{"id":20298,"date":"2021-01-30T13:35:53","date_gmt":"2021-01-30T13:35:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=20298"},"modified":"2021-01-30T13:35:56","modified_gmt":"2021-01-30T13:35:56","slug":"o-alentejo-deixou-de-ser-maioritariamente-vermelho-em-2001","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=20298","title":{"rendered":"O Alentejo deixou de ser maioritariamente vermelho em 2001"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00e3o foi Ventura que aglutinou o voto massivo do eleitorado comunista. Tudo aponta para que tenha convencido mais o eleitorado de PS e PSD, que det\u00eam 30 das 43 c\u00e2maras alentejanas \u2014 Carlos Dias, colaborador do &#8220;P\u00fablico&#8221; em Beja, desmonta, com toda a clareza, o mito urbano medi\u00e1tico criado na noite eleitoral das televis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O Alentejo deixou de ser maioritariamente vermelho em 2001<\/h3>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o sobre a origem dos votos dos eleitores alentejanos que \u201cengordaram\u201d a candidatura presidencial do l\u00edder do Chega prossegue nas conversas de rua ou nas redes sociais da regi\u00e3o. Que eleitorado deslocou o seu voto para Andr\u00e9 Ventura, quando, s\u00f3 por detr\u00e1s do anonimato se assume o voto no candidato do \u201ctem avondo\u201d, que significa <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2020\/06\/03\/opiniao\/noticia\/avondo-1919128\">no l\u00e9xico tradicional baixo alentejano: j\u00e1 chega<\/a>. O caracter\u00edstico humor c\u00e1ustico dos baixo-alentejanos fala na cria\u00e7\u00e3o de um movimento espont\u00e2neo de cidad\u00e3os que pretende contrapor ao Chega o \u201ctem avondo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na noite das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, o presidente do PSD, Rui Rio, declarou que Andr\u00e9 Ventura fizera o que o seu partido nunca conseguira alcan\u00e7ar: o fim do dom\u00ednio eleitoral comunista no Alentejo. A afirma\u00e7\u00e3o veio dar ainda mais for\u00e7a ao debate regional, sobretudo por n\u00e3o corresponder \u00e0 verdade desde as elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas de 2001, acto eleitoral que registou o in\u00edcio do decl\u00ednio da maioria comunista na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, o peso absoluto do PCP nos distritos de Beja e \u00c9vora tomou forma logo na sequ\u00eancia das primeiras elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas realizadas em 1976. Neste ano com a sigla FEPU, obteve a maioria absoluta em 24 munic\u00edpios, enquanto o PS contabilizou 16 e o PPD\/PSD apenas um. Nas aut\u00e1rquicas de 1982 a ent\u00e3o APU passou a presidir a 30 c\u00e2maras nos tr\u00eas distritos alentejanos, dom\u00ednio que se manteve inalterado at\u00e9 \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 2001. O PS obteve a maioria em 20 munic\u00edpios e suplantou o PCP com apenas 16, pigmentando o Alentejo de cor-de-rosa. E nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es a \u201checatombe\u201d afectou ainda mais a CDU. Neste momento tem a maioria em 11 munic\u00edpios, o PS soma 26. Os movimentos independentes det\u00eam a gest\u00e3o de quatro munic\u00edpios e o PSD de dois.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi neste universo eleitoral que Andr\u00e9 Ventura veio encontrar o sucesso eleitoral que deixou um lastro de eleitorado ou pesaroso, a reclamar com urg\u00eancia uma coliga\u00e7\u00e3o entre socialistas e comunistas, ou euf\u00f3rico, com a ideia de que \u201cagora \u00e9 que vai\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Analisando o somat\u00f3rio dos votos expressos em Andr\u00e9 Ventura nos 43 concelhos alentejanos, verifica-se que, naqueles com maioria socialista, o candidato do Chega mereceu a prefer\u00eancia de 12.743 eleitores, enquanto nos 11 concelhos de maioria comunista foram contabilizados 7960 votos. Nos concelhos geridos por movimentos independentes (4) a prefer\u00eancia