{"id":15349,"date":"2018-09-05T06:41:42","date_gmt":"2018-09-05T05:41:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=15349"},"modified":"2018-09-05T06:43:42","modified_gmt":"2018-09-05T05:43:42","slug":"das-razoes-para-o-diario-de-noticias-fechar-as-portas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=15349","title":{"rendered":"Das raz\u00f5es para o &#8220;Di\u00e1rio de Not\u00edcias&#8221; fechar as portas"},"content":{"rendered":"<p>A crise da ind\u00fastria da imprensa, impropriamente designada de crise do jornalismo, tem causas e dimens\u00f5es diversas, que variam em fun\u00e7\u00e3o dos mercados. \u00c9 um campo de an\u00e1lise interessante, mas n\u00e3o vejo em Portugal nenhum debate que incida sobre os factores espec\u00edficos da &#8220;crise&#8221; nacional, Administra\u00e7\u00f5es e direc\u00e7\u00f5es editoriais brindam-nos com ladainhas sobre os efeitos da Internet, a atrac\u00e7\u00e3o do p\u00fablico por novas plataformas, mas n\u00e3o soltam uma palavra sobre a sua responsabilidade directa na sangria permanente das vendas e na queda geral das tiragens dos di\u00e1rios para n\u00edveis catastr\u00f3ficos, sem paralelo na Europa. O &#8220;Di\u00e1rio de Not\u00edcias&#8221; \u00e9 o exemplo mais recente de um comboio a caminho do desastre, com a sua c\u00fapula administrativa e editorial a desempenhar o papel de orquestra do Titanic. <strong><em>(JAG)<\/em><\/strong><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O valor das vendas do &#8220;DN&#8221; baixou tanto que se tornou economicamente invi\u00e1vel a edi\u00e7\u00e3o em papel. A administra\u00e7\u00e3o tomou a medida mais f\u00e1cil e eliminou o papel em seis dias da semana, mantendo, por uma quest\u00e3o de prest\u00edgio, a edi\u00e7\u00e3o dominical e uma edi\u00e7\u00e3o di\u00e1ria em linha. Olho para a estrutura produtiva do &#8220;DN&#8221; e pergunto-me se algu\u00e9m pensa que \u00e9 poss\u00edvel sustent\u00e1-la com base numa edi\u00e7\u00e3o digital.<\/p>\n<p>Os conte\u00fados evoluiram na direc\u00e7\u00e3o de um magazine digital, op\u00e7\u00e3o que n\u00e3o corresponde \u00e0s necessidades do mercado portugu\u00eas e que exige outro f\u00f4lego tanto da direc\u00e7\u00e3o como da redac\u00e7\u00e3o. Os constrangimentos associados ao investimento implicam uma orienta\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica paralela, repartida entre o notici\u00e1rio pol\u00edtico e econ\u00f3mico. A opini\u00e3o, seguindo um historial de anos, continua a ser, nas quest\u00f5es estruturais, militantemente de direita, num mercado em que todos os concorrentes afinam pelo mesmo diapas\u00e3o.<\/p>\n<p>Faz-me lembrar o cen\u00e1rio da ind\u00fastria do tomate em Portugal nos anos 60 do s\u00e9culo XX, quando, perante o sucesso do neg\u00f3cio, mil f\u00e1bricas floriram. Em breve se chegou a um tempo em que a capacidade industrial instalada era superior \u00e0 da capacidade produtiva agr\u00edcola. Resultado: alguns tiveram que ficar pelo caminho.&nbsp;<\/p>\n<p>O mesmo acontece, inevitavelmente, num mercado de imprensa povoado, em exclusivo, por jornais de direita. Alguns t\u00eam que ficar pelo caminho. Com a agravante, espantosa, de isso acontecer num universo eleitoral que vota \u00e0 esquerda.<\/p>\n<p>Sem entrar nas raz\u00f5es concretas (algumas t\u00e9cnicas) que, tarde ou cedo, a manter-se a orienta\u00e7\u00e3o do jornal, levar\u00e3o o &#8220;DN&#8221; a fechar as portas, n\u00e3o posso deixar de chamar a aten\u00e7\u00e3o para uma raz\u00e3o que contribui em larga escala para esse desenlace.<\/p>\n<p>Os leitores podem estar mais ou menos de acordo com opini\u00f5es publicadas nos jornais. \u00c9, mesmo, poss\u00edvel que continuem a comprar um jornal onde leiam opini\u00f5es de que discordam, se considerarem que s\u00e3o opini\u00f5es respeit\u00e1veis, informadas e inteligentes. Mas o que os leitores n\u00e3o suportam \u00e9 ver, num jornal que compram para obter informa\u00e7\u00e3o, opini\u00f5es desfasadas da realidade \u2014 quando n\u00e3o ao arrepio da realidade \u2014, mentirosas e propagand\u00edsticas. Essa viola\u00e7\u00e3o da \u00e9tica profissional tem sempre um custo. Quando acumulado, esse custo tem sempre um resultado: o leitor n\u00e3o \u00e9 parvo e desiste do jornal.<\/p>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o de hoje, uma directora-adjunta do &#8220;DN&#8221; que se tem distinguido, ao longo do tempo, por textos de opini\u00e3o antisindicalistas e politicamente enviesados assina uma redac\u00e7\u00e3o intitulada <strong><a href=\"https:\/\/www.dn.pt\/opiniao\/opiniao-dn\/joana-petiz\/interior\/das-razoes-para-a-esquerda-voltar-a-oposicao-9802688.html\">&#8220;Das raz\u00f5es para a esquerda voltar \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o&#8221;<\/a><\/strong>.&nbsp; \u00c9 dif\u00edcil dizer o que \u00e9 pior: a falsidade dos factos ou a pobreza da escrita. Mas do que n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida \u00e9 de que \u00e9 mais um contributo para o &#8220;DN&#8221; fechar as portas.&nbsp;<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Alferes Gon\u00e7alves<\/p>\n<p>5 setembro 2018<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise da ind\u00fastria da imprensa, impropriamente designada de crise do jornalismo, tem causas e dimens\u00f5es diversas, que variam em fun\u00e7\u00e3o dos mercados. \u00c9 um campo de an\u00e1lise interessante, mas n\u00e3o vejo em Portugal nenhum debate que incida sobre os factores espec\u00edficos da &#8220;crise&#8221; nacional, Administra\u00e7\u00f5es e direc\u00e7\u00f5es editoriais brindam-nos com ladainhas sobre os efeitos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[],"class_list":["post-15349","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-headline"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15349","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=15349"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15349\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=15349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=15349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=15349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}