos devemos combater\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>A palavra desinforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nova, mas parece estar a ganhar cada vez mais relevo neste \u201cnovo mundo das redes sociais.\u201d Como \u00e9 que deixamos de ser convencidos por livres e conformadas opini\u00f5es, criadas por \u201corquestras de persuas\u00e3o\u201d? Afinal, como se combate a desinforma\u00e7\u00e3o? <em>(In\u00eas Delgado)<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Estamos no dia 30 de Outubro de 1938. A CBS interrompe a programa\u00e7\u00e3o dando conta de uma invas\u00e3o alien\u00edgena. Seis milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o a ouvir o programa e acreditam que se trata de uma pe\u00e7a jornal\u00edstica quando, na verdade, se tratava da telenovela radiof\u00f3nica, <em>The War of the Worlds<\/em>, de Orson Welles.<\/p>\n\n\n\n<p>Este exemplo paradigm\u00e1tico foi dado na <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/psuperior\/talks#realizadas\">PSuperior Talks<\/a> desta ter\u00e7a-feira, que teve como pergunta de arranque: <em>Como combater a desinforma\u00e7\u00e3o? <\/em>Marcarampresen\u00e7a Vasco Ribeiro, director da Licenciatura e do Mestrado em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade do Porto, Helena Martins, respons\u00e1vel de Pol\u00edticas P\u00fablicas da Google, Ivo Neto, editor de Online do P\u00daBLICO &#8211; que referiu o exemplo inicial mencionado &#8211; e Mariana Vilas Boas, estudante de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade do Porto. O debate foi moderado por Am\u00edlcar Correia, director-adjunto do P\u00daBLICO.<\/p>\n\n\n\n<p>O debate teve como pontos-chave a manipula\u00e7\u00e3o, espa\u00e7o p\u00fablico, poder e controlo dos <em>media<\/em>. Vasco Ribeiro, director da Licenciatura e do Mestrado em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade do Porto, \u201ctrouxe uma provoca\u00e7\u00e3o\u201d, come\u00e7ando por esclarecer que para se falar de desinforma\u00e7\u00e3o deve ser abordada a \u201cancestral propaganda.\u201d &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Partindo da defini\u00e7\u00e3o de propaganda &#8211; uma informa\u00e7\u00e3o \u201cfabricada com o prop\u00f3sito de manipular indiv\u00edduos a adoptarem certas ideias ou comportamentos\u201d, Vasco Ribeiro denotou que, apesar de antiga, \u201ccontinua muito actual.\u201d Por isso lan\u00e7ou a pergunta: se desde cedo aprendemos a pensar, porque nos deixamos ser convencidos por tudo o que vemos e ouvimos? Para responder, desmembrou o funcionamento da \u201corquestra de persuas\u00e3o\u201d propagandista, denotando que neste tema \u00e9 \u201cimportante meter coisas no mesmo saco\u201d e apontando que, apesar da m\u00e1 conota\u00e7\u00e3o da palavra propaganda, nem todos os \u201cgestores de informa\u00e7\u00e3o\u201d (como assessores de imprensa, rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, publicit\u00e1rios,&nbsp;<em>spin&nbsp;doctors<\/em>,&nbsp;<em>marketers)<\/em>&nbsp;o fazem negativamente e nem toda a propaganda \u00e9 m\u00e1, havendo a chamada \u201cpropaganda verde\u201d que n\u00e3o deixa de ser necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 importante os jornalistas perceberem que um propagandista pode ter causas boas ou causas m\u00e1s. A propaganda \u00e9 a mesma, o conte\u00fado \u00e9 que muda\u201d, salientou o director da Licenciatura e do Mestrado em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o. A proposta apresentada por Vasco Ribeiro, pretendendo responder \u00e0 pergunta de partida deste debate, \u00e9 \u201ccaminhar para uma literacia da propaganda relutante\u201d, uma vez que se \u201ccombate a propaganda com conhecimento\u201d, devendo ser desenvolvida \u201ca capacidade cr\u00edtica para analisar os conte\u00fados propagand\u00edsticos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Internet: ve\u00edculo e meio de combate<\/h3>\n\n\n\n<p>Helena Martins, representante da Google Portugal, considerou \u201cineg\u00e1vel que a Internet trouxe imensos benef\u00edcios para a sociedade, possibilitando uma diminui\u00e7\u00e3o na barreira de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.\u201d No entanto, apontou que a mesma trouxe tamb\u00e9m \u201cimensos desafios.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil compreender ou concordar que ainda que a Internet possa ser um ve\u00edculo para o combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m, actualmente, a maior fonte da mesma.<\/p>\n\n\n\n<p>O objectivo da Google, no que concerne ao combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, \u00e9 \u201cfornecer informa\u00e7\u00e3o de qualidade aos utilizadores\u201d, indicou Helena Martins, respons\u00e1vel de Pol\u00edticas P\u00fablicas da Google Portugal. \u201cA miss\u00e3o da Google \u00e9 organizar todas as informa\u00e7\u00f5es do mundo e torn\u00e1-las acess\u00edveis e \u00fateis para os utilizadores.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que o mundo <em>online<\/em>, repleto de propagandistas, n\u00e3o esteja perto de viver sem desinforma\u00e7\u00e3o, Helena Martins apontou para o refor\u00e7o das \u201cpol\u00edticas de combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o e comportamentos maliciosos\u201d que a empresa criou, sendo estas \u201cpol\u00edticas e processos estabelecidos\u201d para desactivar dos produtos da empresa \u201cpublicidades que est\u00e3o em sites\u201d com o principal prop\u00f3sito de divulgar informa\u00e7\u00e3o falsa.