dos eleitores pelo Chega atingiu 3387 votos. No distrito de Portalegre, em tr\u00eas munic\u00edpios de maioria social-democrata, o contributo para a candidatura de Andr\u00e9 Ventura foi de 509 votos. Totalizando: 27.602 eleitores escolheram o candidato do Chega no Alentejo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quantos, deste total, poder\u00e3o ter as hostes comunistas por proveni\u00eancia? Comparando os resultados das candidaturas presidenciais do PCP em 2016 e 2021, verifica-se que, h\u00e1 cinco anos, Edgar Silva obteve no Alentejo 20.911, mais 3904 votos do que os alcan\u00e7ados por Jo\u00e3o Ferreira, que <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/presidenciais-2021\">somou agora 17.007 votos<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Pauzinho, respons\u00e1vel m\u00e1ximo pela Direc\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Regional de Beja (Dorbe) do PCP apresentou ao P\u00daBLICO uma quest\u00e3o para a qual diz estar a aguardar resposta: \u201cPara onde foram os votos de Sampaio da N\u00f3voa, Marisa Matias e de Maria de Bel\u00e9m\u201d nas elei\u00e7\u00f5es de 2016, j\u00e1 que o <em>score\u00a0<\/em>percentual ent\u00e3o alcan\u00e7ado por Edgar Silva foi praticamente mantido em 2021?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O dirigente regional do PCP considera \u201cdesonesto\u201d dizer que os votos dos comunistas transitaram para o candidato do Chega, quando se verificou \u201capenas uma ligeira oscila\u00e7\u00e3o\u201d entre 2026 e 2021, observa. Garantindo que essa desloca\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o se verificou\u201d, sugere que \u201cRui Rio pergunte onde foram lan\u00e7ados os votos de Marisa Matias, os votos de Sampaio da N\u00f3voa e de Maria de Bel\u00e9m\u201d. Retendo-se na vota\u00e7\u00e3o de Marisa Matias, a \u00fanica que se recandidatou, Jo\u00e3o Pauzinho pede que se analise a \u201csubstancial diferen\u00e7a de votos da candidata\u201d apoiada pelo Bloco de Esquerda. Marisa Matias, que obteve, 19.260 votos (11%) no Alentejo em 2016, obteve no \u00faltimo domingo apenas 5108 votos (3,32%) na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Rui Rio, prossegue o respons\u00e1vel do PCP de Beja, \u201cest\u00e1 possu\u00eddo de um anticomunismo prim\u00e1rio\u201d, ao afirmar que o resultado de Ventura se deveu a anteriores eleitores comunistas. \u201c\u00c9 um discurso f\u00e1cil e populista\u201d conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise de Ant\u00f3nio Lu\u00eds Dias, investigador no Instituto de Ci\u00eancias Sociais da Universidade de Lisboa e na Universidade Nova de Lisboa, real\u00e7a o \u201csucesso eleitoral de um fen\u00f3meno da direita radical\u201d que demonstrou ser \u201cum caso com poucos precedentes na nossa hist\u00f3ria.\u201d Debru\u00e7ando-se sobre a percentagem de votos no candidato Andr\u00e9 Ventura, bem como a m\u00e9dia dos resultados eleitorais do PCP e do PSD mais o CDS-PP na \u00faltima d\u00e9cada, Lu\u00eds Dias confirma que o candidato do Chega \u201cteve uma maior propor\u00e7\u00e3o de votos no interior do pa\u00eds, sobretudo no interior alentejano e na regi\u00e3o centro.\u201d Mas alerta que \u201ca tese da transfer\u00eancia de voto comunista no Alentejo para o Chega n\u00e3o parece verificar-se\u201d. De facto, os concelhos alentejanos onde Andr\u00e9 Ventura \u201cencontrou mais apoio s\u00e3o aqueles que, na \u00faltima d\u00e9cada, votavam menos no PCP.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Carlos Dias &#8211; &#8220;P\u00fablico&#8221; 30 janeiro 2021<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2021\/01\/30\/politica\/noticia\/alentejo-deixou-maioritariamente-vermelho-2001-1948600\">https:\/\/www.publico.pt\/2021\/01\/30\/politica\/noticia\/alentejo-deixou-maioritariamente-vermelho-2001-1948600<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o foi Ventura que aglutinou o voto massivo do eleitorado comunista. 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