{"id":11293,"date":"2015-05-21T12:18:42","date_gmt":"2015-05-21T11:18:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=11293"},"modified":"2015-05-21T12:18:42","modified_gmt":"2015-05-21T11:18:42","slug":"algo-parece-mudar-no-comentario-politico-da-rtp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubedejornalistas.pt\/?p=11293","title":{"rendered":"Algo parece mudar no coment\u00e1rio pol\u00edtico da RTP"},"content":{"rendered":"<p>Finalmente, algo parece mover-se no panorama do coment\u00e1rio pol\u00edtico televisivo. Paulo Dentinho, novo director de Informa\u00e7\u00e3o da RTP, decidiu, e bem, abanar o charco f\u00e9tido de ex-dirigentes partid\u00e1rios travestidos de comentadores isentos. Acabam os pol\u00edticos residentes e a partir do dia 28 arranca um programa de novo tipo. Esperemos para ver.<br \/>\nA sem vergonha tem sido tal que nas generalistas TVI, SIC e RTP os comentadores residentes s\u00e3o apenas figuras de proa do PSD: Marcelo, Mendes e Sarmento. Para se perceber a aberra\u00e7\u00e3o: as generalistas t\u00eam audi\u00eancias de centenas de milhares de espectadores cada; os canais de informa\u00e7\u00e3o por cabo t\u00eam audi\u00eancias de 30 a 50 mil pessoas. Mas nos canais por cabo a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 igualmente pat\u00e9tica: vende-se sem cerim\u00f3nia gato por lebre permitindo que chusmas de pol\u00edticos travestidos de comentadores joguem o jogo sujo de fazer propaganda mascarada de informa\u00e7\u00e3o. Beneficiando sempre quem est\u00e1 no poder. <em>(Ribeiro Cardoso)<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>Debate pol\u00edtico volta \u00e0 RTP1 &#8220;aberto a todos os partidos&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>O jornalista Carlos Daniel \u00e9 o rosto de \u201cAs Palavras e os Actos\u201d, que se estreia na antena do canal p\u00fablico no dia 28 \u00e0s 20.45<\/p>\n<p>&#8220;Estamos perfeitamente \u00e0 vontade para ter representa\u00e7\u00f5es das diferentes for\u00e7as partid\u00e1rias, n\u00e3o nos esquecendo das novas for\u00e7as que est\u00e3o a emergir.&#8221; \u00c9 desta forma que Paulo Dentinho, director de Informa\u00e7\u00e3o da RTP, come\u00e7a por explicar o objectivo do novo programa de debate pol\u00edtico do canal do Estado, acrescentando: &#8220;Poder\u00e3o estar em est\u00fadio pessoas fora da l\u00f3gica meramente pol\u00edtico-partid\u00e1ria, como comentadores pol\u00edticos, jornalistas, analistas&#8230;&#8221; A decis\u00e3o de n\u00e3o contar com um grupo de comentadores residente, como aconteceu no passado, afian\u00e7a o respons\u00e1vel, &#8220;d\u00e1 mais trabalho, mas acaba por ser mais estimulante&#8221;.<\/p>\n<p>Carlos Daniel \u00e9 o rosto escolhido para moderar \u201cAs Palavras e os Atos\u201d, por ser &#8220;uma das grandes refer\u00eancias com provas dadas em variad\u00edssimas \u00e1reas e uma pessoa com uma grande capacidade para distribuir jogo&#8221;. &#8220;No fundo, \u00e9 isso que est\u00e1 em causa neste programa&#8221;, explica Dentinho. Questionado sobre que rostos gostaria de ver no seu programa, Carlos Daniel \u00e9 perempt\u00f3rio: &#8220;Gostava que fosse poss\u00edvel num pa\u00eds como o nosso, que n\u00e3o \u00e9 grande, cruzar a opini\u00e3o daqueles que n\u00e3o s\u00e3o eleitos com a luz daqueles que fazem opini\u00e3o. Acho que era interessante se consegu\u00edssemos isso&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>Em ano de elei\u00e7\u00f5es, o jornalista, que \u00e9 tamb\u00e9m piv\u00f4 de Jornal da Tarde, n\u00e3o esconde que acaba por ser &#8220;ainda mais estimulante&#8221; moderar um formato como estes. &#8220;\u00c9 um ano importante, em que os portugueses v\u00e3o ter oportunidade de definir o rumo que querem para o pa\u00eds&#8221;, conclui Carlos Daniel.