{"id":17319,"date":"2020-01-27T19:05:59","date_gmt":"2020-01-27T19:05:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=17319"},"modified":"2020-01-27T19:06:00","modified_gmt":"2020-01-27T19:06:00","slug":"erc-regista-como-informativo-site-de-desinformacao-e-propaganda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=17319","title":{"rendered":"ERC regista como &#8220;informativo&#8221; site de desinforma\u00e7\u00e3o e propaganda"},"content":{"rendered":"\n<p>Em novembro, a Entidade Reguladora para a Comunica\u00e7\u00e3o Social registou como &#8220;publica\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o geral&#8221; um\u00a0<em>site<\/em>\u00a0que se apresenta como &#8220;jornal di\u00e1rio\u00a0<em>online<\/em>&#8220;, sem qualquer jornalista respons\u00e1vel e que est\u00e1 na lista de &#8220;vigil\u00e2ncia&#8221; do ISCTE para\u00a0<em>sites<\/em>\u00a0de desinforma\u00e7\u00e3o. Solicitada a esclarecer, a ERC n\u00e3o respondeu. <em>(Fernanda C\u00e2ncio)<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Um dos 47&nbsp;<em>sites <\/em><strong>sob vigil\u00e2ncia no\nprojeto&nbsp;<a href=\"https:\/\/ciencia.iscte-iul.pt\/projects\/monitorizacao-de-propaganda-e-desinformacao-nas-redes-sociais\/1190\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Monitoriza\u00e7\u00e3o de propaganda e\ndesinforma\u00e7\u00e3o nas redes sociais<\/a>&nbsp;do Medialab do ISCTE\/Instituto\nUniversit\u00e1rio de Lisboa, e que o soci\u00f3logo Gustavo Cardoso, coordenador do\nMedialab, descreve como &#8220;um&nbsp;<em>site<\/em>&nbsp;de propaganda&#8221;, foi\nregistado em novembro pela Entidade Reguladora para a Comunica\u00e7\u00e3o Social como\n&#8220;publica\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica de informa\u00e7\u00e3o geral&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de&nbsp;<strong>n\u00e3o ter qualquer jornalista entre os\nseus respons\u00e1veis assumidos, o&nbsp;<em>site<\/em>&nbsp;em causa, intitulado\nNot\u00edcias Viriato (NV) e lan\u00e7ado em junho de 2019, apresenta-se<\/strong>&nbsp;como&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.noticiasviriato.pt\/post\/estatuto-editorial-e-ficha-tecnica-viriato\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;um jornal di\u00e1rio&nbsp;<em>online<\/em>&#8221;\ne &#8220;um projeto de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o&#8221;&nbsp;<\/a>e, desde\nnovembro, tamb\u00e9m como &#8220;um \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o social registado na\nERC&#8221;, ostentando assim o registo efetuado pelo regulador como um selo de\ncredibilidade e legitimidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<em>site<\/em>&nbsp;foi ali\u00e1s, como reconhece\na&nbsp;<a href=\"https:\/\/medialab.iscte-iul.pt\/?p=1517\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">an\u00e1lise&nbsp;<\/a>da equipa do Medialab, que a 15\nde janeiro, a pedido do DN, se debru\u00e7ou sobre o NV, &#8220;estruturado como um\n\u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o social&nbsp;<em>online<\/em>, tradicional&#8221;. Os\nconte\u00fados, por\u00e9m, s\u00e3o &#8220;propagand\u00edsticos&#8221;, afirma Gustavo Cardoso, o\ncoordenador do Medialab, que \u00e9 taxativo:&nbsp;<strong>&#8220;O&nbsp;<em>site<\/em>&nbsp;partilha\numa vis\u00e3o ideol\u00f3gica que o afasta de poder ser um \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o social\ntal como \u00e9 entendido pela maioria dos profissionais jornalistas, acad\u00e9micos e\np\u00fablico em geral.&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conte\u00fados do NV foram j\u00e1 por mais de uma vez alvo\nde&nbsp;<em>fact-checking<\/em>&nbsp;pelo&nbsp;<em>site<\/em>&nbsp;especializado\nPol\u00edgrafo e pela sec\u00e7\u00e3o de combate \u00e0s&nbsp;<em>fake news<\/em>&nbsp;do jornal\ndigital&nbsp;<a href=\"http:\/\/https\/observador.pt\/factchecks\/ps-quer-lei-racista-contra-asiaticos-latinos-e-brancos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Observador<\/em>&nbsp;<\/a>; o Medialab j\u00e1 se tinha anteriormente\ndebru\u00e7ado tamb\u00e9m sobre&nbsp;<a href=\"https:\/\/medialab.iscte-iul.pt\/?p=1132\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dois<\/a><a href=\"https:\/\/medialab.iscte-iul.pt\/?p=916\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">conte\u00fados<\/a>&nbsp;do NV, ambos relativos a membros\nda fam\u00edlia Mort\u00e1gua &#8211; num caso, Mariana, a deputada do BE, no outro Camilo, pai\ndesta e da irm\u00e3 e tamb\u00e9m deputada do BE Joana &#8211; considerando que em ambos se\ntratava de &#8220;factos imprecisos&#8221;, colocando um na categoria&nbsp;<em>&#8220;misleading\ncontent&#8221;<\/em>&nbsp;(conte\u00fado enganador) e outro de &#8220;acusa\u00e7\u00f5es n\u00e3o\nfundamentadas&#8221;, categorizando-o como&nbsp;<em>&#8220;false