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Crise nos media dominou discursos na entrega dos Prémios Gazeta

Marcelo Rebelo de Sousa apelou a um pacto de regime que permita viabilizar a sobrevivência de uma comunicação social livre, forma de escrutínio essencial para a democracia.

O prémio Gazeta de Mérito foi atribuído a Ana Sousa Dias, Pedro Caldeira Rodrigues e Miguel Carvalho ganharam ex aequo o prémio Gazeta de Imprensa, Amélia Moura Ramos foi galardoada com o Gazeta de Televisão, o Gazeta de Rádio foi atribuído a Paula Borges, Inês Rocha recebeu o Gazeta de Multimédia, o Gazeta de Fotografia foi para João Porfírio, o Gazeta Revelação para Daniel Dias e o Gazeta de Imprensa Regional foi atribuído ao Mensageiro de Bragança. Fotografia: Inácio Ludgero

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“Isto não está mal, está muito mal – e é fundamental olhar para [a crise dos media] enquanto é tempo”, frisou o Presidente da República na cerimónia da 38.ª edição dos Prémios Gazeta, que decorreu na sexta-feira, 5 de janeiro, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa, distinguindo a excelência no jornalismo nas categorias de Mérito, Revelação, Televisão, Imprensa, Rádio, Multimédia, Fotografia e Imprensa Regional.

“Este é o momento”, e a poucos dias do 5.º Congresso dos Jornalistas, “de chegar a entendimentos de regime sobre esta matéria”, afirmou o chefe de Estado, frisando que há muitos anos que se “repetem os diagnósticos, e a situação piora, vai piorando… e depois é rigorosamente irrecuperável”.

O Presidente acrescentou não estar pessimista, mas sim realista – “e o realismo impõe que não se demore mais tempo, que não se encontre solução nos 42.º ou 44.º Prémios Gazeta, que é capaz de já ser tarde”.

No final do seu discurso, Marcelo reforçou o apelo: “Espero que para o ano nos encontremos sem estes despedimentos, sem estes não pagamentos de salários, sem esta indefinição em que ninguém é responsável… não é o proprietário, não é o gestor, não é o financiador, não é ninguém com responsabilidades administrativas, morreu solteira a culpa. Às tantas só falta dizer que os responsáveis são os jornalistas, porque quiseram ser jornalistas e escolheram a porta errada.”

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, anfitrião desta iniciativa do Clube de Jornalistas, felicitou os premiados reforçando também como o jornalismo livre é essencial para a democracia: “Um jornalismo autêntico, como o que vimos aqui hoje, feito por aqueles que ganharam os prémios.”

A situação precária em que se encontra a comunicação social em geral, e nomeadamente a que se vive agora no Global Media Group, foi também abordada nos discursos de todos os premiados.

Maria Flor Pedroso, presidente do Clube de Jornalistas. Fotografia: Inácio Ludgero

O júri dos Prémios Gazeta apreciou nesta edição cerca de 90 candidaturas de elevada qualidade, prova da dinâmica que, resistindo à crise, o jornalismo conserva, e deliberou atribuir os seguintes galardões:

O Júri dos Prémios Gazeta 2022 teve a seguinte composição: Eugénio Alves (CJ), que presidiu, Cesário Borga (CJ), Eva Henningsen (Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal), Elizabete Caramelo (professora universitária), Fernando Cascais (professor universitário e formador do Cenjor), Jorge Leitão Ramos (crítico de cinema e televisão), José Rebelo (professor emérito do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa), Inácio Ludgero (fotojornalista), Dina Soares (Jornalista) e Paulo Martins (jornalista e professor universitário).