<\/p>\n<p><em>Tiago Henriques &#8211; &#8220;DN&#8221; 19 maio 2015<\/em><\/p>\n<p><strong>O imp\u00e9rio dos comentadores onde quem manda s\u00e3o os pol\u00edticos<\/strong><\/p>\n<p>A crise trouxe d\u00favidas novas sobre a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e a actua\u00e7\u00e3o dos pol\u00edticos. As televis\u00f5es portuguesas responderam com muitos comentadores, mas quase todos pol\u00edticos, no activo ou com fun\u00e7\u00f5es suspensas.<\/p>\n<p>Se aos quatro canais generalistas se juntarem os canais de informa\u00e7\u00e3o portugueses no cabo (RTP Informa\u00e7\u00e3o, SIC Not\u00edcias e TVI24), \u00e9 poss\u00edvel assistir a 69 horas de coment\u00e1rio pol\u00edtico por semana. O equivalente a quase tr\u00eas dias completos em frente \u00e0 televis\u00e3o. Marcelo Rebelo de Sousa, Jos\u00e9 S\u00f3crates e Marques Mendes s\u00e3o alguns dos rostos mais conhecidos de uma lista de, pelo menos, 97 comentadores com presen\u00e7a semanal na televis\u00e3o portuguesa. Destes, 60 s\u00e3o, ou j\u00e1 foram, pol\u00edticos.<\/p>\n<p>As motiva\u00e7\u00f5es para estes pol\u00edticos se dedicarem \u00e0 televis\u00e3o n\u00e3o estar\u00e1 s\u00f3 na exposi\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica. Financeiramente, a actividade parece ser lucrativa. Rebelo de Sousa, l\u00edder nas audi\u00eancias entre todos os comentadores, confirmou ao Correio da Manh\u00e3 receber dez mil euros por m\u00eas pelo seu coment\u00e1rio semanal na TVI. Marques Mendes, antes de sair da TVI24, ter\u00e1 recusado uma oferta de sete mil euros e, alegadamente, ter-se-\u00e1 transferido para a SIC por ter recebido uma proposta melhor, segundo noticiou a CorreioTV em Mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 S\u00f3crates, apesar de ter afirmado publicamente que n\u00e3o iria auferir nenhum tipo de remunera\u00e7\u00e3o pelo coment\u00e1rio, ter\u00e1, segundo a mesma publica\u00e7\u00e3o, as despesas de desloca\u00e7\u00e3o entre Paris e Lisboa pagas pela RTP. Por seu lado, a antiga ministra das Finan\u00e7as Manuela Ferreira Leite, alegadamente ter\u00e1 um ordenado que ronda os cinco mil euros pelo espa\u00e7o de coment\u00e1rio semanal que tem na TVI24.<\/p>\n<p>Se se comparar a distribui\u00e7\u00e3o das &#8220;camisolas&#8221; dos comentadores com a representa\u00e7\u00e3o dos partidos no Parlamento, a diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 muita. Em primeiro lugar surgem os comentadores ligados ao PSD &#8211; o partido com mais figuras na TV -, seguidos pelos do PS e, no \u00faltimo lugar do p\u00f3dio, os comentadores do CDS-PP. A \u00fanica diferen\u00e7a entre ecr\u00e3s e Assembleia da Rep\u00fablica \u00e9 na propor\u00e7\u00e3o entre bloquistas e comunistas: no Parlamento h\u00e1 mais deputados do PCP, na televis\u00e3o mais comentadores ligados ao BE.<\/p>\n<p>O polit\u00f3logo Jos\u00e9 Adelino Maltez caracteriza este &#8220;grupo muito espec\u00edfico&#8221; como <strong>&#8220;pol\u00edticos que fazem interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica chamando-lhe coment\u00e1rio&#8221;<\/strong>. O director de informa\u00e7\u00e3o da SIC, Alcides Vieira, contra-argumenta que a maior parte dos comentadores s\u00e3o pol\u00edticos que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o no activo, n\u00e3o sendo assim &#8220;porta-vozes dos partidos&#8221;.<\/p>\n<p>Por seu lado, Felisbela Lopes, professora e investigadora de Comunica\u00e7\u00e3o na Universidade do Minho, vinca um outro ponto: a pouca rotatividade dos comentadores. Ironizando que na &#8220;confraria dos convidados o que custa \u00e9 chegar a confrade&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O nosso sistema pol\u00edtico e partid\u00e1rio criou esta fun\u00e7\u00e3o do ex-pol\u00edtico no activo que \u00e9 comentador&#8221;, afirma o antigo director da RTP2 Manuel Falc\u00e3o. Por isso, acrescenta, o facto de haver pol\u00edticos que v\u00e3o todas as semanas \u00e0s televis\u00f5es comentar outros pol\u00edticos tornou-se normal.