context&#8221;<\/em>&nbsp;(contexto\nfalso) al\u00e9m de&nbsp;<em>&#8220;misleading content&#8221;<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas an\u00e1lises do Medialab, p\u00fablicas, precederam o\nregisto definitivo do&nbsp;<em>site<\/em>&nbsp;pela ERC como&nbsp;<a href=\"https:\/\/docs.google.com\/spreadsheets\/d\/1RgJovmrRKtJVbhtsWLQoUqqnbEZIeYH-n2P4bM_xcEY\/edit#gid=919539303\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;publica\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica de\ninforma\u00e7\u00e3o geral&#8221;<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>&#8220;O\n\u00faltimo basti\u00e3o contra a desinforma\u00e7\u00e3o&#8221;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Mas antes de nos debru\u00e7armos sobre o que define, do\nponto de vista da lei e dos regulamentos, uma &#8220;publica\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o\ngeral&#8221;, e que crit\u00e9rios permitem um registo nesses termos, uma pergunta: a\npartir do momento em que um&nbsp;<em>site<\/em>&nbsp;est\u00e1 registado na ERC com\nessa classifica\u00e7\u00e3o, pode afirmar-se como &#8220;um jornal di\u00e1rio&nbsp;<em>online<\/em>&#8221;\ne &#8220;um \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o social&#8221;?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Leonete Botelho, presidente da Comiss\u00e3o da Carteira\nProfissional de Jornalista, \u00f3rg\u00e3o independente de direito p\u00fablico que certifica\nos jornalistas e partilha com a ERC a fiscaliza\u00e7\u00e3o da observ\u00e2ncia dos\nrespetivos direitos e deveres, vertidos na&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?nid=136&amp;tabela=leis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei do Estatuto de Jornalista<\/a>,\nn\u00e3o hesita: &#8220;N\u00e3o. No nosso entendimento n\u00e3o se pode considerar um jornal,\nporque desde logo tem de ter jornalistas e praticar jornalismo. O mesmo vale\npara o termo &#8216;\u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o social&#8217;.&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas\nesta jornalista do&nbsp;<em>P\u00fablico<\/em>,<strong>&nbsp;primeira profissional do setor a\npresidir \u00e0 CCPJ desde a sua cria\u00e7\u00e3o, em 1995 (anteriores presidentes eram\nju\u00edzes)<\/strong>, admite que&nbsp;<strong>&#8220;a lei e as\nregulamenta\u00e7\u00f5es s\u00e3o completamente confusas e h\u00e1 uma grande desadequa\u00e7\u00e3o aos\ndias de hoje. A legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o responde ao panorama da comunica\u00e7\u00e3o social dos\nnossos tempos e torna muito dif\u00edcil a atua\u00e7\u00e3o dos reguladores. A quest\u00e3o dos\nregistos das publica\u00e7\u00f5es e a sua classifica\u00e7\u00e3o \u00e9 algo que nos preocupa desde o\nprimeiro momento do nosso mandato [iniciado em janeiro de 2019], e j\u00e1 nos\nreunimos com a ERC para discutir este assunto. A grande ambi\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o \u00e9\nque a lei fa\u00e7a a distin\u00e7\u00e3o entre publica\u00e7\u00e3o noticiosa e de informa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas ainda que a defini\u00e7\u00e3o de uma publica\u00e7\u00e3o como\n&#8220;de informa\u00e7\u00e3o geral&#8221; n\u00e3o implique, no entendimento da CCPJ, que se\npossa apresentar como um produto jornal\u00edstico, o que n\u00e3o se espera de certeza \u00e9\nque se trate de um projeto de desinforma\u00e7\u00e3o e propaganda, frisa Gustavo\nCardoso, que considera a confus\u00e3o perigosa.&nbsp;<strong>&#8220;Se eu disser que sou informativo e\ntenho um determinado conjunto de caracter\u00edsticas que s\u00e3o associadas a um\nproduto informativo, as pessoas ficam a pensar que sou um produto de\ninforma\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9 um problema porque pretendo fazer-me passar por uma coisa\nque n\u00e3o sou.&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um problema que se agudiza, evidentemente,\nquando o pr\u00f3prio regulador parece legitimar o logro. Ironia tanto maior,\nsublinha o soci\u00f3logo, quando o NV, que ostenta como mote a frase\n&#8220;resist\u00eancia \u00e0 tirania&#8221; e inclui uma sec\u00e7\u00e3o intitulada\n&#8220;censura&#8221;, se apresenta como &#8220;o \u00faltimo basti\u00e3o contra a\ndesinforma\u00e7\u00e3o&#8221;, apresenta\u00e7\u00e3o que o soci\u00f3logo diz ser comum aos &#8220;<em>sites<\/em>&nbsp;que\ntentam propagandear uma determinada vis\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">&#8220;A desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 uma ferramenta da propaganda&#8221;<\/h3>\n\n\n\n<p>E o que entende Cardoso por<strong>&nbsp;propaganda?