<\/p>\n\n\n\n<p>Helena Martins revelou ainda que o \u201coutro pilar\u201d essencial no combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o assenta em trabalhar \u201ccom <em>fact-checkers<\/em>.\u201d Ao longo dos anos a empresa fez \u201cdiversas altera\u00e7\u00f5es e melhoramentos\u201d visando \u201cdar mais destaque a not\u00edcias que v\u00eam de fontes confi\u00e1veis\u201d e diminuir a visibilidade de <em>sites <\/em>que t\u00eam como principal objectivo \u201cpropagar desinforma\u00e7\u00e3o.\u201d A respons\u00e1vel de Pol\u00edticas P\u00fablicas da Google n\u00e3o negou que o utilizador pode encontrar <em>sites<\/em> de desinforma\u00e7\u00e3o, mas ressalva que estes n\u00e3o s\u00e3o necessariamente encontrados no \u201c<em>top ten<\/em>, nos <em>blue links<\/em>\u201d, dos resultados encontrados no motor de busca da Google.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivo Neto, editor de Online do P\u00daBLICO, denotou que \u201ca desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 um perigo que todos devemos combater\u201d e que a \u201cinforma\u00e7\u00e3o que passa nem sempre \u00e9 a mais correcta.\u201d E usou para ilustrar esta ideia um estudo da Reuters que revela que 57% dos portugueses usa as redes sociais como fonte principal de acesso \u00e0s not\u00edcias. No entanto, apenas 26,7% da popula\u00e7\u00e3o confia na informa\u00e7\u00e3o das redes sociais, o que revela \u201cquase uma dicotomia\u201d. \u201cConsumimos muita informa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das redes sociais, mas nem por isso acreditamos nela.\u201d Assim estamos perante uma situa\u00e7\u00e3o de alarme em que as redes sociais s\u00e3o a faca que tanto pode servir para \u201cmatar a fome, ou cortar algu\u00e9m.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u201cponto de alarme\u201d, mostrado por Ivo Neto, revela que neste \u201cmundo novo das redes sociais\u201d as not\u00edcias que n\u00e3o s\u00e3o not\u00edcias, fabricadas com o intuito de \u201cmanipular indiv\u00edduos\u201d, propagam-se mais rapidamente que a informa\u00e7\u00e3o verdadeira. E porqu\u00ea? A resposta \u00e9 simples: as redes vivem \u201csobretudo de emo\u00e7\u00e3o\u201d, os utilizadores s\u00e3o instigados a \u201cmeter <em>like<\/em> e partilhar\u201d, sendo maior parte das vezes descurada a verifica\u00e7\u00e3o daquilo que \u00e9 consumido <em>online<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Mariana Vilas Boas, estudante de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade do Porto, a sua gera\u00e7\u00e3o cresceu \u201cnuma altura em que h\u00e1 muita informa\u00e7\u00e3o\u201d, que chega com facilidade a todos, de forma muito r\u00e1pida, seja a mensagem que passa verdadeira ou falsa. Crescer num \u201cfervilhar de informa\u00e7\u00e3o\u201d, e num mundo onde se \u201cassumem facilmente verdades\u201d, exige que, de forma a separar a desinforma\u00e7\u00e3o da not\u00edcia, haja uma aprendizagem de processamento da mesma, o que para Mariana Vilas Boas \u00e9 essencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 \u00e9 habitual, Manuel Carvalho, director do P\u00daBLICO, abriu a confer\u00eancia salientando a import\u00e2ncia do projecto PSuperior Talks&nbsp;e do tema do debate desta ter\u00e7a-feira, afirmando que este \u00e9 \u201cum dos assuntos mais s\u00e9rios\u201d com que nos confrontamos actualmente. Ant\u00f3nio Sousa Pereira, reitor da Universidade do Porto, aproveitou para referir o \u201cgrande m\u00e9rito\u201d deste projecto na \u201cpromo\u00e7\u00e3o da literacia medi\u00e1tica entre os jovens.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 o quarto debate das PSuperior Talks realizado este ano, tendo j\u00e1 sido realizados outros tr\u00eas cujos temas foram <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2021\/01\/12\/sociedade\/noticia\/ultimos-responsaveis-informacao-consumimos-1946047\">\u201cA comunica\u00e7\u00e3o na era dos algoritmos \u2014 Decides tu ou decidem por n\u00f3s\u201d<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2021\/01\/26\/politica\/noticia\/acabar-desigualdades-evitar-abismo-movimentos-populistas-1948035\">\u201cDemocracia e Estado de Direito: uma rela\u00e7\u00e3o amea\u00e7ada\u201d<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2021\/02\/09\/sociedade\/noticia\/marcas-ajudar-consumidores-pensamento-critico-1949971\">\u201cO poder da Intelig\u00eancia Emocional na publicidade e no marketing\u201d<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><em>(In\u00eas Delgado &#8211; &#8220;P\u00fablico&#8221; 23 fevereiro 2021 &#8211; Texto editado por Rita Ferreira)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2021\/02\/23\/sociedade\/noticia\/desinformacao-perigo-devemos-combater-1951818\">https:\/\/www.publico.pt\/2021\/02\/23\/sociedade\/noticia\/desinformacao-perigo-devemos-combater-1951818<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A palavra desinforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nova, mas parece estar a ganhar cada vez mais relevo neste \u201cnovo mundo das redes sociais.\u201d Como \u00e9 que deixamos de ser convencidos por livres e conformadas opini\u00f5es, criadas por \u201corquestras de persuas\u00e3o\u201d? 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