<\/p>\n<p>O predom\u00ednio de pol\u00edticos comentadores na televis\u00e3o portuguesa \u00e9 um fen\u00f3meno &#8220;relativamente singular nas democracias da Europa ocidental&#8221;, sustenta o polit\u00f3logo e historiador Ant\u00f3nio Costa Pinto.<\/p>\n<p>Como poss\u00edveis justifica\u00e7\u00f5es para esta particularidade, a investigadora de Comunica\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica e especialista no tema em an\u00e1lise, Rita Figueiras, avan\u00e7a duas hip\u00f3teses: por um lado, o facto de Portugal ter uma democracia ainda recente; por outro, e como consequ\u00eancia, &#8220;por o jornalismo ter estado muitos anos sob a al\u00e7ada do poder pol\u00edtico&#8221;.<\/p>\n<p>De qualquer forma, Rita Figueiras vinca que a presen\u00e7a de pol\u00edticos comentadores \u00e9 uma aposta ganha para as televis\u00f5es, defendendo que &#8220;os media sabem que resulta a n\u00edvel de audi\u00eancias&#8221;.<\/p>\n<p>No entanto, o director de Informa\u00e7\u00e3o da RTP, Paulo Ferreira, recusa-se a &#8220;transformar as audi\u00eancias dos comentadores num concurso&#8221;. E acrescenta que o mais importante \u00e9 que os comentadores tenham uma opini\u00e3o &#8220;que marque a agenda&#8221;.<\/p>\n<p>Esta capacidade determina muitas vezes a escolha dos comentadores, mas a capacidade de dar not\u00edcias em primeira m\u00e3o \u00e9 apenas um dos muitos &#8220;pr\u00e9-requisitos&#8221; para chegar aos palcos televisivos. Marques Mendes tem sido um exemplo do comentador que faz manchetes, revelando not\u00edcias que os jornalistas da pr\u00f3pria esta\u00e7\u00e3o &#8211; antes a TVI24, agora a SIC &#8211; desconhecem.<\/p>\n<p>O director da SIC Not\u00edcias, Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Teixeira, revela algumas das caracter\u00edsticas que considera essenciais para se ser comentador. &#8220;Escolhemos pessoas livres que estejam em condi\u00e7\u00f5es de pensar pela pr\u00f3pria cabe\u00e7a e que n\u00e3o sejam apenas correias de transmiss\u00e3o dos partidos.&#8221;<\/p>\n<p>Paulo Ferreira acrescenta a necess\u00e1ria facilidade de comunicar em televis\u00e3o e transmitir um pensamento de forma estruturada. O director de informa\u00e7\u00e3o da RTP destaca ainda a &#8220;capacidade anal\u00edtica e opinativa&#8221; e o &#8220;conhecimento do processo pol\u00edtico&#8221; que os comentadores precisam de ter para chegar aos ecr\u00e3s.<\/p>\n<p>Habituado a tratar da imagem de pol\u00edticos e de assessorar campanhas eleitorais, Ant\u00f3nio Cunha Vaz, dono da ag\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o Cunha Vaz &amp; Associados, considera que os pol\u00edticos t\u00eam uma mais-valia enquanto comentadores &#8220;porque sabem do que est\u00e3o a falar&#8221;. Desvaloriza as recentes pol\u00e9micas em torno dos pol\u00edticos escolhidos pelas televis\u00f5es, referindo-se \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 S\u00f3crates pela RTP, e defende que &#8220;as direc\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00e3o devem ser livres de escolher quem querem para comentar&#8221;.<\/p>\n<p>Na sua maioria formados em Direito, os pol\u00edticos comentadores t\u00eam em m\u00e9dia entre 45 e 60 anos, havendo um equil\u00edbrio entre pol\u00edticos no activo e ex-pol\u00edticos. De todos, o mais novo \u00e9 Jo\u00e3o Ferreira, eurodeputado, com 34 anos, e o mais velho Medina Carreira, com 81 anos.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Costa Pinto real\u00e7a que este n\u00facleo, que &#8220;flutua no espa\u00e7o medi\u00e1tico&#8221;, f\u00e1-lo &#8220;numa estrutura de oportunidade pol\u00edtica&#8221;. Ou seja, ensaiam nos palcos televisivos uma poss\u00edvel reintegra\u00e7\u00e3o em cargos partid\u00e1rios. Para este polit\u00f3logo, o papel de comentador garante a continuidade da influ\u00eancia nos partidos e, ironiza, &#8220;eles n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1 porque querem ser comentadores&#8221;.