{"id":19856,"date":"2020-12-02T14:15:07","date_gmt":"2020-12-02T14:15:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=19856"},"modified":"2020-12-02T14:17:43","modified_gmt":"2020-12-02T14:17:43","slug":"ze-tem-la-calma-contigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=19856","title":{"rendered":"Z\u00e9, tem l\u00e1 calma contigo!"},"content":{"rendered":"\n<p>M\u00e3o amiga fez-me chegar um <a href=\"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=19809\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo de Jo\u00e3o Pedro George<\/strong><\/a>, na revista &#8220;S\u00e1bado&#8221;, dedicado ao n\u00famero de apari\u00e7\u00f5es de Jos\u00e9 Rodrigues dos Santos na Informa\u00e7\u00e3o da RTP a prop\u00f3sito dos seus pr\u00f3prios livros. Sem grandes preocupa\u00e7\u00f5es de rigor, JPG contabilizou, nos \u00faltimos anos, 23 interven\u00e7\u00f5es do piv\u00f4 da RTP em programas de Informa\u00e7\u00e3o do canal. Umas mais pequenas, outras substancialmente maiores, incluindo v\u00e1rias presen\u00e7as no programa &#8220;Grande Entrevista&#8221;. <em>(Waldemar Abreu)<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Convenhamos, Z\u00e9 (trato-te assim porque me piscas o olho, o que, em boa verdade, at\u00e9 me daria direito a outro tipo de liberdades&#8230;), parece-me demasiado. Sim, sei bem que nunca deste ordens a jornalistas para que publicitassem os teus livros.&nbsp; Assim como tamb\u00e9m estou certo de que nunca lhes pedirias nada para te promover. Digamos que a coisa decorre do chamado nacional-porreirismo. Dito de outra forma, essa malta, seja l\u00e1 quem for, simpatiza contigo. Seria, portanto, um erro confundir o tempo de antena de que tens beneficiado com o tempo de antena de que, em tempos, beneficiou um labrego que por a\u00ed andou e se serviu da RTP, em v\u00e1rios aspectos, \u00e0 tripa-forra. Mas, meu caro, como bem sabes, tudo o que \u00e9 demais cheira mal.<\/p>\n\n\n\n<p>E tu j\u00e1 levas um bom par de pecadilhos no activo, o que significa que tens propens\u00e3o para carregar nas tintas. Alguns desses pecadilhos at\u00e9 s\u00e3o bem pesados. Como aquele de teres tratado um deputado no feminino. Ou atirares o joelho para cima da mesa de apresenta\u00e7\u00e3o. Num certo sentido, j\u00e1 te sentiste -acho que ainda sentes- o dono disso tudo. \u00c9 um erro.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m tens alguns cr\u00e9ditos no activo. Tenho bem presente, por exemplo, a tua atitude, em 2004, quando foste atropelado por um cami\u00e3o conduzido pela administra\u00e7\u00e3o dessa casa. Em causa, a nomea\u00e7\u00e3o do correspondente em Madrid, tendo sido designada, \u00e0 tua revelia, a jornalista pior classificada em concurso interno. Demitiste-te de director de Informa\u00e7\u00e3o. Fizeste o que poucos, muito poucos, teriam feito no teu lugar. Ou seja, \u00e9s filho de boa gente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Respeitaste, ent\u00e3o, as normas do C\u00f3digo de \u00c9tica e de Conduta da RTP, nos termos do qual &#8220;\u00e9 inadmiss\u00edvel a manuten\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es irregulares ou de favor&#8221;. Revelaste, acima de tudo, respeito por ti pr\u00f3prio. E todos sabemos que aquela nomea\u00e7\u00e3o foi um enorme &#8220;favor&#8221; \u00e0 jornalista designada, por raz\u00f5es que ela l\u00e1 saber\u00e1. Mas os crit\u00e9rios t\u00eam de ser mantidos em todas as situa\u00e7\u00f5es, e muito principalmente quando em causa est\u00e3o situa\u00e7\u00f5es de favor que dizem respeito a n\u00f3s pr\u00f3prios. A ti, neste caso. Bem vistas as coisas, trata-se, apenas, de impores um pouco de bom-senso a essa malta, quanto mais n\u00e3o seja porque h\u00e1 sempre gente de olhos bem abertos.<\/p>\n\n\n\n<p>Aproveito para te sugerir um pouco mais de calma na apresenta\u00e7\u00e3o do Telejornal. Fazes aquilo numa postura de emerg\u00eancia tal que te transfiguras a ti pr\u00f3prio. S\u00f3 me fazes lembrar a batida da m\u00fasica &#8220;Breakthru&#8221;, dos Queen. Ouve-a. E logo me dizes se tenho ou n\u00e3o tenho raz\u00e3o. Tens, por outro lado, de pensar nos telespectadores mais sens\u00edveis. Evita desassosseg\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p>Andas, em v\u00e1rios aspectos, demasiado acelerado. \u00c9 essa pelo menos, a sensa\u00e7\u00e3o que transmites. Z\u00e9, tem l\u00e1 calma contigo! Bem, tenho de reconhecer que desde h\u00e1 uns dias&nbsp;\u2013&nbsp;poucos&nbsp;\u2013&nbsp;&nbsp;andas mais tranquilo na condu\u00e7\u00e3o do Telejornal. Mant\u00e9m-te firme. Caso contr\u00e1rio, em menos de um f\u00f3sforo voltas a acender as luzes rotativas<\/p>\n\n\n\n<p><em>Post scriptum&nbsp;<\/em>\u2013&nbsp;&nbsp; Acabei esta cr\u00f3nica e sentei-me frente ao televisor. M\u00e1 hora. Levei logo com a entrevista \u00e0 mulher do momento. Fiquei envergonhado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Waldemar Abreu &#8211; &#8220;Jornal de Barcelos&#8221;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e3o amiga fez-me chegar um artigo de Jo\u00e3o Pedro George, na revista &#8220;S\u00e1bado&#8221;, dedicado ao n\u00famero de apari\u00e7\u00f5es de Jos\u00e9 Rodrigues dos Santos na Informa\u00e7\u00e3o da RTP a prop\u00f3sito dos seus pr\u00f3prios livros. Sem grandes preocupa\u00e7\u00f5es de rigor, JPG contabilizou, nos \u00faltimos anos, 23 interven\u00e7\u00f5es do piv\u00f4 da RTP em programas de Informa\u00e7\u00e3o do canal. 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