Os rumores que circulam sobre os possíveis cenários de privatização da RTP mostram que o governo está a navegar à vista — sabe onde quer chegar, mas muda de rumo em função dos ventos. Em termos não metafóricos, prepara-se para dar a quem pagar mais aquilo que quem paga está interessado em receber. Sobre o que não restam dúvidas é a determinação de desmantelar o serviço público de rádio e de televisão, com estafados pseudo-argumentos que farão abrir a boca de incredulidade a qualquer cidadão culto da Europa.
De todos os cenários descritos, há um que se destaca pelo grau de ignorância que revela: o de que é possível concessionar a uma empresa privada um serviço público de rádio e televisão. A RTP é uma sanduiche mista e veja-se o resultado que deu. É certo que o conceito exacto de serviço público audiovisual passa ao lado da generalidade de políticos e profissionais. Como sempre acontece, há quem só vá perceber quando deixar de existir serviço público. No meio disto tudo, há duas coisas que continuo sem entender. Como é que se aceita que um serviço público de rádio e de televisão, definido constitucionalmente, seja terraplenado desta maneira por dois partidos em que votaram menos de três milhões de cidadãos? Porque é que os trabalhadores do serviço público, em especial da área da informação, continuam a manter um ruidoso silêncio? (JAG)
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