<\/p>\n<p>Utilizando a televis\u00e3o como rampa de lan\u00e7amento para novos cargos pol\u00edticos ou fazendo do coment\u00e1rio uma arma pro bono, fica por apurar o contributo para o esclarecimento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Estamos a debater melhor?<\/strong><\/p>\n<p>As crises apuram o esp\u00edrito cr\u00edtico e impelem os debates. &#8220;\u00c9 nestas alturas que as pessoas querem pontos de refer\u00eancia, algu\u00e9m que leia a realidade e que aponte pistas&#8221;, refere Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Teixeira.<\/p>\n<p>As TV tentaram responder ao repto, como evidencia a aposta que fizeram no coment\u00e1rio pol\u00edtico. No entanto, para Jos\u00e9 Adelino Maltez, as pessoas n\u00e3o est\u00e3o hoje mais esclarecidas porque h\u00e1 pouco trabalho desenvolvido na passagem de informa\u00e7\u00e3o &#8220;das elites para o povo&#8221;, o que configura &#8220;a grande crise de Portugal&#8221;. Maltez l\u00ea nesta realidade &#8220;o perigo de uma explos\u00e3o social&#8221;, que s\u00f3 poder\u00e1 ser evitada se a popula\u00e7\u00e3o for despertada para o gosto de discutir pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Na mesma linha de pensamento, Rita Figueiras considera que os comentadores n\u00e3o est\u00e3o a ser capazes de &#8220;gerar conhecimento&#8221; porque &#8220;h\u00e1 um grande efeito de eco&#8221; e n\u00e3o uma verdadeira pluralidade de \u00e2ngulos. Para a investigadora, o esclarecimento p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 maior porque os comentadores utilizam o espa\u00e7o televisivo como uma extens\u00e3o da vida partid\u00e1ria, deslocando &#8220;o Parlamento para a televis\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O ex-provedor do Espectador Jos\u00e9 Manuel Paquete de Oliveira elogia a televis\u00e3o pela capacidade de alargar o debate pol\u00edtico, mas critica a bipolariza\u00e7\u00e3o do mesmo, referindo-se ao predom\u00ednio de comentadores ligados ao PS e PSD.<\/p>\n<p>As horas de coment\u00e1rio pol\u00edtico podem ser muitas e os comentadores ainda mais. Por\u00e9m, <strong>investigadores e polit\u00f3logos partilham de um certo des\u00e2nimo por considerarem que os comentadores n\u00e3o est\u00e3o a contribuir para um aumento da consci\u00eancia pol\u00edtica dos portugueses.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Dev\u00edamos estar noutro estado de consci\u00eancia pol\u00edtica&#8221;, frisa Paquete de Oliveira. &#8220;O que \u00e9 preciso n\u00e3o \u00e9 p\u00f4r outros a pensar pelas pessoas, \u00e9 dar-lhes dados para poderem pensar&#8221;, real\u00e7a Manuel Falc\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Ant\u00f3nio Costa Pinto, os pol\u00edticos comentadores, que apelida de &#8220;neo-Marcelos Rebelo de Sousa&#8221;, aparecem como &#8220;pregadores individuais&#8221;. O que leva a que, como defende Adelino Maltez, n\u00e3o consigam despertar a popula\u00e7\u00e3o para a pol\u00edtica. Para Maltez, falta novidade no coment\u00e1rio pol\u00edtico e nem os pol\u00edticos nem os polit\u00f3logos, &#8220;que tamb\u00e9m j\u00e1 estiveram na moda&#8221;, conseguem trazer de volta o gosto pela discuss\u00e3o pol\u00edtica. &#8220;O que falta s\u00e3o os opinion makers, tipos com pedigree que criam correntes de opini\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Rita Figueiras acrescenta que a solu\u00e7\u00e3o passaria por trazer mais acad\u00e9micos para a televis\u00e3o, procurando chegar a outras esferas intelectuais. Da\u00ed viria uma maior diversidade e outros \u00e2ngulos para &#8220;perspectivar caminhos diferentes&#8221;.