«Nunca foi tão importante para um jornalista em início de carreira ter a coragem de dizer não. Não às listas inúteis, aos gatos e aos anúncios natalícios sentimentais» – alertou o jornalista Fábio Monteiro, prémio Gazeta Revelação 2014, na cerimónia de entrega dos prémios, ontem, em Lisboa.
Não é a primeira vez que o melhor discurso da noite pertence ao vencedor do prémio Revelação. E essa revelação paralela é a garantia de que a indústria jornalística pode estar doente, mas que há novos jornalistas dispostos a lutarem para que o jornalismo não perca os valores que o tornam um pilar fundamental da democracia e da evolução. [intlink id=”11863″ type=”post”][leia aqui o discurso na íntegra][/intlink]
Também o presidente do Clube de Jornalistas, Mário Zambujal, chamou a atenção para «os problemas com que se debate o jornalismo português», o «lado amargo» da profissão, num dia de festa.
«Sucedem-se ondas de despedimentos numa época de acontecimentos históricos, em Portugal, na Europa e no Mundo», lembrou. «Encolhemos e enfraquecemos quando a necessidade da boa informação cresce, para defesa da cidadania e da democracia. NÃO FAZ SENTIDO.»
Os jornalistas despedidos não foram esquecidos por todos os premiados, que, de uma maneira ou outra, manifestaram a sua solidariedade.
Fernando Paulouro Neves, distinguido com o Gazeta de Mérito, sublinhou que «vivemos agora dias que parecem voltar a ter eco no poema de Alexandre O’Neill sobre a sociedade portuguesa, quando os seus versos diziam “o medo toma tudo”. Aí o temos de novo, com pezinhos de lã ou nem tanto: o medo de pensar em voz alta (nas redacções também, não vá o diabo tecê-las…), o medo da precariedade do emprego e da pobreza, o medo de existir, omo escreveu José Gil.»
O ministro da Cultura, João Soares, que presidiu à cerimónia, assegurou que o governo fará tudo o que estiver ao seu alcance para preservar a liberdade de imprensa e travar a destruição de postos de trabalho.
O presidente da Caixa Geral de Depósitos chamou a atenção para a importância do sector bancário, hoje sob fogo cerrado, e fez um apelo aos jornalistas para informarem com precisão e rigor sobre as instituições bancárias.