\n&#8220;\u00c9 um modo espec\u00edfico sistem\u00e1tico de persuadir visando influenciar com\nfins ideol\u00f3gicos e pol\u00edticos as emo\u00e7\u00f5es, atitudes, opini\u00f5es ou a\u00e7\u00f5es do\np\u00fablico-alvo, cujo uso prim\u00e1rio adv\u00e9m de contexto pol\u00edtico, referindo-se\ngeralmente aos esfor\u00e7os de persuas\u00e3o patrocinados por governos e partidos\npol\u00edticos.&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, prossegue, &#8220;\u00e9\numa ferramenta da propaganda: a utiliza\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o\npara induzir em erro ou dar uma falsa imagem da realidade, mediante a supress\u00e3o\nou a oculta\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, minimiza\u00e7\u00e3o da sua import\u00e2ncia ou modifica\u00e7\u00e3o do\nseu sentido&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, assim, explica, &#8220;<em>sites<\/em>\/p\u00e1ginas\/grupos\nde propaganda que podem conter desinforma\u00e7\u00e3o. E h\u00e1 grupos e p\u00e1ginas que n\u00e3o\nsendo de propaganda acumulam v\u00e1rias fontes e origens de&nbsp;<em>posts<\/em>&nbsp;que\ncont\u00eam propaganda sob a forma de desinforma\u00e7\u00e3o,&nbsp;<em>fake news<\/em>&nbsp;ou outras\nformas de apresenta\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Propaganda e desinforma\u00e7\u00e3o, talvez seja\npreciso repetir, s\u00e3o ant\u00f3nimos de informa\u00e7\u00e3o &#8211; e mais ainda de jornalismo &#8211;\neste implica verifica\u00e7\u00e3o, confronto de vers\u00f5es, ouvir as partes atend\u00edveis,\nseparar factos de opini\u00f5es e atribuir estas, n\u00e3o fazer acusa\u00e7\u00f5es sem provas,\netc. A confus\u00e3o entre estes conceitos e pr\u00e1ticas \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o cada vez\nmaior nos \u00faltimos tempos, sendo vista como um perigo para a democracia. No\ncombate ao fen\u00f3meno \u00e9 suposto estarem, na primeira linha, as institui\u00e7\u00f5es que\nregulam os&nbsp;<em>media<\/em>, como a ERC.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esta\npublicou em abril de 2019 um estudo\/relat\u00f3rio intitulado&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.parlamento.pt\/Documents\/2019\/abril\/desinformacao_contextoeuroeunacional-ERC-abril2019.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;A\ndesinforma\u00e7\u00e3o &#8211; contexto europeu e nacional&#8221;<\/a>, no qual se l\u00ea:\n&#8220;O desenvolvimento do ambiente digital propiciou a prolifera\u00e7\u00e3o de s\u00edtios&nbsp;<\/strong><em><strong>online<\/strong><\/em><strong>&nbsp;e\ncontas em plataformas digitais que apresentam conte\u00fados confund\u00edveis com\ninforma\u00e7\u00e3o noticiosa.&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Grande parte destes s\u00edtios, diz o relat\u00f3rio,&nbsp;<strong>&#8220;apresenta-se\ncomo se de \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social se tratasse, come\u00e7ando pelo nome\nsugestivo. Muitos destes nomes destinam-se a iludir os seus seguidores de que\nos conte\u00fados que partilham consistem em informa\u00e7\u00e3o noticiosa&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por norma, descreve a ERC, esses&nbsp;<em>sites<\/em>&nbsp;&#8220;alimentam\nas suas p\u00e1ginas atrav\u00e9s da partilha de textos de verdadeiros \u00f3rg\u00e3os de\ncomunica\u00e7\u00e3o social, angariam visitas e partilhas, muitas vezes superiores ao\nautor original, gerando elevado tr\u00e1fego nas suas p\u00e1ginas que reverte em\npagamento em publicidade pelo Google e um alcance nas redes sociais que \u00e9\nmedido pelos milhares de partilhas e rea\u00e7\u00f5es que colhem e que os tornam cada\nvez mais vis\u00edveis, ganhando primazia no algoritmo do Facebook e assim atingindo\nainda mais utilizadores (&#8230;). Em conjunto com informa\u00e7\u00e3o partilhada a partir\nde outros s\u00edtios, alguns deles de \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social, difundem\nconte\u00fados manipulados&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma realidade, conclui a ERC, que&nbsp;<strong>&#8220;pode\nlevar os cidad\u00e3os a atribuir credibilidade a entidades que se afastam do valor\nsocial inerente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica, cabendo ao regulador dos&nbsp;<\/strong><em><strong>media<\/strong><\/em><strong>&nbsp;proteger os cidad\u00e3os destes\nconte\u00fados que, aparentando ser not\u00edcias, n\u00e3o o sejam&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Site indicou &#8220;ciganos&#8221; como respons\u00e1veis pela morte de Lu\u00eds\nGiovani<\/h3>\n\n\n\n<p>O Not\u00edcias Viriato parece caber como uma\nluva na descri\u00e7\u00e3o. Desde logo, pelo t\u00edtulo, que inclui a palavra\n&#8220;not\u00edcias&#8221;; assim como pela forma como se apresenta e estrutura, j\u00e1\nreferidas. Mas n\u00e3o s\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria esmagadora dos conte\u00fados &#8211; \u00e0\nexce\u00e7\u00e3o de entrevistas de produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, todas a figuras conotadas com a\ndireita, sobretudo a mais conservadora e nacionalista e mesmo com a\nextrema-direita (o primeiro entrevistado foi o l\u00edder do movimento Nova\nPortugalidade; o l\u00edder do Chega, Andr\u00e9 Ventura, o do PNR, Jos\u00e9 Pinto Coelho,\nassim como o do Partido Pr\u00f3-Vida, e o padre Portocarrero de Almada, conhecido\npelas suas posi\u00e7\u00f5es extremamente conservadoras, s\u00e3o outros dos escolhidos nos\npouco mais de seis meses de exist\u00eancia do&nbsp;<em>site<\/em>) &#8211; s\u00e3o, l\u00ea-se na\nan\u00e1lise do Medialab,&nbsp;<strong>&#8220;tradu\u00e7\u00f5es\/adapta\u00e7\u00f5es de\nartigos de outras fontes, por vezes \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social reconhecidos, outras\nvezes&nbsp;<\/strong><em><strong>websites<\/strong><\/em><strong>&nbsp;com pendor nacionalista e\/ou de\nextrema direita&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m\nde n\u00e3o efetuar uma distin\u00e7\u00e3o clara, no seu&nbsp;<\/strong><em><strong>layout<\/strong><\/em><strong>&nbsp;ou\ndesenho, entre os textos que pretendem ser &#8220;not\u00edcias&#8221; e os que\nassumem ser &#8220;opini\u00e3o&#8221; (para encontrar essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso chegar\nao final dos textos, onde se encontra em letras min\u00fasculas); o Medialab reparou\nque &#8220;a data muito raramente pode ser vista antes da entrada na publica\u00e7\u00e3o,\no que, por exemplo, pode trazer problemas de compreens\u00e3o do espetro temporal\nquando publicados nas redes sociais&#8221; &#8211; e permite que haja conte\u00fados\nreferentes a textos publicados noutros locais, sobretudo estrangeiros, com\nanos, que aparecem como se fossem atuais. Tudo caracter\u00edsticas que o afastam\ndas de um&nbsp;<\/strong><em><strong>site<\/strong><\/em><strong>&nbsp;de\ninforma\u00e7\u00e3o\/noticioso<\/strong>&nbsp;e que propiciam a tal\n&#8220;angaria\u00e7\u00e3o de visitas e partilhas&#8221; que gera &#8220;tr\u00e1fego&#8221;,\nindicada no diagn\u00f3stico da ERC.<\/p>\n\n\n\n<p>E resulta: a p\u00e1gina de Facebook do NV \u00e9 de entre as 47\nmonitorizadas pelo Medialab &#8220;a quinta com mais intera\u00e7\u00f5es (<em>likes<\/em>,\ncoment\u00e1rios e partilhas)&#8221; e tinha sido aquela que mais crescera nos sete\ndias anteriores \u00e0 data de publica\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse pico de aten\u00e7\u00e3o, que o Medialab\nregistou como respondendo a um crescimento de 81,2% nos&nbsp;<em>likes<\/em>&nbsp;na\nsemana de 8 a 15 de janeiro, deveu-se a duas publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira \u00e9 de 9 de janeiro e trata-se de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.noticiasviriato.pt\/post\/rapazes-ciganos-alegadamente-responsaveis-pelo-assassinio-do-cabo-verdiano-luis-giovani\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">um texto&nbsp;<\/a>que\nacusa &#8220;rapazes ciganos&#8221; de responsabilidade na morte do jovem\ncabo-verdiano Lu\u00eds Giovani em Bragan\u00e7a (sem qualquer consubstancia\u00e7\u00e3o para tal\na n\u00e3o ser a cita\u00e7\u00e3o de um&nbsp;<em>post<\/em>&nbsp;num blogue, que\npor sua vez n\u00e3o cita qualquer fonte).<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda, e que mais intera\u00e7\u00f5es granjeou,\n\u00e9 a<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/watch\/?v=2575016816153233\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;partilha&nbsp;<\/a>de\num v\u00eddeo no qual quem se apresenta como propriet\u00e1rio e diretor do NV, um jovem\nde 20 anos de nome Ant\u00f3nio Pedro Cl\u00e1udio Abreu, surge na marcha de homenagem a\nGiovani em Lisboa, ocorrida a 11 de janeiro, em alegada &#8220;reportagem&#8221;,\ndurante a qual repete essa acusa\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica, interpelando duas pessoas &#8211; o\ndirigente do SOS Racismo Mamadou Ba e um jornalista da RTP -, \u00e0s quais pergunta&nbsp;<strong>&#8220;porque\n\u00e9 que quando soube que foram ciganos n\u00e3o noticiou? Porque \u00e9 que quando eram\nbrancos andavam a\u00ed a reportar, e quando s\u00e3o ciganos j\u00e1 n\u00e3o reportam? N\u00e3o acha\nque isso \u00e9 racismo contra brancos?&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">&#8220;A comunica\u00e7\u00e3o social dominante oculta a identidade de\ncriminosos&#8221;<\/h3>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 sabido, no momento em que estas\nafirma\u00e7\u00f5es\/acusa\u00e7\u00f5es foram feitas ainda n\u00e3o tinham sido identificados quaisquer\nsuspeitos pela morte de Lu\u00eds Giovani; a situa\u00e7\u00e3o mudou entretanto, com o\nan\u00fancio da deten\u00e7\u00e3o, a 17 de janeiro, de cinco homens, indiciados por homic\u00eddio\nqualificado, e com a afirma\u00e7\u00e3o, pela Pol\u00edcia Judici\u00e1ria, de que&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.dn.pt\/pais\/ex-inspetor-e-lider-de-comissao-das-vitimas-atribuiu-crime-a-ciganos-na-tv-pj-desmente--11718007.