<\/p>\n<p>Os directores de Informa\u00e7\u00e3o dos diversos canais t\u00eam uma vis\u00e3o menos negativa. Alcides Vieira, director de Informa\u00e7\u00e3o da SIC, argumenta que &#8220;o coment\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 a verdade das coisas, \u00e9 a opini\u00e3o pessoal de algu\u00e9m sobre os factos&#8221; e, nesse sentido, quantas mais opini\u00f5es os portugueses tiverem, &#8220;melhor podem decidir&#8221;.<\/p>\n<p>Por seu lado, Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Teixeira, director da SIC Not\u00edcias, considera que os comentadores &#8220;fazem a diferen\u00e7a&#8221; em per\u00edodos de incerteza, uma vez que nestes momentos as pessoas precisam de ter pontos de refer\u00eancia para &#8220;analisar a realidade com maior rigor&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Audi\u00eancias: Marcelo \u00e9 l\u00edder indiscut\u00edvel, S\u00f3crates revela-se desilus\u00e3o<\/strong><br \/>\nTreze n\u00e3o parece ser um n\u00famero de azar para Marcelo Rebelo de Sousa. O ex-l\u00edder do PSD \u00e9 comentador televisivo desde o ano 2000 &#8211; primeiro na TVI, depois na RTP1, e desde 2010 de volta \u00e0 TV de Queluz &#8211; mas mant\u00e9m-se imbat\u00edvel a captar a aten\u00e7\u00e3o dos telespectadores. Nem mesmo a concorr\u00eancia de Jos\u00e9 S\u00f3crates na RTP1 causou grande mossa nas suas audi\u00eancias.<\/p>\n<p>Uma breve an\u00e1lise \u00e0s audi\u00eancias mostra que Marcelo \u00e9 um trunfo. Os dados da GfK disponibilizados pela Marktest\/Mediamonitor das \u00faltimas cinco semanas falam por si. No dia da estreia de Jos\u00e9 S\u00f3crates na RTP1, a 7 de Abril, o professor superou o ex-primeiro-ministro, conquistando 1,7 milh\u00f5es de telespectadores, mais 700 mil do que S\u00f3crates. A RTP1 comprou uma guerra com a contrata\u00e7\u00e3o de S\u00f3crates, mas que pode n\u00e3o ter valido a pena. Nesta batalha, a TVI tem sa\u00eddo vencedora. Marcelo registou, em m\u00e9dia, o triplo da audi\u00eancia.<\/p>\n<p>A estreia de S\u00f3crates nem come\u00e7ou mal &#8211; pelo menos na entrevista, a 27 de Mar\u00e7o, que antecedeu a sua &#8220;contrata\u00e7\u00e3o&#8221;, foi visto por 1,6 milh\u00f5es de pessoas. Mas quando assumiu as r\u00e9deas do seu programa A Opini\u00e3o de Jos\u00e9 S\u00f3crates, n\u00e3o conseguiu atingir a barreira do milh\u00e3o de telespectadores. E no \u00faltimo programa ficou-se pelos 580 mil.<\/p>\n<p>A aposta da RTP em aumentar o espa\u00e7o dedicado a coment\u00e1rio televisivo trouxe tamb\u00e9m Nuno Morais Sarmento de volta \u00e0 vida p\u00fablica, equilibrando assim o debate PS-PSD. O ex-ministro da Presid\u00eancia de Dur\u00e3o Barroso, respons\u00e1vel pela tutela da RTP e pelo plano de reestrutura\u00e7\u00e3o de 2002, estreou-se na RTP1 com uma audi\u00eancia de 620 mil telespectadores, valor que se tem mantido, nas \u00faltimas cinco semanas. Se se comparar as audi\u00eancias de Sarmento e de S\u00f3crates, o social-democrata ficou mesmo a ganhar em metade dos programas (ver gr\u00e1fico).<\/p>\n<p>No mercado das transfer\u00eancias televisivas, Marques Mendes foi a grande contrata\u00e7\u00e3o da SIC este ano, vindo da TVI24. E, at\u00e9 \u00e0 data, Mendes tem conseguido resultados surpreendentes, sendo o segundo comentador mais visto. Na maioria das vezes, conquistou resultados que rondam um milh\u00e3o de telespectadores.<\/p>\n<p><em>Filipa Dias Mendes e Pedro Nunes Rodrigues &#8211; &#8220;P\u00fablico&#8221; 12 maio 2013<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Finalmente, algo parece mover-se no panorama do coment\u00e1rio pol\u00edtico televisivo. Paulo Dentinho, novo director de Informa\u00e7\u00e3o da RTP, decidiu, e bem, abanar o charco f\u00e9tido de ex-dirigentes partid\u00e1rios travestidos de comentadores isentos. 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