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;n\u00e3o se trata\nde um grupo de ciganos&#8221;<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, a entrada no NV que imputa a\nresponsabilidade pela morte de Giovani a &#8220;rapazes ciganos&#8221; continuou&nbsp;<em>online<\/em>,\nsem qualquer retifica\u00e7\u00e3o ou nota, at\u00e9 22 de janeiro, quando foi publicado um\ntexto intitulado &#8220;<a href=\"https:\/\/www.noticiasviriato.pt\/post\/correcao-e-pedido-de-desculpas-sobre-a-noticia-dos-responsaveis-pelo-homicidio-de-luis-giovani\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Corre\u00e7\u00e3o e pedido de\ndesculpas sobre a not\u00edcia dos respons\u00e1veis pelo homic\u00eddio de Lu\u00eds Giovani&#8221;<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Insistindo assim em apelidar de\n&#8220;not\u00edcia&#8221; o que n\u00e3o era mais do que a c\u00f3pia de um texto de um blogue,\na &#8220;corre\u00e7\u00e3o&#8221; volta a tomar como refer\u00eancia um texto no mesmo sentido\npublicado nesse dia no referido blogue, que descreve como &#8220;conhecido e\nreputado blogue informativo, uma refer\u00eancia maior a n\u00edvel nacional&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Da\u00ed que, argumenta-se, &#8220;o Not\u00edcias Viriato\npartilhou as suas informa\u00e7\u00f5es e alega\u00e7\u00f5es, em nome da confian\u00e7a depositada no\nseu autor e no rigor dos factos que dispunha e conhecia na altura, e nada\nmais&#8221;. Que rigor e que factos n\u00e3o identifica, mas assegura:&nbsp;<strong>&#8220;Nunca\nfoi a nossa inten\u00e7\u00e3o publicar informa\u00e7\u00e3o errada e, por isso, lamentamos a\nperturba\u00e7\u00e3o gerada e pedimos as mais profundas desculpas aos visados e aos\nleitores. (&#8230;) O Not\u00edcias Viriato tem sete meses de vida e esta foi a nossa\nprimeira partilha de informa\u00e7\u00e3o errada, e, como tal, fazemos a devida\nretrata\u00e7\u00e3o e pedido de desculpas, como iremos fazer sempre que falharmos.&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/watch\/?v=2575016816153233\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>post&nbsp;<\/em>no\nFacebook<\/a>&nbsp;em que partilha o v\u00eddeo da &#8220;reportagem&#8221; na\nmarcha de Giovani e no qual repete a imputa\u00e7\u00e3o a &#8220;ciganos&#8221;, por\u00e9m,\nn\u00e3o existe qualquer nota, corre\u00e7\u00e3o ou pedido de desculpas. T\u00e3o-pouco h\u00e1 alguma\nnota ou pedido de desculpas no texto de 15 de janeiro publicado no NV, e tamb\u00e9m\npartilhado no Facebook,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.noticiasviriato.pt\/post\/esclarecimento-do-criador-do-noticias-viriato\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">no qual&nbsp;<\/a>reage\n\u00e0 pol\u00e9mica criada nas redes sociais pelo referido v\u00eddeo, pol\u00e9mica essa\nsuscitada n\u00e3o s\u00f3 pela imputa\u00e7\u00e3o do crime a &#8220;ciganos&#8221; mas tamb\u00e9m pela\nforma como abordou Mamadou Ba e o jornalista da RTP e por se apresentar como\n&#8220;rep\u00f3rter&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.noticiasviriato.pt\/post\/esclarecimento-do-criador-do-noticias-viriato\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">rea\u00e7\u00e3o<\/a>, o\nNV afirma:&nbsp;<strong>&#8220;A comunica\u00e7\u00e3o social dominante n\u00e3o pode nem deve\nocultar informa\u00e7\u00e3o de acordo com agendas ideol\u00f3gicas. Os jornais, televis\u00f5es e\nr\u00e1dio, cumprindo as recomenda\u00e7\u00f5es da Comiss\u00e3o para a Igualdade e contra a\nDiscrimina\u00e7\u00e3o Racial, com o objetivo de &#8216;diminuir o racismo&#8217; ocultando as\nidentidades de criminosos, apenas est\u00e3o a criar mais conflito e divis\u00e3o racial.\nO Not\u00edcias Viriato recusa ignorar a verdade e n\u00e3o participa nesta fraude\njornal\u00edstica.&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio do texto, l\u00ea-se: &#8220;O\nNot\u00edcias Viriato \u00e9 um jornal&nbsp;<em>online<\/em>&nbsp;registado na\nEntidade Reguladora da Comunica\u00e7\u00e3o Social com o n\u00famero 127352.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Sublinhe-se que no relat\u00f3rio citado,\npublicado em abril, o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.dn.pt\/lusa\/fake-news-regulador-da-comunicacao-propoe-criar-lista-de-sites-e-sugere-sancoes-10770777.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">regulador\ndefende&nbsp;<\/a><strong>&#8220;a consagra\u00e7\u00e3o de norma espec\u00edfica\nque adote (&#8230;) uma defini\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o e que preveja a sua ilicitude\nquando relacionada com a viola\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios e valores essenciais (dignidade\nda pessoa humana, igualdade, n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e ordem p\u00fablicas,\nsa\u00fade p\u00fablica, entre outros)&#8221;. Sugere-se ainda que possam ser criadas\n&#8220;listas de sites ou p\u00e1ginas comprovadamente de not\u00edcias falsas,\nsuscet\u00edveis de serem confundidos com \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social&#8221;, e que&nbsp;se\ncrie um &#8220;selo identificativo&#8221; a atribuir aos <\/strong><strong>&#8220;novos media&#8221; para que o p\u00fablico os possa\n&#8220;identificar como uma fonte de conhecimento diferenciada&#8221;<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Exigir deveres jornal\u00edsticos a\npublica\u00e7\u00f5es sem jornalistas?<\/strong><strong><\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Naturalmente,<strong>&nbsp;o DN tentou saber junto da ERC\nquais os crit\u00e9rios que usa para atribuir o registo de &#8220;publica\u00e7\u00e3o de\ninforma\u00e7\u00e3o geral&#8221; e de que forma se assegura de que n\u00e3o est\u00e1 a legitimar\nos mesm\u00edssimos&nbsp;<\/strong><em><strong>sites<\/strong><\/em><strong>&nbsp;de desinforma\u00e7\u00e3o que quer\ncombater, questionando tamb\u00e9m o regulador sobre se recebera queixas relativas\nao NV. O primeiro pedido, consistindo numa s\u00e9rie de perguntas (enviadas por\nescrito a pedido do regulador), data de 15 de janeiro; o segundo, tamb\u00e9m por\nescrito, de 21. N\u00e3o houve qualquer resposta at\u00e9 ao fecho deste texto.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Olhemos ent\u00e3o para o enquadramento legal,\no qual, como j\u00e1 vimos, a presidente da Comiss\u00e3o da Carteira reputa de\n&#8220;confuso e desadequado \u00e0 atualidade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A lei (<a href=\"http:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?nid=138&amp;tabela=leis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">de Imprensa<\/a>)\nestabelece a exist\u00eancia de &#8220;empresas noticiosas&#8221; &#8211; &#8220;as que t\u00eam\npor objeto principal a recolha e a distribui\u00e7\u00e3o de not\u00edcias, coment\u00e1rios ou\nimagens&#8221;- e de &#8220;publica\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias e informativas&#8221;. No\nprimeiro caso, trata-se daquelas que, &#8220;pelo conte\u00fado ou perspetiva de\nabordagem, visem predominantemente divulgar qualquer ideologia ou credo\nreligioso&#8221;. As segundas s\u00e3o &#8220;as que visem predominantemente a difus\u00e3o\nde informa\u00e7\u00f5es ou not\u00edcias&#8221;. Nestas, distingue entre as &#8220;de\ninforma\u00e7\u00e3o geral&#8221;, que &#8220;tenham por objeto predominante a divulga\u00e7\u00e3o\nde not\u00edcias ou informa\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter n\u00e3o especializado&#8221;, e as\nespecializadas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 mais nada que permita distinguir entre\npublica\u00e7\u00f5es de informa\u00e7\u00e3o geral e publica\u00e7\u00f5es noticiosas. Pelo contr\u00e1rio at\u00e9,\nj\u00e1 que para o registo de publica\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o geral se exige, al\u00e9m do\npagamento de emolumentos e da refer\u00eancia do nome, morada, NIF, telefone e&nbsp;<em>e-mail<\/em>&nbsp;de\num indiv\u00edduo ou empresa,&nbsp;<strong>a exist\u00eancia de um estatuto editorial\nque &#8220;defina claramente a sua [da publica\u00e7\u00e3o] orienta\u00e7\u00e3o e os seus\nobjetivos e inclua o compromisso de assegurar o respeito pelos princ\u00edpios\ndeontol\u00f3gicos e pela \u00e9tica profissional dos jornalistas, assim como pela boa-f\u00e9\ndos leitores&#8221;<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta exig\u00eancia parece implicar n\u00e3o s\u00f3 que\n\u00e9 suposto haver jornalistas respons\u00e1veis pela publica\u00e7\u00e3o &#8220;de informa\u00e7\u00e3o\ngeral&#8221; como que est\u00e1 em causa a produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica &#8211; ou\nseja, de acordo com as regras que regem a profiss\u00e3o, e que est\u00e3o vertidas na\nlei do&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?nid=136&amp;tabela=leis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estatuto de\nJornalista<\/a>. De outro modo n\u00e3o faria sentido exigir &#8220;o respeito\npelos princ\u00edpios deontol\u00f3gicos e pela \u00e9tica profissional dos jornalistas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">&#8220;N\u00e3o podemos negar carteira por viola\u00e7\u00f5es deontol\u00f3gicas antes da concess\u00e3o\nda mesma&#8221;<\/h3>\n\n\n\n<p>No que respeita ao caso concreto do\nNot\u00edcias Viriato, a exist\u00eancia desta exig\u00eancia deveria, \u00e0 partida,\nimpossibilitar o registo, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 jornalistas respons\u00e1veis pela\npublica\u00e7\u00e3o &#8211; como se deixa claro na&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.noticiasviriato.pt\/post\/bemvindoaonoticiasviriato\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">apresenta\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;do\nsite, a 10 de junho de 2019:&nbsp;<strong>&#8220;Somos jovens portugueses sem\nforma\u00e7\u00e3o em jornalismo, mas conscientes e conhecedores dos seus princ\u00edpios,\nmecanismos, t\u00e9cnicas e regras b\u00e1sicas fundamentais, empenhados em desenvolver e\naperfei\u00e7oar todas estas dimens\u00f5es, no sentido de oferecer gradualmente a melhor\nqualidade que nos for possivel a todas as \u00e1reas deste projecto.&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas, como sabemos, o registo n\u00e3o foi\nrecusado. Na verdade, o que se passou foi o inverso:&nbsp;<strong>a\npartir do momento em que o&nbsp;<\/strong><em><strong>site<\/strong><\/em><strong>&nbsp;obteve o registo, tal deu\nlegitimidade ao seu diretor\/autor para requerer, invocando a sua condi\u00e7\u00e3o de\n&#8220;diretor&#8221;, o t\u00edtulo de &#8220;equiparado a jornalista&#8221; \u00e0 Comiss\u00e3o\nda Carteira Profissional de Jornalista.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os princ\u00edpios deontol\u00f3gicos e a \u00e9tica\nprofissional dos jornalistas obrigam n\u00e3o s\u00f3 a&nbsp;<strong>&#8220;informar com rigor e isen\u00e7\u00e3o,\nrejeitando o sensacionalismo e demarcando claramente os factos da\nopini\u00e3o&#8221;, como a &#8220;abster-se de formular acusa\u00e7\u00f5es sem provas e\nrespeitar a presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia&#8221;. O jornalista deve tamb\u00e9m\n&#8220;proceder \u00e0 retifica\u00e7\u00e3o das incorre\u00e7\u00f5es ou imprecis\u00f5es que lhes sejam\nimput\u00e1veis&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil concluir que os conte\u00fados\nproduzidos pelo NV violam todas estas regras.&nbsp;<\/strong>Por\noutro lado, se \u00e9 crime de usurpa\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es algu\u00e9m apresentar-se e trabalhar\ncomo jornalista sem estar munido da carteira profissional, a exist\u00eancia de um\npedido pendente na CCPJ &#8211; \u00e9 o caso, como confirma ao DN a respetiva presidente\n&#8211; permite que se possa faz\u00ea-lo. Mais uma pescadinha de rabo na boca, como a do\nregisto que exige obriga\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas a quem n\u00e3o as pode exigir permitindo\nno entanto que passe a t\u00ea-las ao pedir a carteira.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se descal\u00e7am botas destas?<strong>&nbsp;Leonete\nBotelho garante que a CCPJ &#8220;j\u00e1 recusou carteiras porque consideramos que\nas publica\u00e7\u00f5es a que se referem n\u00e3o s\u00e3o jornal\u00edsticas. Tentamos verificar em\nconcreto o tipo de publica\u00e7\u00e3o e as fun\u00e7\u00f5es da pessoa&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o podendo falar do caso espec\u00edfico,\nexplica que o procedimento passar\u00e1 por&nbsp;<strong>&#8220;fazer perguntas de maneira a que possamos\nter uma decis\u00e3o de acordo com a lei. O que n\u00e3o podemos fazer, porque n\u00e3o est\u00e1\nprevisto em lado nenhum, \u00e9 negar carteiras profissionais por viola\u00e7\u00e3o de\ndeveres deontol\u00f3gicos antes da concess\u00e3o da carteira&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Morada de site \u00e9 apartamento vazio<\/h3>\n\n\n\n<p>E a ERC pode &#8220;desregistar&#8221; um&nbsp;<em>site<\/em>&nbsp;se\nchegar \u00e0 conclus\u00e3o de que ele infringiu as normas e se insere no grupo dos que\ndescreve no seu relat\u00f3rio sobre desinforma\u00e7\u00e3o? Exigindo a lei que as\npublica\u00e7\u00f5es estejam registadas para poderem existir, significaria tal que o&nbsp;<em>site<\/em>&nbsp;teria\nde fechar, ou bastaria mudar de nome e deixar de se apresentar com um t\u00edtulo\nque remeta para a ideia de informa\u00e7\u00e3o? \u00c9 que existe uma s\u00e9rie de&nbsp;<em>sites<\/em>&nbsp;de\npropaganda e desinforma\u00e7\u00e3o com conte\u00fados semelhantes e n\u00e3o consta que a ERC\nlhes tenha dado ordem de encerramento &#8211; ou, como foi o caso com o NV, os&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/noticiasviriato\/photos\/a.630358184105232\/670266646781052\/?type=1&amp;theater\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">tenha contactado\npara os convidar a registarem-se<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, do que o DN conseguiu\nperceber, o registo \u00e9 sobretudo um ato burocr\u00e1tico, que assumir\u00e1 como\nverdadeiras as informa\u00e7\u00f5es prestadas por quem o requer e n\u00e3o passa por uma\nverdadeira an\u00e1lise de conte\u00fados &#8211; n\u00e3o havendo ap\u00f3s a concess\u00e3o qualquer cuidado\nem verificar se a publica\u00e7\u00e3o observa o tal &#8220;respeito pela boa-f\u00e9 dos\nleitores&#8221; e pelas normas \u00e9ticas do jornalismo que se exige \u00e0 partida. Todo\no processo fiscalizador passar\u00e1 sobretudo por participa\u00e7\u00f5es ou queixas.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de a ERC n\u00e3o ter respondido \u00e0\npergunta do DN sobre a exist\u00eancia ou n\u00e3o de participa\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao NV,\noficiosamente o jornal soube que elas existiram; houve por exemplo quem tivesse\ncontactado o departamento de transpar\u00eancia dos&nbsp;<em>media<\/em>&nbsp;por n\u00e3o ter\nencontrado o NV na respetiva base de dados, e onde \u00e9 suposto encontrar a\nidentifica\u00e7\u00e3o da estrutura acionista das publica\u00e7\u00f5es, que tem de ser comunicada\nao regulador.<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<a href=\"https:\/\/dre.pt\/web\/guest\/home\/-\/dre\/69889523\/details\/maximized?p_auth=9G3Md4SZ\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">lei&nbsp;<\/a>especifica\nainda em termos de transpar\u00eancia que tem de ser&nbsp;<strong>&#8220;comunicada \u00e0 ERC a informa\u00e7\u00e3o\nrelativa aos principais fluxos financeiros para a gest\u00e3o das entidades\nabrangidas&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m,&nbsp;<strong>&#8220;esta obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas aplic\u00e1vel\n\u00e0s entidades que estejam obrigadas a ter contabilidade organizada de acordo com\no normativo contabil\u00edstico aplic\u00e1vel ou por for\u00e7a de outras disposi\u00e7\u00f5es legais\nem vigor&#8221;, e s\u00f3 a partir de fluxos financeiros superiores a 200 mil euros\na declara\u00e7\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como o&nbsp;<em>site<\/em>&nbsp;NV, cujo dom\u00ednio,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.noticiasviriato.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">noticiasviriato.pt<\/a>&nbsp;,\nfoi criado a 28 de Janeiro de 2019 \u00e0s 11 horas e quatro minutos na plataforma\nWix,<strong>&nbsp;est\u00e1\nregistado em nome de uma pessoa singular &#8211; o j\u00e1 referido Ant\u00f3nio Pedro Cl\u00e1udio\nAbreu, um estudante universit\u00e1rio de 20 anos &#8211; n\u00e3o est\u00e1 obrigado a\ncontabilidade organizada. No caso n\u00e3o h\u00e1 pois transpar\u00eancia. Ali\u00e1s a sua falta\n\u00e9 tal que a morada apresentada no&nbsp;<\/strong><em><strong>site<\/strong><\/em><strong>&nbsp;como sendo a respetiva sede &#8211; Rua\nAnt\u00f3nio Batalha Reis, n.\u00ba 5, 1.\u00ba esquerdo, em Torres Vedras &#8211; corresponde a um\napartamento que se encontra&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.imovirtual.com\/anuncio\/exclusivamente-para-si-t4-na-cidade-ID10O2J.html?utm_source=mitula&amp;utm_medium=cpc&amp;utm_campaign=replies_regionhttps:\/\/www.nestoria.pt\/rua-antonio-batalha-reis\/apartamentos\/vender#&amp;gid=1&amp;pid=7\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">vazio e \u00e0 venda<\/a>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, de acordo com a p\u00e1gina da ERC, mais de\nduas mil publica\u00e7\u00f5es registadas (<a href=\"http:\/\/www.erc.pt\/pt\/noticias\/2466-ocs-registados-na-erc-no-fecho-de\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">2466 no fecho de\n2019<\/a>). Destas, 1725 como publica\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas, a maioria das quais\ncomo &#8220;de informa\u00e7\u00e3o&#8221;. Quantas estar\u00e3o na mesma situa\u00e7\u00e3o que o NV?<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fernanda C\u00e2ncio \u2013 \u201cDi\u00e1rio de Not\u00edcias\u201d 26\njaneiro 2020<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em novembro, a Entidade Reguladora para a Comunica\u00e7\u00e3o Social registou como &#8220;publica\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o geral&#8221; um\u00a0site\u00a0que se apresenta como &#8220;jornal di\u00e1rio\u00a0online&#8220;, sem qualquer jornalista respons\u00e1vel e que est\u00e1 na lista de &#8220;vigil\u00e2ncia&#8221; do ISCTE para\u00a0sites\u00a0de desinforma\u00e7\u00e3o. Solicitada a esclarecer, a ERC n\u00e3o respondeu. (Fernanda C\u00e2ncio)<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[18],"tags":[],"class_list":["post-17319","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17319","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17319"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17319\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17319"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17319"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17319"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}